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Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa é um filme sem precedentes. E de muitas formas diferentes, começando por todo o barulho que ele foi fazendo desde muito antes de seu primeiro trailer ser divulgado, quando os rumores de um suposto Aranhaverso em live-action começaram a tomar força a ponto de sair de controle.

Em poucos meses ele se  tornou um filme grandioso na cabeça dos fãs, praticamente um evento cinematográfico, e sem ter dado qualquer motivo oficial para essa expectativa. Era perigoso então, que por mais legal que o filme fosse, ela não suprisse as expectativas daquele filme idealizado e perfeito na cabeça do público.

Mas ele conseguiu. Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa não apenas é o melhor filme de Tom Holland como Homem-Aranha, como também cumpre completamente as expectativas criadas, embora ele seja um filme bem simplista tanto em seu plot quanto em sua execução.

Divulgação Sony/Disney

Existia um medo também nesse filme, que era o “efeito Thor Ragnarok”, que consiste em basicamente resolver o cliffhanger do filme anterior em 20 minutos, para então partir para a história que o diretor decidiu contar. Felizmente, isso não acontece em Sem Volta Para Casa. O problema da identidade secreta de Peter ainda é o grande foco, e o filme nunca esquece disso e nem de trabalhar as consequências dessa revelação não só para Peter, mas para todos ao seu redor. É não só o fio condutor da trama, mas o filme faz muito bem em não deixar o espectador esquecer que esse ainda é um grande problema – mesmo que exista um outro, multiversal, que precisa ser resolvido com certa urgência.

E aliás, senso de urgência é algo comum nesse filme, desde o começo dele, que é uma sequência direta da cena da identidade revelada lá em “Longe de Casa”. Enquanto o mundo de Peter vai caindo aos pedaços, sentimos o desespero do garoto e sua frustração em não poder resolver as coisas. E essa urgência só tende a aumentar, quando Parker decide pedir ajuda ao Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch) para fazer todos esquecerem que ele é o Homem-Aranha, e esse feitiço acaba trazendo os vilões de outros filmes do cabeça-de-teia.

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Como grande fã do Homem-Aranha, sempre tive minhas ressalvas com a versão de Tom Holland do herói aracnídeo. E não me refiro apenas à dependência a Tony Stark, mas à falta de responsabilidade do personagem, algo intrínseco ao herói não só nos quadrinhos, mas em qualquer mídia para onde ele já foi adaptado. A sensação de “tudo é uma festa” do Peter Parker do Universo Cinematográfico Marvel sempre me incomodou, mas esse filme não apenas resolve isso, dando peso às decisões de Peter e consequências reais às suas ações, como finalmente ensina algo primordial para o Homem-Aranha. Foi a primeira vez em que me senti vendo de fato o Homem-Aranha na figura de Tom Holland.

E por falar em Tom Holland, a verdade é que ele nunca foi o problema. O direcionamento da Marvel e da Sony, bem como a direção de Jon Watts, é o que sempre limitou o potencial do ator na entrega do personagem. Aqui, Holland, que na verdade sempre considerei como um bom ator, entregou uma excelente performance em tudo que o filme exigiu para o personagem, especialmente nas cenas dramáticas. O Homem-Aranha passa por diversos sentimentos e conflitos internos no longa, muitos dos quais já vimos nos quadrinhos, do luto ao ódio vingativo, do senso de responsabilidade ao sacrifício pessoal. É o Homem-Aranha em toda a sua essência, e foi muito importante que ele fosse dessa forma justamente nesse filme.

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E agora chegamos ao ponto onde se torna cada vez mais difícil falar desse filme sem entrar em zona de spoilers. Mas digamos que Homem-Aranha: Sem Volta Para a Casa é uma grande carta de amor aos fãs do herói. E não apenas pela nostalgia ou pela celebração cinematográfica ao herói, mas por jogar na tela, a todo momento, tudo aquilo que fez (a ainda faz) o Homem-Aranha ser um personagem tão amado. Como fã de quadrinhos e consumidor ferrenho dessa mídia há anos, eu costumo ter uma lógica simples para um filme de super-heróis me agradar: ele precisa fazer com que eu me sinta vendo uma história em quadrinhos passando ali na tela. E esse filme entra no seleto grupo que consegue fazer isso.

Mas é claro que nem tudo são flores. Embora o saldo seja extremamente positivo, Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa não escapa ileso de alguns problemas. Mas são em sua maioria artifícios narrativos simplistas para fazer a trama andar, que nos fazem questionar sua validade, mas que não chegam a comprometer. O senso de urgência constante, principalmente, não nos deixa pensar muito sobre isso, afinal o próximo problema já precisa imediatamente ser resolvido.

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Mas o grande problema está no aspecto visual. No início de dezembro, a jornalista Grace Randolph revelou que o filme ainda estava processo de efeitos visuais, algo incomum, já que isso costuma ser finalizado faltando pelo menos dois meses para a estreia. Bem, essa finalização “às pressas” se mostrou real em tela. Muitas das cenas inclusive ocorrem em locais escuros, de forma a mascarar os efeitos não finalizados ou concluídos sem polimento. Quem mais sofre com isso são os personagens que exigem 100% de CGI, como o Lagarto e o Homem-Areia. Mas para se ter uma ideia, até o traje do Homem-Aranha de Tom Holland mostra uma certa instabilidade visual em diversas cenas.

Curiosamente, Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa serve quase como um soft reboot para o herói no Universo Cinematográfico Marvel, que agora que o suporte de um outro personagem se faz desnecessário, parece caminhar finalmente para o Homem-Aranha que todos conhecemos. Digamos que, para quem tinha suas ressalvas com o Aranha de Tom Holland, bem… acho que vocês vão gostar  da construção do personagem nesse filme. E além disso, ficar extremamente empolgados com  o que vem por aí.

Nota 9


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