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Má intenção não é exatamente uma característica louvável na arte, mas, no caso de filmes de terror sustentados pelo horror corporal, chocar e tornar as consequências reais — sem qualquer apego à moral — é condizente com a lógica. Maldição Da Múmia (2026) começa parecendo um filme diabólico e mal-intencionado, mas a “má intenção” acaba sendo apenas uma miragem da boa intenção excessiva de criar algo descolado.

Lee Cronin trabalha imagem, profundidade, foco e movimentos de câmera de forma dinâmica e se esforça para fazer da geografia da imagem algo interessante. Contudo, acaba abusando de alguns recursos — como o split diopter (foco duplo) —, talvez pelo desejo desesperado de afirmar que este não é um projeto industrializado da Múmia. O problema é que, na verdade, ele é, e isso por si só não é um defeito, mas a negação do criador à própria natureza do projeto é incômoda.

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Reprodução/Warner Bros. Pictures

Basicamente, temos uma história sobre um demônio milenar que é aprisionado no corpo de alguém e trancado em um sarcófago para evitar que espalhe o caos e destrua famílias. Poderia ser um Evil Dead situado no Egito, como também qualquer outro tipo de filme de possessão demoníaca. Não é uma ideia inédita por si só, muito menos aplica à figura da múmia.

Os momentos mais divertidos de A Maldição da Múmia ocorrem quando o filme abdica da pretensão de ser algo único para abraçar o humor cruel de Cronin. Com uma boa dose de nojeira e o uso do body horror envolvendo crianças, o longa é eficiente em criar senso de urgência para debater luto e negação. Há muito valor nessa entrega ao grotesco, pois esse tom é, de fato, muito mais condizente com a natureza da obra.

No que diz respeito ao luto e à negação, se o grotesco auxilia a narrativa, Jack Reynor faz o caminho oposto. Seus olhos arregalados o tempo todo não são nada convincentes. O astro destoa das colegas de elenco e mantém a mesma expressão do início ao fim, o que drena consideravelmente a energia e o impacto emocional do longa.

Reprodução/Warner Bros. Pictures

O maior problema, entretanto, é como a história se encerra. O final teria sido uma mudança promovida devido a recepção negativa nas exibições-teste? Um dia descobriremos, mas o fato é que trai tudo o que a narrativa construiu até ali. É uma decisão estranha, que esvazia o peso dos sacrifícios e deixa a sensação de que tudo o que foi vivido nas mais de duas horas de projeção não passou de uma farsa.

Há muito esforço em A Maldição da Múmia, e isso precisa ser reconhecido. No entanto, as incertezas da produção parecem ter feito o filme se perder pelo caminho, terminando em um lugar indefinido. Como se sentir em relação a isso? Bem, não há uma resposta exata, mas essa montanha-russa de emoções ainda entrega valor aos fãs de horror — especialmente para aqueles que apreciaram a assinatura que Cronin imprimiu em A Morte do Demônio: A Ascensão (2023).

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Nota 5