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A 3ª e mais madura temporada de Harley Quinn surge para provar que mesmo as ideias ruins ficam geniais quando bem desenvolvidas.

Aliás, desenvolvimento é talvez a principal palavra-chave quando se fala da série animada da Arlequina, que tem paciência para provocar mudanças, mesmo sendo uma sátira anunciada ao universo do Homem-Morcego.

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Reprodução/HBO Max

Por ser uma sátira, ela não tinha obrigação nenhuma de explicar o motivo do Coringa ser eleito prefeito de Gotham City, ou até mesmo da Harley ser uma amiga muito próxima da Batgirl, a ponto da vilã – se é que dá para chamar ela assim agora – se aproximar bastante do Batman.

Mas ela acaba explicando tudo muito bem ao longo de suas temporadas de forma paciente, fazendo com que algo que outrora se interpretaria como mal idealizado, aconteça diante de seus olhos sem que você perceba.

Mesmo assim, a temporada não é narrativamente perfeita, pois ela toma algumas decisões, no que se refere à sua própria continuidade, que a fazem escorregar um pouco em ritmo.

Nitidamente focado na transição da Arlequina de vilã para heroína, o novo ano acaba deixando de escanteio alguns dos personagens secundários mais importantes da série.

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A sensação que ficou foi de que a equipe criativa não soube muito o que fazer com os personagens regulares, ao ter mais liberdade de desenvolver os membros da Bat-Família.

Alguns, como o Tubarão-Rei, até foram tirados de cena de uma maneira criativa. O arco do seu reino foi um dos pontos altos da temporada.

Mesmo com um arco sem grandes surpresas, a Hera Venenosa também foi muito bem trabalhada, quando ao contrário de Harley, ela está se aproximando mais do conceito de supervilã.

Reprodução/HBO Max

Já o Cara-de-Barro, até teve uma saída inteligente no começo, mas sua trama ficou um pouco tediosa do meio para o fim.

A verdade é que mesmo com esses pequenos percalços, a temporada conseguiu equilibrar bem seu tom e sua narrativa, por mais que o episódio “Joker: The Killing Vote”, tenha chegado perto de ser desequilibrado, por ter se estendido demais em uma ideia que já estava muito bem estabelecida, que era a da transformação do Coringa

Mas deve ser reconhecido, o fato de alguns personagens serem escanteados encontra justiça na forma como Harley Quinn entrou de vez na mitologia do Batman.

Coringa em Harley Quinn
Reprodução/HBO Max

Desde a reprodução da faceta mimada de um filho de bilionário em Damian Wayne, até a busca incansável por aprovação do Asa Noturna, a série desenvolve alguns dos conceitos mais famosos da Bat-Família de uma forma única e divertida.

O próprio Batman é muito bem trabalhado, inclusive, o episódio focado em sua psique, “Batman Begins Forever”, é sem dúvidas um dos melhores da série até agora. Ele é responsável por mostrar um lado “ridículo” e “emocionante” do personagem, que pouquíssimas vezes, para não dizer nenhuma, foi explorado de forma tão precisa.

Esse mesmo episódio, também é responsável por mostrar um lado humano da psicóloga Harley, que jamais foi explorado de forma tão sensível em nenhuma outra obra envolvendo a personagem.

Reprodução/HBO Max

Um fato é que, Harley Quinn emana a energia da série do Batman dos anos 60, e devolver isso para o Século XXI, onde pode-se contar uma história sob uma perspectiva violenta e mais adulta, é um dos grandes méritos da 3ª temporada.

Por fim, a Arlequina segue quebrando tudo em sua excelente série, que conversa muito bem com a geração atual das redes sociais. Aos fãs que não gostam deste conceito, as animações antigas seguem existindo. Já às pessoas que admiram um trabalho muito bem escrito, não percam tempo e “maratonem” logo a série na HBO Max.

Nota 9
Ramon Vitor, Editor-Chefe do site, engenheiro civil convertido em jornalista, é um apaixonado por cinema, quadrinhos e pelo poder transformador da comunicação. Com um olhar analítico aprimorado por anos de estudo da indústria cinematográfica, ele mergulha em seus artigos para O Vício desde 2021, transformando sua paixão em conteúdo cativante. Descubra uma perspectiva única sobre o universo do cinema e da TV.


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