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Após uma década repleta de lançamentos na indústria de filmes de super-heróis, e com a Marvel já chegando ao fim de uma grande era de seu universo cinematográfico, longas de origem de personagens de quadrinhos são um desafio cada vez maior para aqueles que os fazem, já que abordar “apenas” a origem do herói se transformou em algo um pouco datado e não mais suficiente para o projeto cair no gosto do público e da crítica.

Seja trazendo algo inovador na trama ou em aspectos técnicos, o grande desafio de um filme de origem atualmente é se tornar, de alguma forma, único e marcante, para não cair no esquecimento e ser apenas mais um em uma indústria com cada vez mais projetos parecidos – e James Wan aceitou este desafio para dirigir Aquaman.

Um projeto ambicioso desde seu início principalmente por sua trama se passar quase inteiramente embaixo d’água, algo nunca visto antes no cinema, Aquaman gerou uma grande expectativa no público – mesmo com o recente enorme fracasso de Liga da Justiça – que se tornou ainda maior por trazer James Wan (um dos diretores/produtores mais aclamados atualmente em Hollywood no gênero de terror) na direção, além do carismático Jason Momoa novamente no papel do herói (uma das únicas coisas boas introduzidas em Liga da Justiça, vale ressaltar), uma mistura de fatores que tinha tudo para se transformar em um grande filme – e realmente se tornou.

Tudo bem, o filme não é uma obra prima perfeita e tem alguns defeitos principalmente em seu primeiro ato, onde exagera por forçar a barra em cima do carisma e do jeito brutamontes de Momoa para criar cenas engraçadas, uma tentativa de humor que acaba sendo falha e incômoda justamente por não parecer natural. A maior prova disto são várias outras cenas bem humoradas ao longo da trama que funcionam muito bem pelo simples fato do ator exalar carisma por si só e não precisar de diálogos que forcem seu lado cômico.

Há, ainda no primeiro ato, algumas outras cenas um pouco entediantes e já datadas (como citado anteriormente) em filmes do tipo, mostrando a infância e adolescência de Arthur, mas que são necessárias em um longa de origem e que acabam, no fim das contas, aproximando nossos sentimentos dos personagens chave da história, e dando base para o desenrolar da trama.

A partir do segundo ato, Aquaman finalmente mostra a que veio e não apenas cumpre, mas também supera todas as expectativas possíveis. Primeiramente, o trabalho de James Wan e de toda a equipe por trás dos efeitos visuais embaixo d’água é simplesmente fantástico, digno de Oscar, e nos faz admirar cada cena – seja em Atlântida ou nos outros reinos subaquáticos mostrados – como se aquilo fosse uma obra de arte pintada na tela. Vale ressaltar também os belíssimos trajes dos personagens.

A qualidade das cenas de ação também não fica pra trás, e temos várias sequências de perseguição e lutas frenéticas (principalmente as que envolvem o ótimo Arraia Negra) de tirar o fôlego, além de épicas batalhas que deixam de queixo caído quando acontecem nos maravilhosos visuais subaquáticos.

Mesmo que os grandes momentos do filme sejam em momentos de muita ação, a história, apesar de simples, é divertida, emocionante, e traz em suas entrelinhas, utilizando principalmente o grande vilão Orm (com uma boa atuação de Patrick Wilson) como símbolo da mensagem de um reflexo do quão prejudicial são os maus tratos do ser humano os mares, oceanos e com a natureza no geral. Ainda sobre a trama, grande parte da diversão trazida por ela se dá pela ótima química entre Arthur (Jason Momoa) e Mera (Amber Heard), cujo relacionamento inicialmente conturbado traz ótimos alívios cômicos.

Mera é outro ponto super positivo que vale a pena ser mencionado. A heroína, além de ser um ponto chave da trama, rouba a cena em vários momentos, em muitos deles até mesmo tendo mais destaque que o próprio Arthur, e conquista o público com sua força, carisma e beleza.

No fim das contas, apesar de trazer apenas mais uma trama de origem de um super-herói, a abordagem corajosa e única de James Wan para um universo riquíssimo em detalhes – tanto visuais quanto em história – e ainda inexplorado, além da grande presença de tela dos protagonistas, fazem com que Aquaman supere todas as expectativas e seja um dos melhores filmes de origem de heróis já feito, dando um novo suspiro de esperança para a DC nos cinemas.



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