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Potencial jogado fora, talvez seja a melhor definição para Tomb Raider: A Origem, que traz a oscarizada Alicia Vikander no papel da heroína Lara Croft, ícone dos games. Isso porque, mesmo tendo como base o interessantíssimo reboot que  a Crystal Dynamics deu à franquia em 2013, o diretor Roar Uthaug conseguiu a proeza de entregar um filme extremamente genérico, desinteressante e previsível.

O que é uma pena, já que aspectos muito interessantes do game podiam ser vistos no trailer, fazendo parecer que teríamos uma pegada semelhante, focada no instinto de sobrevivência da personagem, algo que acabou sendo o maior atrativo do reboot. Lara cai, se machuca, se suja, e quase não tem tempo para respirar, enquanto luta para sobreviver em uma ilha inóspita, cercada de inimigos. No entanto, isso acaba sendo uma parte ínfima do longa-metragem, que opta por dar destaque a uma trama melodramática e clichê envolvendo Lara e o sumiço de seu pai.

A arqueologia, tema presente e fundamental no cerne da personagem desde sua criação nos games, é inexistente. Ainda que no game de 2013, que supostamente serviu como base ao filme, Lara seja uma arqueóloga assim como seu pai, aqui nenhum dos dois é.  A única menção feita a isso no filme, está em uma gravação onde o pai de Lara (interpretado por Dominic West) alega ter “se interessado bastante em artefatos históricos”, como um hobby.

E além do filme perder um elemento fundamental da personagem, ele não permite que ela se torne a heroína que deveria ser.  Quando finalmente ele parece engrenar (coincidentemente no momento em que passa a seguir o material original mais de perto), existe um elemento na narrativa que destrói completamente qualquer potencial de crescimento da personagem, tornando-a apenas uma filhinha de papai que convenientemente tem ótimas habilidades físicas.

Ainda assim, Alicia Vikander consegue entregar uma ótima Lara Croft, sendo, de longe, a melhor coisa do filme. Seja nas sequências de ação ou nas cenas que exigem uma maior carga dramática (não que sejam muitas), a atriz consegue mandar bem e entregar um ótimo trabalho mesmo com o roteiro pífio que tinha em mãos. Outro que se esforça bastante em um filme que não lhe merece é Walton Goggins, que vive o vilão Mathias Vogel, dando uma caracterização muito particular e interessante ao personagem. Já Dominic West, que vive Richard Croft, parece ter abraçado a galhofa, fazendo do personagem a coisa mais grotesca do filme. Mas claro, em sua defesa, tudo no roteiro envolvendo o personagem é péssimo.

O mais triste disso tudo é que, ainda assim, o filme ainda apresenta boas ideias, e inclusive cria uma interessante solução para os supostos elementos sobrenaturais da trama, algo que nos games é muito mais escancarado. Porém, tropeça no inexistente desenvolvimento de personagens, no uso de clichês risíveis e na previsibilidade do roteiro.

O filme abre potencial para uma sequência, mas sem muita empolgação. Talvez se deixarem Uthaug bem longe, pode funcionar. E sabe aquela tal “maldição das adaptações de games”? Pois é. Não foi dessa vez. Não passou nem perto.



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