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Saciando os fãs mais antigos de Star Wars, Obi-Wan Kenobi se sai bem ao se sustentar pela nostalgia, porém abusa da suspensão da descrença.

Sabe quando você tem uma lembrança afetiva de algo que comia na infância, e agora quando volta a comer como adulto nem parece ser tão bom quanto você se lembra, mas mesmo assim acha gostoso? Dá pra dizer que é o caso desta série.

Muito da lembrança afetiva que compõe Obi-Wan Kenobi vem da produção não só estar situada em um período do universo que o fã tanto conhece, como também pelo fato dela potencializar ele com as novas tecnologias de filmagens.

Star Wars é algo que já flertou bastante com o tosco, que está ficando cada vez mais imersivo e convincente quanto aos seus cenários.

Mas aqui, não são só os cenários que potencializam o lado nostálgico da série, pois seus personagens principais por si só são atrativos ímpares. Ver a pequena Leia, o pequeno Luke, Obi-Wan e Darth Vader movendo a trama faz qualquer fã lembrar imediatamente do que há de melhor em Star Wars.

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Reprodução/Lucasfilm

E as atuações incríveis de Ewan McGregor e Vivien Lyra Blair como Obi-Wan e Pequena Leia encantam, principalmente pela forma como cada um deles vive o drama imposto aos seus personagens.

A Vivien Lyra Blair porém, teve que se esforçar um pouco mais para brilhar, pois ela é sabotada pelo roteiro apressado da série, que faz da sua personagem uma criança que está sempre agindo como uma adulta, e isso de fato incomoda até certo ponto.

Aliás, se diz que o roteiro do Joby Harold é “apressado” para não dizer que ele é “preguiçoso”, pois ninguém sabe com que nível de pressão ele teve que entrega-lo. O fato é que, nitidamente o roteirista e toda equipe técnica da série não quiseram esquentar a cabeça para arranjar justificativas mais elaboradas, e abusaram de conclusões simplistas que demandam de muita boa vontade do público para as aceitarem.

Com um universo de Star Wars cada vez mais imersivo como está hoje, fica difícil apelar para suspensão da descrença ao institucionalizar que se você tiver alguma relação com a força, e não for o Qui-Gon Jinn, ter um sabre de luz atravessado no estômago é algo tão inofensivo quanto levar um arranhão.

Outro exemplo de algo que tira o público da imersão, é o fato da Fortaleza dos Inquisidores ser um dos locais mais desprotegidos de toda a galáxia, onde você entra e sai, e se aproxima dele usando a nave que quiser, sem que um caça o persiga ou faça comunicação.

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Bem, o roteiro atrapalha a Leia apenas um pouco, pois a personagem segue incrível. Porém, os personagens novos apresentados na série, tirando a Tala Durith, sofreram bastante, com alguns tendo sua função limitada, ou até mesmo anulada.

E aí vemos outro problema de Obi-Wan Kenobi, que é o fato da série não conseguir em nenhum momento ser atrativa para um público novo. Ela apenas se preocupa com quem não só já conhece Star Wars, como é aficionado por qualquer conteúdo de qualquer mídia deste universo.

Porém, não dá pra dizer que isso seja um desastre, e sim uma opção da produção de não se arriscar tanto ao preparar a série para seu grande ápice, que é o reencontro entre Obi-Wan e Vader.

O curioso disso é que ao longo da série, a boa intencionada direção de Deborah Chow oscilou bastante, mas quando chegou neste ápice, ela mostrou o motivo de ter sido escolhida para este projeto.

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Reprodução/Lucasfilm

O episódio final de Obi-Wan Kenobi flerta levemente com o conceito de obra-prima, apesar dos seus problemas com subtramas forçadas, como a da Reva indo atrás do Luke em Tatooine.

Quando o grande momento chega, e você sente a atmosfera mudando antes que qualquer movimento seja feito, é quase como Tarantino colocando You Keep Me Hangin’ On do Vanilla Fudge para tocar no final de um filme. É a Deborah Chow dizendo que foi por aquilo que ela nos fez esperar tanto.

E assim, a diretora nos presenteia com a melhor sequência de luta de sabres de luz de toda a franquia, se não for a melhor cena de ação de tudo já feito de Star Wars em live-action até hoje.

Além disso, é possível notar um cuidado muito maior no roteiro deste episódio, especialmente no núcleo da grande luta.

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Reprodução/Lucasfilm

Este final épico salva a série de ser um produto insosso, e faz de Obi-Wan Kenobi um exercício sobre expectativa. Se você for assistir esperando a melhor coisa já feita de Star Wars, vai se decepcionar, pois passa longe disso. Agora, se for assistir como alguém que quer voltar a sentir um sabor da velha infância, certamente vai terminar esta jornada de uma forma feliz.

Por fim, Obi-Wan Kenobi se sai bem ao emular o passado, e acaba tendo um saldo positivo apesar de seus muitos problemas narrativos. O único adendo que fica é que se a Lucasfilm quiser de fato fazer uma 2ª temporada, vai ter que reinventar a série, pois ela já nasceu com uma fórmula esgotada, que apesar de ter funcionado uma primeira vez, pode não repetir seu sucesso sem ter o fator “novidade” que teve agora.

Nota 7


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