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GhostbustersE finalmente chegou o dia em que o tão alardeado Caça-Fantamas (Ghostbusters), remake do clássico de 1984, chegou aos cinemas trazendo um elenco de protagonistas feminino – o que por si só aparentemente já era motivo suficiente para toda a balbúrdia gerada pelo filme internet afora antes mesmo dele contar com qualquer trailer ou imagem promocional.  E ao contrário do que muitos esperavam – ou até mesmo torciam – o filme está longe, mas bem longe mesmo, de ser ruim. Caça-Fantasmas é divertido, bem humorado, bem construído, e consegue trazer um frescor enorme para a franquia, sem deixar de prestar reverência ao original – algo que aliás, é realizado com maestria. 

Na verdade, é interessante analisar o filme mais friamente, e perceber que ele é na verdade a melhor concepção do que um remake precisa ser. Remake, essa palavrinha tão odiada pelos fãs – de qualquer coisa – e que vem se tornando cada vez mais popular em Hollywood. “Esse filme não precisava de um remake”, é o que comumente mais escutamos por aí. “Não deveriam mexer em um clássico“, também é bastante utilizado, apesar de com um pouco mais de moderação do que a desesperada opção inicial. Mas ambos acabam na mesma questão, que é o público esbravejando que não precisamos que filmes sejam refeitos. O que na verdade é um bom argumento. Até certo ponto. 

A questão é que a concepção de um remake não é o problema. Nunca foi. O grande problema consiste na forma como ele é realizado, geralmente seguindo fielmente diversos aspectos do original, mas mudando pontos e acontecimentos aqui e ali como uma tentativa de “melhorar” o produtor original. Um erro. O problema é que as próprias pessoas acabaram se acostumando a essa fórmula e acreditando que um remake só dará certo quando ele seguir fielmente o original. “Se é pra fazer remake, que façam direito“, bradam eles. E talvez por isso Caça-Fantasmas tenha sofrido tanta rejeição desde o seu anúncio. “Como eles ousam fazer um remake do meu clássico trocando o elenco principal por… mulheres?” E não é que esse acabou sendo o ponto mais positivo do filme e colocando-o um nível acima dos outros remakes que vemos por aí?

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Com a presença de um elenco de protagonistas feminino, o diretor Paul Feig consegue fazer algo incrível nesse filme: mostrar como se faz um remake. Tudo o que torna o universo dos Caça-Fantasmas tão interessante e que fez com que esse filme fosse tão amado até hoje, está presente aqui. O senso de humor, as piadas ácidas, o surrealismo de como é tratada a “caça” aos fantasmas, e é claro, os espectros extremamente brilhantes e coloridos que parecem cair tão bem nesse universo. Ou seja, o cerne do que é Caça-Fantasmas está no filme, e trazendo ainda um frescor extremamente bem vindo, que consegue definir e encaixar perfeitamente as personagens para uma nova geração . E o que importa mais do que isso? 

O elenco de protagonistas composto por Melissa McCarthy, Kristen Wiig, Leslie Jones e Kate McKinnon possui uma química e um entrosamento tão naturais em tela que em apenas alguns minutos de filme fazem você pouco se importar se o original era composto por homens – o que na verdade em momento algum deveria sequer ser colocado em pauta. Aliás, alguns dos melhores momentos do filme se dão justamente pela mudança de gênero, inclusive com uma piada relativa aos comentaristas do YouTube.

Durante o filme – que aliás, é muito bem construído apesar do roteiro simplório – percebemos que a mudança de gênero dos protagonistas na verdade é exatamente o que o torna especial, único, e que traz a sensação de novidade que o distancia do original ao mesmo tempo que o segue de perto. Referências estão presentes em diversos momentos, mas são todas pontuais e inteligentes, bem como as ótimas e consistentes participações de Bill Murray, Dan Aykroyd e Ernie Hudson. O longa consegue trabalhar as 4 protagonistas de forma igualitária, cada uma com seus momentos e suas particularidades que as tornam especiais e tão diferentes umas das outras.

No fim do dia, Caça-Fantasmas acaba sendo uma grata surpresa, um dos filmes mais divertidos do ano até aqui, e que não apenas faz jus ao original, mas – por que não? – consegue ser ainda melhor. É aquele típico filme que te faz sair do cinema com um sorriso no rosto e que te mantém pensando nele ainda por horas e horas. Ouso dizer, que se tornará um clássico desta geração.



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