Em seus primeiros minutos, Treze Vidas – O Resgate pode até soar entediante, mas do segundo ato em diante, Ron Howard nos entrega um espetáculo imersivo.
O filme, que já está disponível no Prime Video, tem a difícil missão de adaptar um evento real recente, sem parecer maçante ou apelativo, ao contar a história do drama do time de futebol tailandês que ficou preso na caverna de Tham Luang em 2018

Seu começo é um pouco estranho, é verdade. Pois, principalmente para quem acompanhou o drama, é visto algo que já é conhecido, através de uma perspectiva que já é conhecida, que é a nossa como público.
A trama até mostra as crianças jogando futebol, interagindo com suas famílias, e chegando até a entrada da caverna. Porém, isso é feito de uma forma que apenas reproduz o que foi massivamente noticiado durante a Copa do Mundo da Rússia.
Copa do Mundo da Rússia essa, que está muito presente no filme, o que inclui a narração dos minutos finais da eliminação do Brasil para a Bélgica nas quartas de finais.
Esse foi apenas um dos meios que Ron Howard achou para nos situar em época, sem ter que ficar sempre repetindo e nem anunciado a data do evento.
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Aliás, todo trabalho sensorial do filme, seja para localizar o público em tempo ou em espaço, é bem feito. Isso funciona até para criar as cenas de tensão, quando sem precisar verbalizar que a missão está ruindo, ele entrega a mensagem pelas mudanças de clima e expressões dos familiares, governantes e mergulhadores.
Fica aqui inclusive, o elogio pela decisão de manter a maioria dos diálogos em tailandês, ao invés de promover uma “americanização” do filme, como os estúdios geralmente fazem.
Voltando ao desenvolvimento da trama, quando chega o segundo arco, temos enfim a mudança da perspectiva para uma em que não conhecemos, que é a dos mergulhadores britânicos que acharam e resgataram as 12 crianças e seu treinador com vida.
Daí a coisa começa a se desenvolver, e o público é imergido para dentro daquela caverna inundada, tendo agora a real noção de quantas coisas poderiam dar errado na missão, fazendo com que ela tivesse um final trágico por qualquer detalhe mal executado.
Quando se fala em imersão em 2022 , é impossível não lembrar do que Top Gun: Maverick causou nas pessoas. Em seus dois últimos atos, Treze Vidas – O Resgate repete esse efeito de forma brilhante, ao tirar o fôlego de quem está assistindo, mantendo o nível de tensão tão elevado, que mesmo com a história original sendo conhecida, você teme pelo seu final.
Muito disso é causado, além de pelo ótimo trabalho de Ron Howard, pelas atuações brilhantes de Colin Farrell, Viggo Mortensen, Joel Edgerton e Sahajak Boonthanakit, que conduzem seus papéis com maestria, a ponto de lhe convencer que você está vivendo aquilo ao lado deles.
Acaba que se torna justificável o fato da perspectiva dos garotos e seu técnico ter sido omitida no começo, para que se crie boa parte da tensão do filme na visão dos mergulhadores e dos líderes da Tailândia. Mas, infelizmente os primeiros minutos ficaram cansativos de qualquer forma.
Talvez fosse o caso de algumas cenas serem substituídas para que a introdução ficasse um pouco menor, apresentando assim a trama para quem conhece ou não a história de uma forma mais dinâmica.
No fim das contas, chega a ser metafórico o quanto Treze Vidas – O Resgate é um exercício sobre persistência, que vai além do que seu enredo representa. Pois, se você resistir aos seus primeiros 20 minutos, vai ser recompensado com um dos filmes mais imersivos e impressionantes de 2022.