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Outrora referência de excelência em formato de série de TV para Star Wars, The Mandalorian traiu aos seus próprios conceitos em sua 3ª temporada que beira o imperdoável.

Recentemente, o tema “formato de série de TV” virou alvo de uma grande discussão depois que uma suposta duração de Killers of the Flower Moon, de Martin Scorsese, foi revelada. É bem verdade que esse debate sobre quem entende mais sobre algo é tão “animado” quanto foi esta 3ª temporada de The Mandalorian. Porém, algo válido a ser extraído dele é que, a montagem narrativa de uma série é muito peculiar.

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Reprodução/Lucasfilm

Assim como um filme, ou qualquer outra mídia narrativa, uma série tem que usar artifícios para manter seu público envolvido com a história que quer contar. Isso você pode conseguir desenvolver através de vários formatos, como o do vilão da semana, o de dividir uma grande jornada em pequenas missões, etc.

A divisão episódica foi a maior qualidade de The Mandalorian ao longo das duas primeiras temporadas, tanto que se cobrava que outras séries do Disney+, incluindo as da Marvel Studios, repetissem isso.

Com a maioria de seus episódios sendo longos e arrastados, acompanhados em grande parte por um verdadeiro vácuo narrativo, o novo ano da amada jornada de Din Djarin e Grogu conseguiu o feito muito difícil de tornar a série chata, e isso beira o imperdoável.

Grande parte da responsabilidade desse feito pode ser facilmente atribuída para a montagem ruim da temporada, que com o próprio material que entregou, poderia ter proporcionado uma experiência mais interessante.

Reprodução/Lucasfilm

Quer um exemplo? No Capítulo 19, “O Convertido“, acompanhamos mais de 40 minutos de uma história exclusivamente dedicada ao Dr. Pershing, que reforça o conceito de clones aperfeiçoados, já estabelecido na 1ª temporada, para vir a ser explorado apenas no episódio final.

No fim das contas, por mais que tenha contado uma história interessante, o Capítulo 19 teve um impacto narrativo nulo no enredo geral da 3ª temporada, pois não só poderia ter sido substituído por uma sequência de pouco mais de um minuto, como foi exatamente isso que aconteceu na abertura do Capítulo 23, quando Elia Kane (Katy M. O’Brian) revelou ser uma infiltrada de Moff Gideon no coração da Nova República.

O episódio que, na melhor das intenções, talvez quisesse trazer um ar fresco para The Mandalorian, na verdade adicionou um desinteressante peso extra na série, fritando completamente o ritmo narrativo do novo ano.

Isso se repete em outros episódios em diferentes ocasiões, que fazem parecer que a narrativa está andando em círculos.

Reprodução/Lucasfilm

Repare que, sequer foi referido ainda o fato de Din Djarin e Grogu terem virado coadjuvantes da série na maioria dos episódios, após a jornada dos dois voltar várias casa de onde já estava narrativamente. Afinal, por mais que seja um fato minimamente frustrante, esse é um dos menores problemas da temporada, graças ao fato de Katee Sackhoff realmente conseguir chamar atenção na pele de Bo-Katan, que é uma personagem amada pelos fãs de Star Wars.

Porém, é inegável que a “passagem de Sabre” do protagonismo de Din para Bo pode soar confusa para aqueles que não têm qualquer familiaridade com Star Wars: A Guerra dos Clones (2008) e Star Wars Rebels (2014).

Mas vamos lá, Bo-Katan ao menos teve uma jornada interessante nessa 3ª temporada, que encerrou de forma satisfatória nos dois últimos episódios.

Assim como o Capítulo 20, “O Enjeitado“, os Capítulos 23 e 24 são os únicos com envolvimento de Dave Filoni no roteiro, e são justamente os que salvam a temporada de ser imperdoável como um todo.

Reprodução/Lucasfilm

Os episódios finais lembram o motivo de essa série ser tão boa. Veja, são repletos de clichês como vilão de armadura que dá discurso maligno quando rende o herói, que por sua vez é preso e se solta milagrosamente enquanto é conduzido algemado por soldados em um corredor apertado, mas são maravilhosos.

Eles não têm qualquer profundidade, é verdade, mas isso nunca foi algo relevante para The Mandalorian. Eles são carregados de clichês de Star Wars, é verdade, mas isso jamais foi um problema para esta série.

Não é difícil entregar algo satisfatório com o MandoVerso, pois tudo que já foi estabelecido antes facilita bastante o trabalho de quem produz para esse universo de histórias, que não cobra nada grandioso, nem sequer rebuscado. A única exigência é que seja minimamente divertido, como uma boa fantasia com guerreiros espaciais tem que ser.

Por isso, é impossível não imaginar que conflitos externos tenham pesado sobre o que foi para a tela, pois o maior problema da 3ª temporada é que a série briga consigo mesmo na maior parte do tempo, por ideias que não precisava seguir.

Reprodução/Lucasfilm

Apesar dos problemas, o ótimo encerramento do novo ano é um sinal de esperança para a 4ª temporada, que se não quiser “reinventar a roda“, vai levar a série de volta à posição de referência onde outrora esteve.

É verdade que, alguns fãs não vão apreciar esta crítica, mas veja bem, o momento é de deixar claro para a Disney que isso não está legal, que não deve se repetir, pois, parafraseando um amigo, é por temporadas como esta que séries excelentes acabam mais cedo do que deveriam.

No fim das contas, o ótimo final da 3ª temporada de The Mandalorian salvou o novo ano de ser tão frio quanto vinha prometendo ser, apesar de o saldo geral morno ser um golpe duro para quem ama a série. Porém, não vamos desanimar, pois o futuro de Star Wars promete.

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Nota 6