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Os dragões se foram, mas as cinzas de seu fogo ainda sufocam Westeros. Em um mundo onde a miséria e a dor imperam, homens pequenos usam o poder como armadura e o heroísmo parece ter sido extinto. Mas haveria espaço para a pureza? E se um príncipe decidisse que seu futuro seria mais glorioso se caminhasse entre o povo, aprendendo a verdadeira nobreza com quem só tem o espírito para oferecer? O Cavaleiro dos Sete Reinos talvez seja hippie demais para Game of Thrones, mas traz a leveza que esse universo esquecido pelos deuses tanto precisava.
Enquanto A Casa do Dragão mergulha em uma estética escura e artificial — muito por culpa da saturação dos dragões em CGI —, o novo capítulo deste universo é puro sol. Dunk é uma presença quase alienígena ali: um Superman em um mundo de cínicos. Ver esse herói resistir intacto às provocações do ambiente gera uma atmosfera contemplativa única, estabelecendo um ritmo que permite ao espectador apreciar a jornada sem a urgência caótica das outras séries.

O triunfo aqui não está atrelado ao choque, mas na jornada — é quase como em O Senhor dos Anéis. A nova série nos convida a habitar o cotidiano de seus protagonistas, observando o mundo pela ótica inocente deles. A brutalidade de Westeros é apenas o pano de fundo que eleva a tensão: o risco é real, mas o que nos move é o afeto. É uma obra que troca o épico pelo intimista, onde o maior campo de batalha é o caráter de um homem bom.
Essa aposta na proximidade transborda até para a ação. Sem orçamento para centenas de figurantes ou o artifício das explosões em CGI, O Cavaleiro dos Sete Reinos precisa apostar no movimento da câmera, no ponto de vista e naquilo que fica oculto. O resultado é estarrecedor. Nenhuma sequência de ação da franquia é tão tensa quanto o Julgamento de Sete; a crueza da filmagem, emulando o temor dos participantes, cria uma apreensão que o espetáculo digital jamais conseguiu alcançar.

No fim das contas, assim como prega a sua própria trama, O Cavaleiro dos Sete Reinos faz muito com pouco e encontra a felicidade no simples. A nova aposta da HBO é um exemplo de que não são necessários rios de dinheiro ou dragões colossais para entregar uma fantasia de alto nível. O que determina o grau de qualidade de uma história é o seu espírito.
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