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Assim como em uma série com muitas temporadas, uma franquia no cinema com vários filmes precisa se reinventar ao longo dos anos para não cair na mesmice e, ao invés de agregar ainda mais conteúdo, manchar o legado deixado pelos longas anteriores.

Velozes e Furiosos 8 chegou aos cinemas neste final de semana tendo, novamente, esta missão de reinventar uma franquia que já dura 16 anos, e que vem recebendo alterações – necessárias – na essência original da série que o primeiro filme introduziu em 2001.

Como vem acontecendo desde o 4º filme, em Velozes e Furiosos 8 as corridas de rua foram deixadas novamente em segundo plano a fim de dar mais espaço para uma ação desenfreada e que não te deixa piscar os olhos. É claro, os belos e possantes carros estão presentes em 90% do tempo, mas utilizados como instrumentos para perseguições, tiroteios e explosões. Essa mudança de foco pode não ser tão bem aceita pelos fãs mais ferrenhos dos bons e velhos rachas de rua, mas se mostra novamente necessária para a não saturação da trama. Trama esta que, apesar de ser novamente clichê, trás algumas boas melhorias e novidades em relação aos filmes anteriores.

O ápice dessa melhora se dá por conta da presença de Cipher (Charlize Theron), indiscutivelmente a melhor vilã da franquia até agora. Apesar de não estar envolvida diretamente em nenhuma sequência de ação, a personagem é inteligente e implacável em buscar os seus objetivos, oferecendo um grande desafio para a equipe de “heróis” que, além de enfrentá-la, também precisam combater a única pessoa que não seriam capazes de derrotar: Dominic Toretto (Vin Diesel).

O inteligente plano de Cipher – apesar de uma motivação clichê (a vilã que quer controlar o mundo) – para conseguir trazer Toretto para o lado do mal mostrou o quão inconsequente e doentia era a vilã, além de abordar, assim como em todos os filmes anteriores, o amor dos personagens pela família, onde temos inclusive citações à Bryan (Paul Walker) e Mia (Jordana Brewster).

Outro ponto positivo foi a reinserção de personagens importantes dos filmes anteriores, que além de agregar – e muito – às cenas de ação, não foram simplesmente jogados na tela, já que estavam diretamente envolvidos com a trama principal.

Quantos às cenas de ação, temos aqui um dos pontos não tão agradáveis do filme. Apesar de toda a surrealidade que, dentro da proposta da franquia, deixam as sequências insanas e de tirar o fôlego, o excesso de slow motion utilizado pelo diretor F. Gary Gray, além de localizações não tão interessantes (as cenas no gelo gravadas na Islândia foram uma péssima escolha) e uma trilha sonora esquecível, comprometem a sensação de empolgação, tornando as cenas não tão emocionantes quanto as dos longas anteriores.

Ainda assim, a química entre a equipe é incrível e faz com que estes problemas sejam deixados um pouco de lado, principalmente quando temos Luke Hobbs (Dwayne “The Rock” Johnson), Deckard Shaw (Jason Statham) e Roman Pearce (Tyrese Gibson) em tela, protagonizando os momentos mais divertidos do filme.

Apesar dos poucos problemas citados, Velozes e Furiosos 8 cumpre de ótima forma seu papel de reinventar – mais um vez – esta longa franquia, deixando bem claro que apesar da “aposentadoria” de Bryan e Mia a família continua unida, e o elenco, principalmente após a reinserção de personagens dos filmes anteriores e as novidades trazidas, têm competência para manter com qualidade esta nova trama pelos próximos dois filmes já confirmados.



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