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Em uma longa temporada que discute legado através de uma interessante trama sobre pais e filhos, The Boys olha por tempo demais para o próprio reflexo e termina apelando para sua reputação perante o público, em uma promessa de que o melhor ficou guardado para o final.

Quando encerrou a 3ª temporada ativando uma contagem regressiva na cabeça de Billy Bruto (Karl Urban), a série levantou altas expectativas do que esse personagem seria capaz de fazer agora que não tem mais nada a perder.

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Reprodução/Prime Video

O quarto ano, no entanto, gasta suas oito horas fazendo alguns de seus personagens andarem em círculos, o que inclui o próprio Bruto, que é confrontado com dúvidas e no final termina no mesmo lugar que estava no encerramento da temporada passada.

O que não anda em círculos é o arco sobre os heróis nem sempre serem os vilões daquele mundo. Quando olha para si e discute seu impacto como obra audiovisual no seu tempo, a série destaca que o tamanho da monstruosidade dos vilões está em quanto cada um se afasta da sua própria humanidade, e isso não tem nada a ver com nível de poder.

Esse tipo de discussão já tinha sido executado com bastante força em Gen V, e é evidente que The Boys está acendendo essa tocha para passá-la adiante.

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Reprodução/Prime Video

A conversa sobre legado me lembra como terminou a ótima The Authority, série em quadrinhos responsável por impulsionar a tendência de subversão nas historias dos super-heróis no começo deste século.

De forma presunçosa e um pouco arrogante, os leitores viram Jack Hawksmoor dizer à Engenheira que a obra de Warren Ellis, Mark Millar e Bryan Hitch haveria mudado os quadrinhos para sempre, e, a partir dali, as pessoas nunca mais teriam interesse em heróis controversos e ‘engomadinhos’ como Batman e Superman.

Bem, embora essa previsão presunçosa tenha ganhado alguma força na mente de criadores ‘visionários’ e amantes do sombrio e realista, não se concretizou e o atual momento de Hollywood comprova que o verdadeiro valor desses personagens está em seu lado humano.

Quanto ao impacto de sua subversão, The Boys chega a um entendimento muito diferente do de The Authority, pois, reconhece que o que faz de uma obra interessante não é uma ânsia voraz por sangue e justiça, mas as imperfeições humanas de seus personagens, cuja força real está em reconhecer seus erros e continuar tentando acertar.

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Reprodução/Prime Video

O novo ano da série deve, as subtramas são realmente maiores do que deveriam e visualmente as sequências de ação não são tão impressionantes quanto outrora. Em contrapartida, há momentos impressionantes do Capitão Pátria (Antony Starr), Jack Quaid está mais incrível do que nunca como Hughie, e a temática central sobre pais e filhos é eficaz em sua proposta de refletir sobre legado.

The Boys definitivamente não precisava de mais duas temporadas além da 3ª, e a discussão sobre legado poderia — e vai — estar presente no ano final da mesma forma, o que pode fazer algo tão interessante resultar em um elemento repetitivo.

No fim, ficamos com uma promessa. O melhor ficou guardado para o final? Bem, tomara.

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Nota 6
Ramon Vitor, Editor-Chefe do site, engenheiro civil convertido em jornalista, é um apaixonado por cinema, quadrinhos e pelo poder transformador da comunicação. Com um olhar analítico aprimorado por anos de estudo da indústria cinematográfica, ele mergulha em seus artigos para O Vício desde 2021, transformando sua paixão em conteúdo cativante. Descubra uma perspectiva única sobre o universo do cinema e da TV.


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