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Mistério em Outer Range é algo que se torna metafórico, pois vai além da trama, com você tendo que descobrir o gênero do que está assistindo.

Existe competência nesta transição de gêneros, que se respeitam muito bem. Ao assistir a série, você dificilmente consegue dizer se ela é mais faroeste ou mais ficção científica.

A série se divide de forma satisfatória entre suas etapas, e te dá tempo para pensar sobre o que você está vendo. Nos primeiros dois capítulos, você será apresentado aos personagens e seus dramas, para passar semanas vivendo este mistério com eles.

E como vivem esses personagens! Uma coisa a se exaltar com gosto é a montagem do elenco, pois não tem ninguém dando “migué“, estão todos entregando e entregando muito. Dificilmente se vê uma série de TV com o nível de atuação que esta tem.

Josh Brolin e Imogen Poots são os grande destaques, até porque seus personagens são os responsáveis por mover a trama.

Brolin é aquele típico fazendeiro durão de faroeste, que não baixa a cabeça para ninguém e nem teme a nada… Na frente dos outros, pois quando está sozinho, você vê todo o ódio que contém no seu olhar se convertendo em medo e dúvida. É de fato uma interpretação que marca a carreira do ator.

Como Autumn, Imogen Poots atua de forma multifacetada também. Em alguns momentos você a vê como uma figura macabra, em outros como alguém doce, frágil, de repente ela é durona, tudo de forma sutil, com micro-expressões. O mistério em volta dela é tão grande, que você se questiona o tempo todo, se ela está ali para ajudar, ou se é a grande vilã da série.

Assim, temos uma trama imersiva, que muitas vezes te faz perder o fôlego junto com os personagens em tela. A trilha sonora incrível, os enquadramentos, a fotografia de encher os olhos, tudo isso te puxa pra dentro da série de uma forma que você nem vai acreditar.

Infelizmente, como em todo bom jardim, aqui também existem espinhos nas rosas. E no caso desta série, os espinhos ficam por conta de algumas subtramas, que são interessantes, mas se alongam demais. Isso pode ter sido uma questão de bater minutagem e quantidade de episódios.

Além disso, a produção costuma fugir do óbvio. Você vai se ver sendo traído por suas intuições de forma constante. Porém, a conclusão perde este efeito, e certamente o encerramento da temporada não agradará a todos.

Talvez o maior pecado de todos que a série comete, é abusar tanto da figura misteriosa de Autumn, que em um certo momento, a personagem de Imogen Poots, que você compra nos primeiros episódios, passa a ficar ligeiramente irritante.

Voltando a falar sobre as subtramas, garanto que não é nada que vá atrapalhar muito a sua experiência, pois todas são relevantes com a história. Neste caso, o único problema é que elas poderiam ter sido mais curtas.

A série será lançada com 2 episódios a cada semana a partir de hoje (15/04). Isso é uma decisão super acertada do Prime Video, pois para imergir o público na trama, temos um ritmo mais cadenciado proposto pelos produtores. Sendo assim, vai-se poder degusta-la aos poucos, até porque assisti-la toda de uma vez é muito cansativo.

Vamos à pergunta que muitos fazem: Existe uma tentativa de emular ‘Dark‘ por parte do Brian Watkins (Produtor da série)? Sim, existe! Ele é bem sucedido? Bem, isso só o público vai poder responder em breve. Porém, não dá para dizer que ele não tenha se esforçado.

Outer Range‘ é uma série imersiva sobre jornada, que neste caso é bem mais interessante que o destino. Ela poderia ser menor, mas digamos que é sempre melhor sobrar do que faltar. Afinal, temos aqui um belo afago trajado de modernização para os admiradores dos bons, velhos e clássicos faroestes dos anos 60.

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“Um fazendeiro, lutando por sua terra e família, se depara com um mistério insondável no limite do agreste de Wyoming, forçando um confronto com o Desconhecido de modo íntimo e cósmico, no indomável Oeste americano”.

Nota 7
Ramon Vitor, Editor-Chefe do site, engenheiro civil convertido em jornalista, é um apaixonado por cinema, quadrinhos e pelo poder transformador da comunicação. Com um olhar analítico aprimorado por anos de estudo da indústria cinematográfica, ele mergulha em seus artigos para O Vício desde 2021, transformando sua paixão em conteúdo cativante. Descubra uma perspectiva única sobre o universo do cinema e da TV.


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