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Quer você a busque ou não, a fama tem seu preço, e ele pode ser pesado demais para quem não está preparado para isso. Basicamente, ao ter popularidade, você pode virar alvo de concorrentes e tabloides que, em um ato de sobrevivência, não hesitam em assassinar reputações para conseguirem fazer suas próprias vidas. Este é um bastidor brutal da indústria do entretenimento, com o qual Jackpot: Loteria Mortal (2024) se propõe a brincar.
Inspirado na cinematografia de Jackie Chan, Paul Feig faz do filme sua grande aposta em John Cena como líder do melhor elenco possível para uma comédia de ação, sem deixar de respeitar o forte subtexto original do argumento de Rob Yescombe.

No filme, lidamos com uma Grande Loteria estabelecida em Los Angeles em 2030, que faz da pessoa premiada um alvo de todas as outras, a obrigando a sobreviver até o anoitecer para ficar com o prêmio. Nesse contexto, há pessoas amadoras e profissionais que tentam se aproveitar dessa realidade como ‘agentes’, e buscam uma boa parte do prêmio, em troca de proteger o premiado até o fim do dia.
Quando o tom de comédia característico de Paul Feig abraça esse argumento, é como se víssemos Uma Noite de Crime (2012) e Mr. Nice Guy: Bom de Briga (1997) saindo para um encontro de casais com O Sobrevivente (1987) e As Bem-Armadas (2013).
Esse encontro maluco, embora seja muito divertido, não deixa de ser dividido entre altos e baixos. Veja: este é um filme com forte assinatura de Paul Feig. Portanto, é importante saber de antemão que você vai encontrar nele algo parecido com o ótimo Missão Madrinha de Casamento (2011).
O fator positivo dessa assinatura é que há um grande favorecimento ao trabalho de John Cena, que está incrivelmente confortável e simpático em seu papel. Awkwafina e Simu Liu também se saem bem, muito pelo diretor se voltar completamente para a valorização do elenco, mais até do que para o texto.
Quanto ao que joga contra, há a cinematografia pouco inspirada, que não valoriza tão bem as sequências de perseguição do script, e fica brega quando insiste em exageros como o recurso da câmera lenta que Feig adora colocar em seus filmes.
O drama também não é um ponto positivo, principalmente nas histórias de fundo de Katie Kim (Awkwafina) e Noel Cassidy (John Cena). Após mais de uma hora de ação frenética, o filme perde força ao tentar, de forma forçada e desnecessária, gerar empatia pelo passado desses personagens.
Honestamente, não vejo tanta necessidade de destacar no texto que Katie e Noel são boas pessoas com um passado sofrido para fazer o público torcer por eles, pois esse efeito já é atingido muito antes, seja pelo carisma de Cena, ou pelo fato de a personagem de Awkwafina estar lutando desesperadamente para sobreviver a uma corrida maluca por um prêmio que ela não buscou.
De todo modo, o prato principal, que é a ação cômica inspirada nos filmes de Jackie Chan, está bem saboroso, e é justo exaltar o ótimo trabalho do coordenador de dublês James Young (Vingadores: Ultimato) nessa frente.
Jackpot: Loteria Mortal (2024) é, em síntese, uma metáfora ácida dos bastidores da indústria de entretenimento de Los Angeles, que embora pareça brega em alguns momentos, consegue ser muito divertida quando abraça a sátira do roteiro ao ilusório sonho californiano. É discutível se esse subtexto não teria um peso maior sob uma ótica diferente. No entanto, como já destacado anteriormente, a visão de Paul Feig é determinante para que o elenco seja positivamente o grande destaque do filme.
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