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Nós, amantes da Cultura Pop, estamos sempre a especular sobre o destino e as decisões que poderão ser tomadas (ou que deveriam ter sido anteriormente) em nossos filmes prediletos, ou nos grandes blockbusters, e agora com o grande ”boom” dos universos compartilhados de adaptações de quadrinhos, essas discussões tem ocorrido como nunca!

Nessa matéria, abordarei quais diretores precisamos e merecemos para uma adaptação perfeita de nossas histórias prediletas. Tudo com base na filmografia desse determinado diretor e nos estilos da banda desenhada em questão, espero que gostem.

Hellblazer por David Fincher

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Sempre que for filosofar sobre qual diretor seria perfeito para determinada adaptação pense, “Qual é a essência da HQ? O que precisa ter em um filme dela para ficar perfeito?” Após chegar a uma conclusão, veja qual diretor se enquadra em tais aspectos.

Pensemos sobre Hellblazer, a série clássica de quadrinhos da Vertigo protagonizada pelo icônico John Constantine, apesar de ser firmada em um contexto sobrenatural e sempre ter as pitadas de magia e um grande foco no ocultismo e satanismo, uma das grandes frequências da série é o teor investigativo e realista, dificilmente temos apelações pra magia ou pirotecnias extravagantes e desnecessárias, o charme do persona está em seus trejeitos e inteligência, capacidade de raciocínio lógico cuidadoso, assim se criam os suspenses clássicos de Hellblazer, com o horror usado de pano de fundo para as investigações e introspecções dos leitores na mente perturbada de Constantine.

Agora, qual diretor tem se firmado como um grande maestro do suspense e tramas investigativos na atualidade? Não sei vocês, mas David Fincher me vem a minha cabeça, tal característica está presente em praticamente toda sua filmografia, outro ponto interessante é que vemos tanto a questão da religiosidade (outro aspecto fortíssimo para as tramas de Hellblazer sem duvida) e a já comentada trama investigativa das histórias de John Constantine presente em um de seus maiores filmes, “Se7en: Os Sete Pecados Capitais” , sem contar a boa dose de filosofia junta a um ótimo trabalho de personalidade no clássico “Clube da Luta”, além da fotografia e aspectos técnicos de suas produções que sempre trazem um ambiente e paleta de cores que remetem totalmente aos cenários dos principais ilustradores da aclamada saga Vertigo.

Planeta Hulk por Ridley Scott

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Defina a essência de Planeta Hulk em uma frase pequena. Não a história, mas a essência, o plot! Eu definiria da seguinte forma “Uma versão de “Spartacus” no espaço, com aliens”, agora pegue isso e compare a invejável filmografia do diretor citado acima. Planeta Hulk trata-se de uma releitura do mito de Spartacus, o soldado escravizado e obrigado a lutar na arena para servir de entretenimento para a população (Tática do Pão e Circo) que acaba por causar uma revolução contra o império.

Várias releituras desse clássico ou filmes relacionados a tal tática foram realizadas, e uma das principais e mais icônicas do cinema é sem duvida o clássico “Gladiador”, dirigido por Ridley Scott, além disso toda a questão da ficção cientifica é fichinha para o diretor que foi um dos mais importantes para o gênero com os filmes “Blade Runner” e claro “Alien – O Oitavo Passageiro”.

Apesar de suas recentes derrapadas como em “Prometheus” e “Robin Hood”, não devemos esquecer de seus clássicos que pesam mais que seus erros, temos aqui um diretor versátil que além dos já citados filmes fez obras como “Thelma & Louise” e “Falcão Negro em Perigo”.

Lobo por Robert Rodriguez

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Após a Crise Nas Infinitas Terras, ao assumir os roteiros de Lobo, Keith Giffen começou a utilizar o titulo como um escape para colocar toda e qualquer escrotidão que passasse por sua mente, e depois com a ajuda de Alan Grant, os dois criaram a partir do ”anti-herói” uma sátira as histórias em quadrinhos e os heróis machões da cultura pop, brincando com a imortalidade, invertendo valores, quebrando clichês, criticando o fanatismo dos fãs e assim por diante, basicamente consolidaram o gênero Trash nos quadrinhos (depois reutilizado de forma mais infantil em quadrinhos como Deadpool).

