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Em sua 1ª temporada, A Casa do Dragão flerta com a perfeição, ao entregar uma boa história sobre como muitas vezes as guerras acontecem por nada.

Era de conhecimento de todos que fazer uma série derivada de Game of Thrones seria uma missão muito difícil, pelo nível de qualidade que ela outrora entregou, e também pela forma como terminou, causando discórdia entre os fãs.

Reprodução/HBO

Porém, também existiam benefícios, que é o fato de você poder focar no desenvolvimento dos personagens logo de cara, já que o público já está situado e acostumado a visitar os locais da história que você vai narrar.

A Casa do Dragão se sai muito bem ao usar o que de positivo tem em ser uma série derivada, e tira de letra quanto a pressão de entregar algo do nível que os fãs esperavam já em sua 1ª temporada.

No entanto, a maioria das séries de TV naturalmente não são perfeitas logo de cara, já que muitas usam seus primeiros anos como uma espécie de teste com o público.

Não é diferente aqui, pois é um fato que o primeiro ano escorrega em alguns momentos quando pensa muito mais em chocar o público, do que em dar um tempero a mais para a jornada de seus personagens. Isso às vezes deixa algumas decisões confusas, ou até mesmo sem impacto, por elas outrora não terem sido tão bem trabalhadas.

A-Casa-Do-Dragão-Crítica-1ª-temporada
Reprodução/HBO

Alguns vícios de Game of Thrones também acabam atrapalhando a imersão na produção, como a terrível fotografia com pouca iluminação do Miguel Sapochnik, que segue fazendo suas cenas para serem visíveis apenas para olhos de gatos e cachorros, que conseguem ter uma visão melhor que os humanos com pouca luz.

Outra coisa que atrapalha um pouco a imersão, é o fato de eles terem usado tanto Volume para montar seus cenários. A onda da utilização da nova tecnologia fez todo mundo achar que ela seria regra daqui para frente, o que não se tornou concreto, tanto que a Warner se desfez do estúdio que usou para filmar a primeira temporada.

Nada substitui os cenários reais, que às vezes até são mais baratos que o Volume, e a até agora excelente Andor está aí provando isso para todo mundo.

Sim, esses pontos individuais incomodam, porém o nível de produção de A Casa do Dragão não é um problema, muito pelo contrário. A série é grandiosa, e faz questão que você lembre disso a cada 20 minutos. O que é ótimo, pois é exatamente isso que o público esperava de uma narrativa onde dragões representam domínio e poder.

Rei Viserys em A Casa do Dragão
Reprodução/HBO

Mesmo com o problema da iluminação em certas cenas, o trabalho de Sapochnik nos episódios que dirige na série não é ruim também. Aliás, o time de diretores da produção da HBO é um muito, muito bom. Tanto que é difícil apontar alguém que tenha destoado negativamente.

Tão bons quanto os diretores são os roteiristas, que foram muito certeiros na forma como buscaram identificar o público com a história. Veja, o universo de Game of Thrones é repleto de áreas cinzas, e aqui isso foi respeitado ao máximo.

É bem verdade que a forma como o material original foi escrito facilitou todo o processo. Porém, isso não apaga o mérito de eles terem trazido uma grande profundidade e coesão para a série.

Sei que você deve estar pensando em uma ou outra decisão criativa que não tenha gostado, mas garanto que se a enxergar dentro do que a série trabalhou, muitas delas vão melhorar bastante na sua cabeça, pois de fato a maioria faz sentido dentro do que foi trabalhado.

Vermithor-em-A-Casa-do-Dragão-Daemon
Reprodução/HBO

É maluco perceber o quanto as pessoas se sentem donos de certo tipo de personagens, que jamais podem ir contra o seu imaginário. É mais bizarro ainda quando isso acontece sobre a visão de uma obra original, que descreve tais personagens sob a perspectiva de narradores não-confiáveis, como é o caso de Fogo e Sangue.

A série respeita muito o material original, mas tem vida própria, até porque apresenta uma ótica inédita sobre os eventos que afundaram a dinastia Targaryen.

Se você for buscar por pureza, dificilmente vai encontrar, pois essa é uma história sobre como tudo deu errado, é uma história de guerra.

Uma guerra é onde todos os lados acham que estão certos, porém, ambos estão errados e exagerando nas suas reações aos fatos originários, que muitas vezes são banais. A Casa do Dragão é muito competente em refletir isso, e todo o arco de Viserys está aí para mostrar que quando um não quer, dois não brigam, principalmente quando a razão do confronto é um mal-entendido.

Reprodução/HBO

Depois que a briga começa, seus efeitos nunca são pequenos, daí uma coisa vai puxando a outra, até que você se esquece de como tudo começou, e a situação passa a não ter mais um caminho de volta.

Por fim, a 1ª temporada de A Casa do Dragão é uma belíssima narrativa sobre a origem de uma guerra, que só não atinge a perfeição por se apressar demais em entregar fogo e sangue para seu público. Certamente, podemos estar testemunhando a gênese de uma das maiores produções da TV norte-americana.

Leia Mais sobre A Casa do Dragão

A produção da série ficou sob responsabilidade de George R.R. Martin Ryan Condal.

Paddy Considine (Blitz) como Rei Viserys Targaryen, Matt Smith (Doctor Who) como Príncipe Daemon Targaryen, Emma D’Arcy (Truth Seekers) como Princesa Rhaenyra Targaryen e Olivia Cooke (Jogador Nº 1) como Alicent Hightower estão no elenco principal de A Casa do Dragão.

Do que se trata a série?

Baseada no livro Fogo & Sangue, a série serve como um derivado de Game of Thrones que narra a história da guerra civil gerada pela disputa do Trono de Ferro, mais conhecida como a Dança dos Dragões.

Situada mais de 200 anos antes dos eventos da série original, acompanhamos a guerra civil que acontece enquanto os meio-irmãos Aegon II e Rhaenyra almejam o trono após a morte do pai, Viserys I.

Rhaenyra é a filha mais velha, contudo, Aegon é o filho homem de um segundo casamento, o que acaba gerando uma crescente tensão entre dois clãs Targaryen sobre quem tem o verdadeiro direito ao trono.

Como descrito na série principal, no tempo em que a família Targaryen dominava os sete reinos, a casa era conhecida por seus imponentes dragões, que assim como a família, acabaram praticamente extintos após o conflito interno.

Nota 9


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