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A sensação que temos ao assistir Deadpool 2 é interessante. É como uma volta para casa, o que automaticamente demonstra que a sequência acertou em seu objetivo primário: ser uma sequência. E isso se torna mais interessante ainda quando lembramos que o diretor do primeiro filme, Tim Miller, foi substituído aqui por David Leitch, praticamente confirmando que a alma da franquia é realmente Ryan Reynolds. E os roteiristas Paul Wernick e Rhett Reese, claro.

Como uma boa sequência, Deadpool 2 pega todos os elementos que tornaram o primeiro filme um sucesso, e os expande, acrescentando coisas novas no processo – mas sem nunca perder o espírito irreverente e irresponsável que o tornou um sucesso. Se pararmos para pensar, o primeiro filme é absurdamente redondo, mas ele funciona porque nossas atenções estão completamente voltadas ao quão interessante é conhecer esse protagonista. A história em si, é bem qualquer coisa, convenhamos. Em um segundo filme, com o protagonista, seu universo e os personagens ao seu redor já estipulados, o risco de cair na mesmice era real. Então, o caminho óbvio é o mais Deadpool possível: pirar total. E funciona.

Drama, viagens temporais, X-Men, prisão para mutantes, o filme parece a todo momento fazer diversas apostas, e ainda assim manter o espectador conectado não apenas ao que está acontecendo, mas ao coração de seus personagens. Sim, porque por mais surreal que Wade Wilson seja, ele tem um coração, e aqui vemos mais disso.

Na trama, Cable (Josh Brolin) um viajante temporal, volta ao passado para assassinar o jovem mutante Russel Collins (Julian Dennison), que no futuro será o responsável pela morte de inúmeras pessoas, incluindo a  de sua família. Devido a algumas circunstâncias que seriam spoiler dizer aqui, Deadpool decide reunir sua própria equipe, a X-Force, para proteger o garoto.  Aliás, falar na X-Force é perigoso, porque também seria um terreno de grandes spoilers, mas quero apenas deixar claro aqui que fazem parte da melhor sequência do filme.

As cenas de ação, como já eram de se esperar, estão absurdamente bem coreografadas, o que é a marca registrada de David Leitch, que também dirigiu John Wick e Atômica. Ainda que sua identidade  e personalidade não apareçam em nenhum momento (o filme é completamente de Ryan Reynolds, sério), o diretor  conseguiu imprimir sua marca com sequências de ação de encher os olhos.

A censura para maiores de 18 anos parece ser melhor utilizada aqui. Sempre tive a sensação no primeiro filme de que as sequências que justificavam o selo R-Rated eram um tanto quanto gratuitas, tentando forçar um vínculo para seu uso. Aqui, no entanto, ainda que o filme tenha o dobro de gore e violência explícita do primeiro, essas cenas parecem mais naturais e até mesmo necessárias, principalmente as que mostram graficamente o absurdo nível do fator de cura de Deadpool.

Um elemento muito famoso dos quadrinhos do personagem, que é a quebra da quarta parede (quando um personagem tem pleno conhecimento que faz parte de uma obra de ficção e se comunica com o público), continua presente aqui, sendo inclusive usado como força motriz para a narrativa. É complicado você criticar as falhas de um roteiro, quando o protagonista olha para você e reclama do roteiro ser fraco.

Assim como os cartazes e o material de divulgação já evidenciavam desde o início, além de Deadpool os destaques vão para Cable e Dominó (Zazie Beetz), que devem estrelar o filme da X-Force, já em desenvolvimento pela Fox.

Deadpool 2, assim como o primeiro filme, continua sendo um enorme frescor dentro do gênero de super-heróis, mostrando que essa mescla de super-poderes e roupas coloridas  também combina muito bem com irreverência e humor escrachado. Ainda que desta vez o filme tente patinar pelo terreno do drama, nos mostrando uma interessante faceta do Mercenário Tagarela (que também já vimos algumas vezes nos quadrinhos), ainda é nítido que o seu maior trunfo é o fato de nunca se levar a sério.

E é sempre muito bom ver o Rob Liefeld sendo tratado como uma piada.



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