Então se esqueçam do Lobo dos Novos 52, se forem fazer um filme do personagem tem que ser ao velho estilo Trash! O filme que melhor exemplifica como deveria ser o personagem no cinema é “Machete”, de Robert Rodriguez, uma violência escrachada e sem escrúpulos do lógico, um personagem “Badass” a ponto de fazer coisas que simplesmente ultrapassam o senso de credibilidade, personagens femininas sensuais e apelativas, cenas de sexo que caem de paraquedas na trama, uma motivação boba e simples, vilão no cumulo do caricato e assim por diante, vale lembrar que Rodriguez é um grande apreciador de HQs, tendo inclusive feito uma das adaptações mais bem recebidas pelo publico “Sin City – Cidade do Pecado”.

Ex Machina por Oliver Stone

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A série em quadrinhos escrita por Brian K. Vaughn é uma trama que passa por várias épocas diferentes, e mostra a jornada de Mitchell Hundred, um cara normal que acaba ganhando o poder de se comunicar com as maquinas, e como fã de HQs desde criança, decide se torna um super-herói.

Graças a seus poderes, ele consegue salvar uma das torres gêmeas, e com isso se torna um ícone para os americanos, o que acarreta em sua carreira política, tornando-o prefeito de Nova York. A HQ lida com várias polêmicas em meio a política americana, se baseando muito na história real de JFK e de teorias conspiratórias, além de ser uma narrativa que vai desde a infância do personagem até sua ascensão, e posteriormente sua decadência.

Sendo assim, vamos ao currículo do consagrado e polêmico Oliver Stone, foi o diretor do aclamado e considerado por muitos “Um dos mais polêmicos filmes americanos já feitos”, sim, estamos falando justamente do longa  “JFK”, então na parte política da trama já vemos que ele se familiarizaria perfeitamente, além disso quando se trata de histórias sobre ascensões seguidas por decadência, Stone dirigiu Wall Street e roteirizou Scarface, na parte de mostrar um personagem desde sua infância passando pelas décadas e seu impacto na sociedade tivemos “The Doors – O Mito De Uma Geração”, na parte de ação (Vale ressaltar que a ação da HQ é mais pautada na realidade e é bem violenta) tivemos “Assassinos Por Natureza”.

Por fim, vale lembrar que Stone já dirigiu um filme sobre o atentado as torres gêmeas, então, é a escolha perfeita!

100 Balas por Fernando Meireles

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Primeiramente cogitei 100 Balas nas mãos de Quentin Tarantino, o que sem duvida seria interessante, mas por um momento me veio a mente Cidade De Deus, o clássico filme de Fernando Meireles, e vi que aquilo é exatamente o necessário para uma adaptação de 100 Balas!

Vamos lá, para quem não sabe, a clássica série em quadrinhos de Brian Azarello é sobre um simpático homem careca e misterioso que em cada história faz uma visita a uma pessoa “X” que teve a vida destruída por uma pessoa “Y”, e lhe entrega uma maleta que contém provas do responsável, uma arma com 100 balas não rastreáveis e durante um certo período, se ela decidir vingar-se, sairá impune da situação sem interferência da policia.

O enredo vai se montando com vários personagens e tramas paralelas que com o tempo se cruzam, todas as histórias regadas de violência e personagens fortes. Para muitos viria à cabeça os filmes do Taranta como referência, com exemplo de Pulp Fiction, Cães de Aluguel e Bastardos Inglórios, mas agora ao revisitarmos Cidade De Deus, a forma como os personagens vão sendo apresentados pela trama, de forma ágil, sempre os incluindo no momento que se tornam relevantes e um jogo de flashbacks do passado rápidos e bem construídos, essas características são mais propícias para uma adaptação da obra, e o principal, consta principalmente na reação de pessoas comuns ao terem a chance de se vingarem, é assim em toda a trajetória do personagem interpretado por Seu Jorge e pela maioria dos outros durante a trama, e é nisso que está a graça de 100 balas, o que aquela pessoa fará nessa situação?

Personagens imprevisíveis, uma violência banalizada e estilizada. Sem contar que o diretor já trabalhou em Hollywood graças a sua estimada obra, filmes que inclusive receberam indicações ao Oscar, como O Jardineiro Fiel.

É considerado um dos melhores cineastas vivos pela crítica ao redor do mundo.

 

Espero que tenham gostado, caso sim comente sua opinião e se desejam uma continuação, deixem também suas sugestões de diretores que você acha que se encaixariam em determinada HQ, até a próxima!



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