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Apesar de muita rejeição pelos fãs, Prometheus não é realmente um filme terrível. No entanto, com certeza foi uma decepção, considerando o legado da franquia Alien e o retorno do seu criador, Ridley Scott, à direção.

E é com expectativas mais controladas que chega a sua sequência, Alien: Covenant,  entregando uma experiência mais satisfatória, mas que ainda não alcança o potencial que esses filmes tem de serem os sucessores à altura dos aclamados dois primeiros filmes da série

Dez anos após os acontecimentos do último filme, acompanhamos um novo elenco na tripulação da nave Covenant que, após ser forçada a acordar de seu sono criogênico prematuramente, decidem explorar um planeta próximo que os colocará em rota de colisão com os sobreviventes da nave Prometheus.

Assim como seu antecessor, seu melhor elemento sem dúvidas é Michael Fassbender, que aqui não apenas reprisa seu papel como o andróide sintético David, como o de um outro chamado Walter. Em papel duplo, as cenas com os dois personagens de Fassbender interagindo são algumas das melhores do filme, não apenas pela sua performance, mas pelo seu conteúdo, que dão um vislumbre do teor filosófico existencial que esses filmes prometem desde Prometheus (sem trocadilhos cansados), mas nunca se concretizou plenamente, lembrando até alguns dos melhores momentos de Blade Runner.

Quanto ao resto do elenco, Katherine Waterson faz uma protagonista competente, mesmo que um pouco parecida demais com a personagem de Noomi Rapace em Prometheus. Danny Mcbride é surpreendentemente cativante e Billy Crudup tem muito potencial, especialmente nas relações de seu personagem com a religião, mas acaba subdesenvolvido. Mas infelizmente, a maior parte do elenco não consegue transcender a sua essência descartável e poderia simplesmente se chamar “comida de Alien”. Não ajuda quando o filme comete algumas das mesmas falhas de Prometheus e personagens sucumbem a momentos de burrice extrema e inadmissível para pessoas que treinaram a vida toda para serem desbravadores espaciais.

E por falar nele, como a inclusão de “Alien” no título indica, o filme realmente faz uma ponte entre Prometheus e o resto da franquia. Se o seu antecessor apenas insinuava, aqui vemos as origens do Xenomorfo em toda a sua glória.

Se o que estiver procurando for só mais uma dose de aliens matando tripulantes desavisados como uma forma de “matar a saudade”, você sairá satisfeito, mas apesar de ter sua mitologia expandida, o monstro já não é mais a mesma presença ameaçadora do filme de 1979: No terceiro ato, ele se reduz a um vilão de slasher genérico (com direito até a matar casal durante o sexo).

Dando continuidade a Prometheus, o filme ainda tem elementos de terror de sobrevivência inspirados em Alien – O Oitavo Passageiro, mas dessa vez também inclui mais do teor de ação militarizada de Aliens – O Resgate. Pode não ser um filme perfeito, mas pelo menos é divertido.

Depois de chegar a uma conclusão previsível, mas aceitável, o filme ainda decide jogar uma reviravolta (igualmente previsível) que promete uma continuação, formando assim uma trilogia de prequência de Alien que, apesar de competente, ainda não se provou nem um pouco necessária. Afinal, o Xenomorfo realmente precisava de alguma explicação para sua origem além de “darwinismo no espaço”?

Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.


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