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Em uma história envolvente de guerra e vingança que busca referências em Sun Tzu e no Império Romano, O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder finalmente se aprofunda em seu propósito na 2ª temporada. Trazendo a forja dos anéis como foco central, o novo ano, embora nivele seus melhores momentos um pouco mais por baixo, encontra um equilíbrio maior entre o interessante e o desinteressante, e, no final, coloca seu coração no lugar certo.

Quando estiver lendo esta crítica, provavelmente vai estar com os dois últimos episódios vivos na cabeça. De fato, eles são impressionantes, especialmente o penúltimo. No entanto, quando falo em nivelar o espetáculo um pouco mais por baixo, me refiro ao sentimento de que os momentos marcantes da 2ª temporada não são tão impactantes quanto os da primeira.

Crítica | O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder - 2ª temporada
Reprodução/Prime Video

Particularmente, gosto muito dos episódios que J.A. Bayona dirigiu na 1ª temporada, e tenho grande apreço pelos capítulos “Udûn” e “O Olho“, que foram dirigidos pela Charlotte Brändström. Embora o diretor de A Sociedade da Neve (2023) tenha ficado de fora, a diretora está de volta na temporada atual e assina o melhor episódio — “Que a Morte Escolheu” —, mas, honestamente, não senti o mesmo impacto do trabalho anterior.

No episódio que fecha a temporada, que também é assinado por ela, senti uma espécie de fadiga visual causada por repetições que soam como se a diretora estivesse fazendo uma versão caricata do próprio trabalho. O uso do recurso do ângulo holandês, outrora celebrado em “Udûn“, é exagerado e representa isso que estou tentando detalhar.

A sequenciação dos eventos também não ficou bem resolvida. Pode ter havido algum problema de montagem, pois as viagens dos personagens não parecem tão coerentes. Por exemplo: Adar e seus orcs levam semanas para se locomover até Eregion, enquanto Arondir chega lá muito rapidamente logo após descobrir o paradeiro deles. As linhas do tempo dos diferentes núcleos narrativos não estão claras.

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Essa questão, entretanto, acaba ficando em segundo plano, pois, como falei no texto de primeiras impressões, essa 2ª temporada é mais sobre guerra do que sobre a jornada.

Não estou dizendo que Os Anéis de Poder apenas baixa o nível do que tinha de melhor para ter uma temporada mais equilibrada, pois há uma clara evolução no quesito narrativo em relação ao primeiro ano. Númenor tem bem menos espaço, mas segue desinteressante. Os núcleos dos Elfos e dos *Anãos que sustentaram o primeiro ano, entretanto, são alargados e ficam mais interessantes.

A série constrói a figura de Sauron como vilão de forma muito competente, mostrando o quanto ele é capaz de usar as fraquezas de outros seres para manipulá-los. No caso de Celebrimbor, o Lorde das Trevas apela para o ego e a ganância.

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Era muito mais fácil errar do que acertar na relação entre Sauron e Celebrimbor. Partindo do conceito dos livros, onde o Elfo é um Mestre Ferreiro extremamente respeitado e inteligente, foi uma missão muito difícil não fazer do personagem de Charles Edwards um completo imbecil, principalmente depois dele saber que Halbrand — que eventualmente vem a se tornar Annatar — não era a pessoa que ele imaginava.

A tragédia de Celebrimbor é dilacerante, mas não só pelo texto, como principalmente pela atuação magnífica de Charles Edwards. Em pequenas nuances, o ator deixa evidente o quanto seu personagem vai perdendo o brilho da vida nos olhos ao longo da temporada, e tem êxito ao tentar transmitir esse sentimento angustiante para o público.

Só não digo que Charles Edwards é o grande nome do novo ano, porque Charlie Vickers não fica um centímetro sequer atrás dele. Se já tinha apresentando alguns trejeitos interessantes como Halbrand na temporada anterior, o intérprete de Sauron atinge seu ápice interpretando três versões do vilão, sendo uma delas completamente satânica.

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Esqueça essa história de tons de cinza, se a equipe criativa realmente queria criar um Sauron que não fosse pura maldade, eles — felizmente — erraram feio.

Veja, em 8 episódios, a manipulação que o vilão faz para forçar Celebrimbor a forjar os anéis dos *Anãos e dos Homens, causa a queda do rei de Khazad-Dûm, a queda de Eregion, e ao estilo César e Brutus, a morte do mestre de guerra e seu nêmeses, Adar.

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No poder do encanto e da conversa, Sauron bagunça completamente o status da Terra-Média, ajuda a criar objetos que representam os males egoístas do mundo e, consequentemente, aumentam seus poderes, e ainda ganha um exército. Enfim, era isso que o público da série queria ver, as coisas finalmente acontecendo. Ninguém tem interesse nos núcleos sustentados por mistérios arrastados e de soluções óbvias.

Por falar em mistérios arrastados e de soluções óbvias… acredito que seja o melhor momento para conversar sobre o Grande Elfo cinza na sala. Precisava?

Não consigo entender ao certo quem a equipe criativa quer agradar incluindo o Gandalf em Os Anéis de Poder. Os fãs de Tolkien, em grande parte, sequer toleram a série, então não é para eles. Quanto ao público cativo, a sub-trama do Estranho e da Nori, por se distanciar tanto da ação principal, levanta dúvidas sobre o seu real impacto.

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Entendo que, deixar no ar que o Estranho poderia ser o Gandalf pudesse funcionar como um salvaguarda para caso a série não conseguisse emplacar interesse em seus personagens principais. Os Anéis de Poder, entretanto, conseguiu construir personagens interessantes o suficiente, e a inclusão do Mago na história me soa como a equipe criativa levantando uma caveira só para poder se assustar com ela mais para frente. Em outras palavras, se meteram em um problema que não precisavam se meter.

Ainda acredito que o saldo da 2ª temporada é positivo. Gosto do fato de que a equipe criativa tenha deixado de se enganar quanto a estar seguindo os livros com grande fidelidade, e tenha se concentrado em construir uma boa história. O principal: estão respeitando a essência do trabalho de Tolkien, que ensina a superar as tentações e sempre seguir o bem, mesmo que esse seja o caminho mais difícil e doloroso. Pode-se dizer que, Os Anéis de Poder finalmente descobriu que tipo de série pretende ser.

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Nota 7