
Analisar Guerra Infinita não é realmente uma tarefa fácil. Dado o peso do filme, que funciona como o clímax de um universo cinematográfico compartilhado de dez anos, podemos considerá-lo não apenas como um filme, mas sim como um evento. É sem precedentes, e portanto, complicado de avaliar. Principalmente porque, a despeito de terem desistido da ideia de nomear os filmes como “parte 1” e “parte 2” (uma moda que em 2014, quando o filme foi anunciado , ainda era interessante mas que morreu nos últimos anos), este ainda é claramente, em toda a sua concepção e execução, a primeira parte de um todo.
A começar pelo fato de que , como disse no primeiro parágrafo, este é realmente um filme pertencente a Thanos. Estamos dentro de sua cabeça, entendendo suas motivações e acompanhando a sua busca mortal pelas Joias do Infinito na intenção de erradicar metade do universo, trazendo assim o tão sonhado “equilíbrio”. Dentro dessa jornada, os Vingadores se comportam meramente como um grupo de pessoas reunidas tentando impedir seu objetivo.
Um detalhe muito interessante sobre Thanos, é que exceto por um determinado momento mais próximo do final do filme, vemos constantemente um total desinteresse em matar qualquer um dos heróis que se interpõem em seu caminho. O que diz muito sobre a personalidade distorcida do Titã Louco, que realmente acredita que seu caminho é justo. Ainda que seu objetivo busque erradicar metade do universo, não existe interesse pessoal de tirar qualquer vida no processo (a não ser que você tente enfiar uma faca em seu pescoço, claro. Aí a coisa muda de figura).
Em algumas declarações na época da produção do longa, os Irmãos Russo chegaram a declarar que queriam fazer de Thanos uma espécie de Darth Vader para esta geração. E sinceramente, dado seu papel e desenvolvimento neste filme, aliado a seu retorno que ainda veremos em Vingadores 4, essa ambição dos diretores se torna muito possível.
Os Irmãos Russo sabem exatamente os que os fãs querem. Seja uma entrada dramática de um personagem enquanto ouvimos a música tema do filme, ou piadas feitas há anos nas redes sociais, retornos surpreendentes (mas sempre especulados), ou ainda referências retiradas diretamente das páginas dos quadrinhos. O fanservice é sempre bem utilizado, bem empregado e em momentos que nunca os tornam forçados ou desesperados em apontar uma referência. Se você percebeu, ótimo! Se não percebeu, foi só mais uma cena.
O excesso de personagens, uma preocupação de alguns fãs, foi muito bem utilizado. Dividindo-os em núcleos separados, como já havíamos constatado nos trailers, todos conseguiram ter o seu tempo de brilhar. O que é um enorme feito, em um filme que reúne tantos personagens, e que ainda por cima traz boa parte do foco em torno do vilão. As interações, algo esperado há anos, são extremamente agradáveis de se ver, remontando a algumas das melhores sagas da Marvel nos quadrinhos.
Uma das coisas que o filme mais se beneficia em ser apenas uma primeira parte, é em poder ousar com certas decisões criativas, entregando um final de tirar o fôlego. Não pretendo dar spoilers aqui, mas é um final que ninguém esperaria ver em um blockbuster, especialmente um do gênero de super-heróis. E ainda que, ali no fundo, você saiba que o próximo filme servirá para resolver boa parte dos problemas e muito do que foi visto neste final será “consertado”, continua sendo inevitável a sensação de choque. Simplesmente porque é bem escrito, bem construído e bem dirigido. E portanto, crível.
Agora, é aguardar por Vingadores 4 em 2019, para descobrir como essa história termina. E aliás, como o Universo Cinematográfico Marvel como o conhecemos, termina. E sinceramente, mesmo que algumas cenas de bastidores do filme que surgiram na internet ofereçam algumas teorias, realmente não consigo prever o que vem por aí.