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Isolamento, bolhas, sussurros. Quem não fecha a boca não abre os ouvidos. Todo mundo tem voz no século digital. Todo mundo tem opinião formada sobre tudo, sem precisar nem ouvir. Mas ouvir é importante. Esforçar-se para entender é importante. Empatia: um dom ou uma prática rara nos dias de hoje? Bem, não há amor sem empatia. Dizer que ama no bem-bom é fácil. Quando o amor é questionado pela latência das feridas, no entanto, começa O Drama.
No mais novo filme de Kristoffer Borgli, Robert Pattinson interpreta um britânico esquisitão e Zendaya é uma mulher introspectiva. Eles se conhecem do jeito mais estranho possível, se apaixonam para valer e decidem se casar. É amor demais. Em uma noite, por acaso, testemunham a DJ do casório usando heroína no meio da rua. E aí? Quebram o contrato dela, mesmo sendo uma boa profissional, ou fingem que não viram, já que ali estava uma mulher que certamente vive seu inferno particular, no seu pior momento? Esse questionamento traz luz a uma sequência de segredos que se amontoam como uma bola de neve, a ponto de fazer o que parecia sólido como uma rocha balançar feito uma ponte de estruturada em cordas e madeira.

Esqueça o barulho. O Drama (2026) faz jus ao título através do silêncio e do que a ansiedade faz com ele. A trama é quase toda sobre homens e mulheres criando monstros a partir do estímulo social atual de tomar uma posição rápida sobre tudo. O grande truque de Borgli para tornar isso interessante é dar uma injeção de dopamina no seu estilo seco de comédia. É prático dizer que ele faz um filme inteiro sobre estímulos.
O diretor realmente vai fundo nessa abordagem. O grande drama que ameaça o casamento tem a ver com uma herança maldita dos estímulos do sonho americano — e não é como se a América do Norte fosse a única culpada. Trata-se também do instinto egoísta, humano e social, do indivíduo que se coloca no centro do universo e acredita que pode calibrar a régua moral do mundo pela sua própria. Essa situação complexa parte de uma inspiração fatalista sobre o poder destrutivo da fofoca; é através de estímulos visuais, com planos-detalhe entrelaçados a cortes inquietos, que Borgli transforma quem está assistindo em mais um julgador do caso.
Claro, a confusão entre o que é real ou pesadelo é manipulada, mas o suficiente para não tirar o peso do final, que vai crescendo a cada minuto à medida que se comprova que o drama definitivo é um fato. Como aqueles personagens vão sair dessa situação? Como você saltaria desse rabo de cometa? Tem jeito? Mentir é um caminho? Ignorar é um caminho? Abstrair os sentimentos é a solução? De repente falta ar e você simplesmente aceita que não tem como aquilo dar certo. Ou tem? O que é dar certo?
Kristoffer Borgli toca em assuntos muito sensíveis e — tal qual Perseguidor Implacável (1971) foi mal interpretado em sua época — O Drama vai ser discutido com o joelho por pessoas e entidades que afastam a si mesmas das próprias responsabilidades. Filme nenhum é obrigado a educar ninguém, mas os bons são capazes de levantar discussões; e este levanta um importante questionamento sobre como a sociedade subestima o poder dos estímulos.
Como uma jornada profundamente sensorial e engraçada, catapultada pela química de monstros da atuação como Robert Pattinson e Zendaya, O Drama é a melhor e mais madura comédia romântica dos últimos anos. É um retrato sem maquiagem sobre como não existe “felizes para sempre” no amor. O amor é o que sobrevive após a queda do ídolo e amar é estar disposto a recomeçar todos os dias sobre os escombros da imperfeição humana. Mas será que ainda há espaço para o amor em sua essência no mundo urgente de hoje?
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