
Tim Burton tem uma relação bem particular com o público. Alguns amam seu estilo de direção. Outros não conseguem gostar. Independente dessas opiniões, é fato que Burton dirigiu grandes sucessos ao longo de sua carreira. Filmes com temáticas diferentes, mas sempre carregando o estilo que é a sua assinatura, e que nunca serão esquecidos. Mas é verdade também que o diretor vem tendo uma década difícil.
Desde Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet (2007), nenhuma das suas produções consegue deixar uma marca na vida do público. Alice no País das Maravilhas, Sombras da Noite e até mesmo Grandes Olhos são filmes facilmente esquecíveis. Com O Lar das Crianças Peculiares, essa situação pode começar a mudar. O livro O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares, do autor Ransom Riggs, tem certamente os elementos perfeitos que se encaixam com a peculiaridade de Burton, sendo assim um projeto perfeito para o diretor.
O filme conta a história de Jacob Portman, um adolescente normal, sem nenhuma característica especial aparente. A única coisa diferente na sua vida é seu avô, Abraham, que sempre contou para seu neto histórias sobre suas aventuras e sobre a época em que viveu em um orfanato cheio de crianças especiais. Cada uma dessas crianças tinha um poder, uma peculiaridade só sua.
Jacob deixa de acreditar nessas histórias quando se torna mais velho, mas tudo muda quando seu avô tem uma morte misteriosa. O jovem então parte com seu pai (interpretado por Chris O’Dowd, em uma das atuações mais mornas do ator) para uma pequena ilha perto do País de Gales, onde fica o orfanato da infância de seu avô. Lá, ele pretende encontrar a Srta. Peregrine, diretora do lugar, e descobrir mais sobre a vida de Abraham.
E é nesse ponto que o filme realmente começa. Até esse momento, o filme é corrido e não dá oportunidade para nenhum dos atores se destacarem. Jacob descobre que o orfanato foi bombardeado em 1943 e que todos que moravam lá foram mortos. Mas ao explorar as ruínas do antigo lar de seu avô, ele descobre que existe lá uma fenda temporal, que vêm repetindo as mesmas 24 horas há 70 anos e que todas as crianças peculiares, sobre quem ele cresceu ouvindo as histórias, ainda estão vivas e exatamente iguais.
A responsável por esta fenda é a diretora Alma Peregrine, interpretada pela sempre fantástica Eva Green. Peregrine, com seus cabelos escuros, unhas pontiagudas e incrível pontualidade, faz de tudo para proteger suas crianças. E em 1943, o público pode realmente conhecer esses jovens peculiares, que são as estrelas do filme. Crianças que flutuam, são invisíveis, criam fogo com as mãos, são incrivelmente fortes e tem sonhos proféticos. Cada uma delas tem um tempo de introdução ideal.

Por mais encantado que Jacob tenha ficado com o lugar, nem tudo é perfeito nesse mundo. Existem peculiares do mal, que invadem os orfanatos para matar as crianças e usar os poderes das diretoras. Nessa parte, a especialidade de Burton pode ser claramente notada. O filme consegue ser engraçado e leve em várias partes. Mas quando os vilões chegam, o diretor não segura seu lado sombrio, criando cenas como a do banquete dos olhos, que podem assustar alguns dos membros mais jovens da audiência.
Toda a questão de viagem no tempo pode ficar com pouco confusa ao longo do filme, que volta a ser corrido no final. Por mais interessante que seja o desfecho, fica a sensação de que o filme poderia ter uns 20 minutos a mais para que sua conclusão fosse mais satisfatória. Apesar de toda a correria da história, o filme ainda consegue tocar levemente em assuntos mais profundos, como a discriminação, o medo do diferente, o sentimento de não pertencer e de se sentir inadequado, de sacrifícios pessoais em favor do que é certo… Esses temas são tratados mais profundamente nos livros, mas podem ser encontrados em uma análise mais detalhada da história.
O filme é visualmente lindo, com as cores saltando da tela e dando vida aos elementos mais interessantes o filme. O Lar das Crianças Peculiares é certamente um dos melhores filmes de Burton nos últimos anos e vale a pena ser conferido, conseguindo agradar aos públicos de todas as idades.





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