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Como a parte do meio de sua trilogia, espera-se que Star Wars: Os Últimos Jedi seja o novo Império Contra-Ataca, isto é, a sequência superior que aumenta as tensões, abraça um clima mais sombrio e leva a franquia em novas direções ousadas. Ao mesmo tempo, espera-se desesperadamente que ele não seja o novo Império Contra-Ataca, isto é, uma versão recauchutada do filme de 1980, reciclando sua trama e conceitos, confirmando as suspeitas dos que reclamam das repetições do (ainda muito competente) Despertar da Força.

Por sorte, só a primeira opção é verdadeira e Rian Johnson entrega um dos melhores filmes da saga, decretando de uma vez que Star Wars continua forte, mesmo dois anos após o hype de termos a franquia de volta aos cinemas.

Continuando imediatamente de onde o Despertar da Força parou, Rey finalmente encontrou um recluso Luke Skywalker e precisa convencê-lo a lhe ensinar os caminhos da Força e a voltar para a Resistência como a lenda que ele se tornou. Simultaneamente, Finn, Poe Dameron e a General Leia continuam na Resistência, com a Primeira Ordem logo em seu encalço, e precisam escapar urgentemente.

A campanha de marketing sútil fez questão de não entregar muita coisa. Esse é um filme com muitas surpresas, novos planetas criativos e momentos extraordinários que fariam a alegria de qualquer montador de trailer, mas, por sorte, a Disney se conteve e podemos experienciar essas cenas em primeira mão no próprio filme. Pelo menos três momentos fizeram meus olhos de fã se encherem de lágrimas e muitos mais me deixaram tenso e empolgado.

O elenco continua excelente, com Daisy Ridley, John Boyega e Oscar Isaac sendo a alma dessa nova trilogia, com os novos personagens de Laura Dern, Kelly Marie Tran e Benicio Del Toro também se encaixando tranquilamente ao lado dos outros e tendo seus devidos momentos de brilhar. No entanto, são os veteranos da franquia que mais se destacam:

A espera pelo retorno de Luke valeu a pena. Mark Hammil, muito mais maduro como ator que nos anos 70 e 80, dá sua melhor performance como o personagem, um Luke mais velho, cínico e melancólico, cheio de arrependimentos e uma grande bagagem emocional que levam seu personagem em uma jornada belíssima e surpreendente.

A última participação de Carrie Fisher antes de sua morte já seria motivo o suficiente para emocionar, mas sua presença no filme ainda por cima é talvez o melhor que Leia já esteve, uma cena em especial vai ser lembrada por muito tempo.

Kylo Ren também se prova mais uma vez muito mais que um vilão interessante, um personagem extremamente complexo, seu amadurecimento é assustador e ele serve como uma sombra excelente para Rey. A exata explicação diegética de como a Nova Ordem surgiu e ganhou tanta força continua vaga e pode ser alvo de críticas, mas muito mais importante é a sua relevância para o contexto político atual (tal qual a trilogia original refletia o panorama dos EUA pós-Vietnã), no qual o crescimento de vilões neofascistas é infelizmente uma narrativa muito tópica em 2017.

Como resposta, um conceito recorrente no filme é a transcendência dos temas recorrentes da franquia além do melodrama familiar dos Skywalker, Rebeldes, Império, Jedi e Sith e levando às suas evoluções naturais, moldando um novo Star Wars mais consciente de diversidade, classe e ambiguidade política. Seu último plano é antológico.

A Força pertence a todos nós e a Rebelião continua viva.



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