Sem pretensão de ser maior do que conseguira ser, Shazam! Fúria dos Deuses entrega uma história coesa, que funciona na maior parte de sua duração, apesar dos exageros.
Antes, é bom ressaltar que quando se fala de Shazam! (2019), existe toda uma aura desproporcional, tanto por parte dos entusiastas que dizem que o filme de David F. Sandberg é excelente, quanto por parte dos detratores, que afirmam que ele é péssimo.

Colocando a razão no lugar, se percebe que o filme de 2019 é genuinamente bom e ponto, veja, não ótimo, nem muito menos excelente, apenas um bom filme, que sabe desde o começo que tipo de história quer contar.
Esse efeito é repedido em Fúria dos Deuses, que é muito competente ao seguir exigências básicas que um roteiro de filme tecnicamente pede, ao contar uma história que leva o seu protagonista de um ponto A para um ponto B, de forma que aquela aventura não se justifica apenas por seus eventos explosivos, mas também por acrescentar algo ao que foi apresentado em 2019.
Nesse ponto, é necessário elogiar os roteiristas Henry Gayden e Chris Morgan, que souberam muito bem de onde dava para se evoluir. No caso da sequência, isso é uma jornada que cabe ao Billy Batson, que está amadurecendo e enfrentando os dramas de ser uma criança adotada que está chegando a maior idade.
Repare bem, estamos falando sobre Billy, e não necessariamente sobre o Shazam!, que é uma clara limitação criativa para a produção. Não por conta de background dos quadrinhos, mas sim pela, mais uma vez, fraca atuação do Zachary Levi.

Existe uma melhora considerável de todos do elenco, menos dele, que apesar de entregar cenas muito divertidas nos momentos de comédia, segue sendo uma âncora para os momentos de maior tensão e emoção que o filme se propõe a entregar.
Momentos esses que servem como grande complemento da sequência, que apesar do tom mais infantil e das inúmeras piadas, consegue emocionar e gerar tensão quando precisa fazer isso.
Méritos para Sandberg, que constrói um trabalho intimista e com alma, diferente do que cheguei (Ramon Vitor) a dizer na crítica de Adão Negro, sobre o filme de Dwayne Johnson parecer um produto de uma franquia de fast food.
O diretor brinca com seus escolhas mais bizarras ao longo de Shazam! 2, e acaba tornando o filme mais divertido com isso. Essa é uma das principais armas usadas para ofuscar o limite orçamentário da produção, que abusa do uso de CGI para cenários e cenas de ação.

Por mais que a pós-produção tenha sido competente ao trabalhar com os efeitos especiais, em tela, infelizmente, ainda soa artificial. O terceiro ato deixa isso ainda mais aparente, devido a decisão de Sandberg de incluir monstros na batalha final.
Acontece que, mesmo com isso definitivamente sendo um problema, acaba gerando um dos momentos mais divertidos do final, que envolve unicórnios.
Não sei o quanto o baixo orçamento para os padrões de Hollywood influencia nisso, mas os unicórnios, o dragão, a história original das Filhas de Atlas, a cena icônica da caneta Steve, todos são elementos que categorizam Shazam! Fúria dos Deuses como um filme extremamente criativo.
Tudo isso para servir a história, que desde o princípio quer desenvolver o conceito de que os laços que unem uma família, não necessariamente condizem com a personalidade de cada membro, pois todos são diferentes um dos outros e, o que os une é o tamanho do amor que eles compartilham entre si.

Falar tão bem deste filme soa como parabenizar o médio, é verdade. Porém, em uma época onde os blockbusters preferem apostar no espetáculo visual do que em desenvolver o básico, se faz necessário ressaltar o que faz de um filme, um filme.
Um filme, que aliás, ainda tem problemas, como os cenários artificiais, algumas piadas fora de hora, a atuação ruim do Zachary Levi, e principalmente a participação especial da Mulher-Maravilha, que certamente é o que de pior a sequência entrega.
Primeiro que é completamente anticlimática, e o motivo disso não é bom comentar aqui pois é referente ao maior spoiler do filme. Segundo que, a Gal Gadot não parece ter se dedicado muito para fazer essa participação especial, que é notoriamente uma de suas piores atuações na pele de Diana Prince.
Enfim, apesar disso, Shazam! Fúria dos Deuses é um filme genuinamente bom e ponto, não ótimo, nem muito menos excelente. Se vale a pena sair de casa e pagar ingresso para assistir, não sei, pois certamente o conteúdo dele não vai mudar nada na sua vida. Mas se você investir nesse entretenimento, com certeza não vai sair entediado do cinema.
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