Comentários

independence_day_resurgenceQue Independence Day é hoje considerado um clássico, ninguém discute. Muito menos que o filme revolucionou em 1996, com efeitos especiais e um nível de ameaça global e destruição até então inéditos no cinema. Mas convenhamos, também é inegável que o argumento do filme é algo que beira o infantil, com resoluções pífias que fazem com que hoje ele seja considerado datado. O fator nostálgico é a maior força do filme hoje.

E foi com base nesse fator que o diretor Roland Emmerich decidiu retornar 20 anos depois com uma sequência para o longa, chamado de Independence Day: O Ressurgimento, e trazendo praticamente todo o elenco original. Praticamente, já que Will Smith, por exemplo, não retornou para o papel do Capitão Steve Hiller. Mas afinal, a sequência era necessária? Eles tinham algo de novo e relevante a contar? Ou era apenas a tentativa de capitalizar em cima de um filme famoso, aproveitando a era dos reboots, remakes e revitalizações de franquias? Infelizmente, a resposta encontra-se nessa última.

Independence Day: O Ressurgimento não convence em momento algum. Seus problemas vão do excesso de personagens inúteis, passando pelo plot repetitivo, a sensação de que tudo acontece rápido demais, uma construção – tanto de relacionamentos quanto da trama – precária, e a boa e velha resolução simplória e infantil para derrotar uma invasão alienígena dez vezes maior que a do filme anterior, e que novamente contém uma brecha surreal capaz de fazer os humanos brilhantemente os derrotarem usando a inteligência. Na trama, vemos que durante os 20 anos desde o primeiro ataque, o planeta aprendeu a utilizar a tecnologia alienígena, melhorando veículos, armas, satélites, e preparando um sistema de defesa ao redor da Terra para evitar possíveis novas ameaças. O problema é que os alienígenas também se prepararam, e quando eles chegam, cada defesa da Terra é destruída em poucos minutos, com o planeta sendo praticamente arrasado no processo.

Aqui nós temos um dos grandes problemas do filme, que é a velocidade com que as coisas acontecem. No filme original temos umas construção dos acontecimentos, e vemos a invasão alienígena ocorrer por alguns dias antes do fatídico 4 de julho, o dia da independência dos Estados Unidos a qual o título se refere. Em O Ressurgimento, isso não ocorre. A invasão, a defesa, o contra-ataque, tudo acontece no mesmo dia, ao mesmo tempo, deixando no espectador a sensação de que tudo aconteceu e foi resolvido em questão de horas. Aliás, deixando a sensação não. Foi isso mesmo!

independence-day-ressurgimento

O grande problema do filme é que 20 anos depois, a fórmula é a mesma. Se na época Independence Day trouxe novidade, dessa vez ele não traz nada. E na verdade consegue fazer pior, ficando extremamente aquém de outros filmes de invasão alienígena que tivemos durante esses anos. Os personagens fazem as mesmas coisas do primeiro filme, mesmo que alguma situação envolva um personagem diferente, e as referências beiram a repetição, quase como se estivéssemos assistindo a uma versão 2.0 do original. 

Tentando pegar carona na fórmula mais utilizada pelos grandes blockbusters ultimamente, o filme é recheado de piadinhas, mas a única que realmente pode fazer alguém rir é a que envolve David (Jeff Goldblum) e seu pai, vivido pelo veterano Judd Hirsch. Todas as outras são extremamente forçadas, irrelevantes, desconexas, anti-climáticas, e quase sempre envolvendo uma atuação que beira a canastrice. Existem personagens no longa que estão ali apenas para servir de alívio cômico, e até nisso são ruins. 

Independence Day: O Ressurgimento provavelmente é o filme mais esquecível que veremos nesse ano, uma produção completamente sem coração, que entra para o extenso hall – que tem crescido absurdamente nos últimos anos – das continuações inúteis que seriam melhor se não existissem. É uma pena que o filme não sirva nem mesmo para criar uma boa sensação de nostalgia para os amantes do primeiro filme, já que a maioria dos personagens estão descaracterizados. No fim, a única coisa que o filme traz é uma enorme vontade de assistir novamente o original, e ignorar completamente a existência de sua sequência. 



Comentários