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Masami Kurumada pode ser um nome desconhecido para alguns, mas todos os brasileiros que cresceram nos anos 90 conhecem muito bem sua história, o icônico Cavaleiros do Zodíaco. A sua adaptação de anime virou uma febre sem precedentes aqui no Brasil, com recordes de audiência na TV aberta.
Ele foi um dos poucos mangakás que se destacaram na Weekly Shonen Jump e conseguiram uma parceria com a Toei Animation por volta dos anos 80. Até hoje, Kurumada trabalha no seu mangá para criar o final que ele tanto almeja.
Início na Shonen Jump

Kurumada sempre teve uma preferência por mangás que apresentam jovens delinquentes e lutadores devido a sua paixão por artes marciais. Seu mangá favorito na juventude era Otoko Ippiki Gaki-Taishou, de Hiroshi Motomiya, um dos primeiros mangás de sucesso da Shonen Jump no nascimento da revista.
Otoko Ippiki Gaki-Taishou inspirou ele a criar o seu primeiro mangá, Otoko Raku, que ganhou um Prêmio Tezuka e lhe deu a oportunidade de trabalhar como assistente. Entretanto, a carreira profissional de Kurumada começou de fato em 1973.
Ele fez sua estreia na Jump com Sukeban Arashi, um mangá que não durou muito tempo. Sua primeira protagonista era uma garota delinquente, algo ainda mais raro de se ver na década de 70. Em todos os seus mangás seguintes, Kurumada optou por seguir com protagonistas masculinos.
Em 1977, vem o seu primeiro mangá famoso, Ring Ni Kakero. Grande parte da fama internacional de Kurumada vem dos Cavaleiros do Zodíaco, mas Ring Ni Kakero foi o seu maior sucesso e sua criação favorita. Apesar das conquistas feitas nas publicações, seu mangá de boxe só recebeu uma adaptação de anime em 2004.
Logo após o final de Ring Ni Kakero, sua carreira continuou crescendo com o lançamento de Fûma No Kojirô, publicado entre 1982 e 1984. O anime de Fûma No Kojirô ficou conhecido no Brasil como Guardiões do Universo. Os seus próximos mangás, Raimei no Zaji e Otokozaka, foram cancelados por não atraírem muitos leitores.
Kurumada não aceitou muito bem o cancelamento de Otokozaka porque esse mangá era considerado a obra de sua vida. No último volume do mangá, ele até tentou impedir que sua história fosse cancelada, implorando o apoio dos leitores. Mas, em 2014, a Shueisha deu a oportunidade para Kurumada voltar a publicar Otokozaka. Assim como ele queria, Otokozaka virou uma série longa, durando até 2024.
Em 1985, enfim, nasceu o mangá dos Cavaleiros do Zodíaco. Hoje em dia, Cavaleiros do Zodíaco não tem uma reputação tão grande no Japão como outros mangás clássicos que marcaram a era de ouro da Shonen Jump. Contudo, a obra ainda tem o seu reconhecimento por ser um dos principais pilares da carreira de Kurumada.
O estilo tradicional de Kurumada
Se você já viu outros mangás de Kurumada, você deve ter reparado que todos os protagonistas dele são idênticos ao Seiya. Ele tem o hábito de desenhar os seus personagens com a mesma estrutura física, cabelo e rosto. Esse é um método criado por Osamu Tezuka, que funciona como uma readaptação para facilitar a criação de personagens em mangás.
Kurumada usa o estilo de Tezuka desde o início de sua carreira e deve continuar até o seu último trabalho, já que seu traço segue frequentemente o padrão da década de 60 e 70.
O andamento dos Cavaleiros do Zodíaco
A Shonen Jump publicou o mangá dos Cavaleiros do Zodíaco até 1990. Todos os fãs devem saber que a franquia continuou ganhando novos animes e mangás, mas não foi bem do jeito que Kurumada planejava. Quando ele chegou na saga de Hades, Cavaleiros do Zodíaco perdeu grande parte da sua audiência, então os editores da revista cancelaram o mangá.
Depois desse cancelamento, Kurumada trabalhou com mangás de outros gêneros, como B’t X, mas, desde os anos 2000, a maioria das suas obras giram em torno dos Cavaleiros do Zodíaco. A queda de audiência também afetou a adaptação de anime feita pela Toei Animation.
O primeiro anime acabou em 1989, na saga de Poseidon, e não prosseguiu adiante, porque a Toei e Kurumada não conseguiram manter um acordo. Eventualmente, os dois lados se acertaram por um tempo, e o anime retornou em 2002 para adaptar a saga de Hades completa.
Enquanto Kurumada criava sua sequência e novos spin-offs do mangá, a Toei produziu diversos filmes e séries independentes do anime. Embora o primeiro anime tenha sofrido com a perda de audiência no passado, a marca dos Cavaleiros do Zodíaco é muito lucrativa para a Toei e a Bandai até agora.
Entre 2012 a 2019, a Toei lançou a série Os Cavaleiros do Zodíaco Ômega, reutilizou a saga de Asgard para criar Saint Seiya: Soul of Gold e criou a primeira animação 3D da franquia, Os Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda do Santuário. Além disso, o estúdio fez uma parceria com a Netflix para tentar criar uma versão “moderna” do anime antigo, que não deu muito certo.
Kurumada, por sua vez, retomou seu mangá em 2006, com Saint Seiya: Next Dimension, publicado na revista Weekly Shonen Champion. Ao mudar para a editora Akita Shoten, ele também teve espaço para ajudar outros mangakás a criarem histórias derivadas do seu universo, como Saintia Sho, The Lost Canvas e Episode G.
A saga de Zeus
O desejo de Kurumada é terminar os Cavaleiros do Zodíaco na saga de Zeus, que seria após a saga de Hades. No entanto, ele deseja desenvolver The Next Dimension por completo antes de trabalhar nesta saga.
A Shueisha não concordou com os termos para continuar o mangá, então levou alguns anos para Kurumada encontrar uma outra editora e revista que aceitassem sua sequência. The Next Dimension se passa após a saga de Hades, na época da antiga guerra santa, assim como The Lost Canvas.
Inicialmente, a ideia de Kurumada era criar um universo paralelo entre os dois mangás chamado Multi Angle Dual, já que eles contam a mesma história. Devido à dificuldade de manter uma publicação periódica, a ideia foi descartada e agora apenas Next Dimension é considerada uma sequência canônica. Uma nova imagem vazada indicou que a Saga de Zeus, de Cavaleiros do Zodíaco, de Masami Kurumada, está mesmo perto de ter início. Na imagem, podemos ver Seiya de Pégaso, com um personagem misterioso ao fundo (é a imagem em destaque deste tópico).
Em 2004, a Toei Animation tentou fazer a sua versão da saga de Zeus, com o filme Prólogo do Céu. De acordo com as fontes, o Prólogo do Céu seria o início de uma trilogia de filmes, mas o público não se interessou pela sua história. Por fim, Kurumada deve ter a saga de Zeus planejada por mais de 20 anos, mas ele só vai começar essa fase quando se sentir preparado.