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Crítica: Homem-Formiga


SBF_Payoff_1-Sht_v8_Lg-1309x1940er detentora de um universo cinematográfico coeso e consolidado e de um dos logotipos mais conhecidos no mundo atualmente, é uma coisa que permitiu à Marvel algo bastante arriscado em Hollywood: Ousar.

Foi assim em 2014 com os até então desconhecidos do grande público, Guardiões da Galáxia – um grupo underground até mesmo nos quadrinhos – que todo mundo achou que poderia ser o primeiro grande fracasso do estúdio, mas que acabou sendo um sucesso de público e crítica, alçando a níveis estratosféricos (literalmente) a carreira do ex-gordinho Chris Pratt e fazendo com que um Guaxinim de trabuco e uma árvore falante se tornassem os personagens mais queridos do ano no cinema. Era o primeiro teste. E a prova de que ter aquele logotipo onde páginas de quadrinhos formam a palavra “Marvel” aliado à frase “do mesmo estúdio de Vingadores” em um pôster, eram garantia suficiente de levar famílias inteiras a lotarem as salas de cinema.

Agora, um ano depois, e logo após o segundo filme dos Heróis mais Poderosos da Terra, a Marvel Studios decide ousar novamente, trazendo um personagem que apesar de ter um longo histórico de publicação nos quadrinhos, jamais foi um exemplo de sucesso ou de renome. Ele, que é pequeno até no nome (juro que os trocadilhos acabam por aqui): O Homem-Formiga. Criado por Stan Lee em 1962, o diminuto super-herói é membro fundador dos Vingadores e já teve três encarnações nos quadrinhos: Hank Pym, Scott Lang e Eric O’Grady. No filme, estrelado por Paul Rudd, temos Scott Lang, segunda encarnação do Homem-Formiga nos quadrinhos, no papel principal. A decisão inicialmente gerou um pequeno frenesi entre os fãs mais puritanos, afinal para eles era inadmissível que o primeiro Homem-Formiga não fosse Hank Pym, e sim o seu substituto. Reclamação até entendível, ok. Isso se Hank Pym não estivesse no filme, sendo muito bem interpretado pelo sempre incrível Michael Douglas.

Claro que esse não foi o único problema que os fãs tinham com esse filme. A sensação de “pé-atrás” já vinha de longa data, afinal o filme vem sendo produzido desde meados de 2006, com o diretor Edgar Wright sendo anunciado em 2008 e desde então demonstrando empolgação em cada declaração que dava sobre o filme. Porém, após anos envolvido na produção e no roteiro do longa, Wright pulou fora do barco no início de 2014, alegando diferenças criativas com o estúdio. Peyton Reed assumiu a direção, e a desconfiança do público começou a aumentar.

E então, finalmente o dia da estreia do filme chegou. E afinal, o que podemos tirar da experiência de assistir Homem-Formiga?

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O fato é que – novamente – a Marvel acertou. Obviamente o filme não é algo incrível ou empolgante como o primeiro Vingadores, ou tão surpreendente quanto Guardiões da Galáxia. No entanto, entregando uma história simples, divertida e seguindo a boa e velha fórmula Marvel, Homem-Formiga não decepciona e consegue prender a atenção do espectador em suas pouco mais de duas horas de duração, com o simpático Scott Lang de Paul Rudd. Alguém por quem você inexplicavelmente sente a necessidade de torcer a favor.

Já na primeira cena somos apresentados àquela que será a trama principal do filme, com um jovem Hank Pym discutindo com Howard Stark e Peggy Carter o perigo das aplicações das partículas Pym. Uma pequena introdução apenas para entendermos o contexto do filme, e logo após a já famosa introdução do estúdio, conhecemos Scott Lang. Acabando de sair da prisão, Scott busca se regenerar enquanto sente na pele as dificuldades de conseguir um emprego e poder ver sua filha regularmente. Nesse momento, a narrativa se divide em duas. Além de acompanharmos a difícil vida de Scott fora da penitenciária, vemos como Hank Pym lida com um antigo pupilo, o inescrupuloso Darren Cross (Corey Stoll), agora empresário de renome que está prestes a copiar as partículas Pym e utilizá-las para fins armamentistas e bélicos ao criar o traje de nome Jaqueta Amarela. Auxiliado por sua filha, Hope Van Dyne (Evangeline Lilly), Pym organiza um plano para impedir que Cross chegue a concluir suas pesquisas e vender o traje. Um plano que acaba envolvendo Scott Lang.

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A relação mentor/pupilo entre Hank Pym e Scott Lang é um dos pontos positivos do filme. Mais interessante ainda porque o filme traz o primeiro retcon do universo cinematográfico Marvel, revelando que Pym agia como Homem-Formiga em sua juventude, acompanhado de sua esposa Janet Van Dyne, a Vespa. Porém, não era nada público como os Vingadores por exemplo, e sim missões secretas feitas para o governo, que acabaram criando uma espécie de lenda urbana com o nome do Homem-Formiga durante a guerra fria. Assim, Scott é treinado a utilizar o traje e a utilizar o dispositivo que lhe permite dar ordens em formigas, tudo para realizar um dos maiores roubos da história ao invadir as instalações da Pym Technologies e retirar o traje do Jaqueta Amarela sem ser visto.

E por falar em Jaqueta Amarela, o ator Corey Stoll (mais conhecido como o Peter Russo de House of Cards) está muito bem no papel de vilão principal do filme. Seu Darren Cross é um cara amargurado com seu antigo mentor, passando a todo momento a sensação de que não quer apenas superá-lo, mas no fundo conseguir aprovação daquele que um dia lhe ensinou tudo e teve o seu respeito. É interessante como o filme trabalha essa relação de legado, caminhando na narrativa até chegar ao fatídico momento em que os dois aprendizes de Hank Pym irão se confrontar. Nisso o filme é muito bem realizado, pois foge dos clichês de “super-vilão contra super-herói”. Darren Cross não é um super-vilão que se intitula Jaqueta Amarela e fica se fantasiando para sair por aí fazendo maldade. Ele é apenas um empresário megalomaníaco que criou um traje com esse nome e que acaba o vestindo em razão das circunstâncias para se livrar de Lang. Tanto é que o personagem traja o uniforme em apenas uma sequência do filme, que é justamente a final.

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De uma maneira geral, Homem-Formiga é um bom filme de herói, um bom filme para a família, e um bom filme de origem. O personagem é apresentado, sua história é contada, e tem profundidade e carisma suficientes para conquistar o público. Não fossem referências diretas ao resto do universo Marvel, seria apenas uma boa aventura despretensiosa. E aliás, que referências! Como se não bastassem as citações aos Vingadores, ao Homem de Ferro e às indústrias Stark, o filme apresenta ainda uma sequência incrível com Lang invadindo sem querer o QG dos Novos Vingadores (apresentado no final de Vingadores: Era de Ultron) e travando uma batalha sensacional (talvez a melhor do filme, melhor até mesmo do que a luta final) com o Falcão (Anthony Mackie).

Com Homem-Formiga, a Marvel provou não apenas que pode fazer filmes de qualquer super-herói. Mas provou também que nem todo filme precisa ter o nível épico de um Vingadores ou de um Soldado Invernal. Alguns filmes podem se dar ao luxo de serem apenas divertidos e introdutórios (afinal Scott Lang estará em Capitão América: Guerra Civil). Resumindo, alguns filmes podem ser apenas… pequenos.

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