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Um dos grandes sucessos do ano, O Morro dos Ventos Uivantes (2026) chegou às principais plataformas digitais de compra e aluguel, inclusive na versão dublada. A Warner tem um histórico muito positivo na escolha da dublagem de seus filmes, e não foi diferente neste, que trouxe vozes conhecidas para os personagens principais. O Heathcliff de Jacob Elordi, por exemplo, foi dublado mais uma vez por Felipe Drummond.

Felipe é uma das grandes heranças do lendário Orlando Drummond ao mundo da dublagem. Com uma carreira própria já consolidada e muito forte, ele é neto do dublador original do Scooby-Doo — que também imortalizou o Seu Peru, da Escolinha do Professor Raimundo. Essa nova lenda da dublagem brasileira conversou com Bruno Gomes, do O Vício, sobre o trabalho dando voz a Jacob Elordi, além de comentar um pouco sobre o futuro.

O Heathcliff contemporâneo

O Morro dos Ventos Uivantes Jacob Elordi
O Morro dos Ventos Uivantes destaca fase mais madura de Jacob Elordi (Reprodução/Warner Bros. Pictures)

Diferente das versões imortalizadas por Laurence Olivier ou Ralph Fiennes, o Heathcliff de Elordi carrega uma crueza que beira o desconforto. Para Felipe, é justamente o peso emocional que destaca essa nova versão. “Você tem uma relação de incômodo, uma relação de admiração com alguma coisa. Enfim, é bem intenso. Tem cenas que são muito tensas. Elas foram um desafio muito grande e fiquei muito feliz com o resultado.”, declarou.

Essa intensidade, aliás, parece ser a marca registrada dessa fase da carreira de Elordi. Ao comparar o trabalho atual com o “molecão” de Saltburn (2023), Drummond aponta a evolução nítida do ator. “Ele transita da coisa do jovem para o adulto, para o homem. Acompanhar o crescimento profissional e também de maturidade é fantástico.”, explicou.

Para quem ainda não conferiu a obra, Felipe resume a experiência como um “turbilhão“. Ele destaca que a visão de Emerald Fennell trouxe um frescor necessário, unindo sensualidade e melancolia de forma extrema. “Quando é para ser sexy, é bem sexy. Quando é para ser triste, é bem triste. São extremos no filme. Eu saí arrebatado do cinema”, disse o dublador.

O futuro de Jacob Elordi

Daniel Craig como James Bond e Jacob Elordi em Euphoria
O astro australiano seria o favorito da Amazon para o papel de 007 (Reprodução/MGM e HBO)

É impossível falar de Jacob Elordi hoje sem citar os rumores de que ele estaria no radar para ser o próximo James Bond, disputando o posto com nomes como Calum Turner. Como fã confesso da franquia, Felipe não esconde a torcida para que o papel fique “em casa“.

A torcida aqui não vai faltar”, disse Drummond. “Pô, já ventilaram o nome do Aaron Taylor-Johnson, que eu dublo também, do Dylan O’Brien… Enfim, vários atores que eu já dublo. Que seja um deles. Seria uma honra.

O Legado Drummond

Orlando Drummond
Felipe faz um trabalho muito interessante para honrar o legado do avô (Reprodução/)

Encerrando a conversa com o O Vício, Felipe lembrou que seu trabalho vai muito além de emprestar a voz a astros de Hollywood. Além de ser diretor na MGE Studios — responsável pelas versões nacionais de sucessos como Wandinha e The Crown —, ele tem como grande foco o Drummond Dub Club. O projeto é uma ponte entre o passado e o futuro, honrando o legado de seu avô enquanto forma novos talentos. “É onde meu coração canta hoje. É uma honra muito grande poder levar o legado do meu avô, trazendo a dublagem para a vida das pessoas”, conclui.

Perguntas e respostas

O Morro dos Ventos Uivantes Felipe Drummond
Reprodução/Desfoque Podcast

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Nós sabemos que você é a principal voz atualmente do Jacob Elordi no Brasil. Como foi para você dessa vez trabalhar não apenas no ator em si, mas com o personagem icônico? Heathcliff já teve várias outras versões nos cinemas. Timothy Dalton, Laurence Olivier, Ralph Fiennes. Você buscou alguma referência, você chegou a ler o livro ou você tratou esse trabalho especificamente como uma obra realmente isolada?

É sempre uma honra trabalhar com atores quando a gente tem essa continuidade. Quando a gente dubla um ator em diversas produções, a gente sempre tem um carinho muito especial. E com esse trabalho não foi diferente. O Jacob Elordi tem essa profundidade na interpretação, essa densidade nos papéis que ele faz. E o Morro dos Ventos Uivantes foi esse presente para mim. Já conhecia a obra, obviamente. Mas o bacana desse filme eu acho que é justamente isso: por mais que ele seja uma adaptação, tem um ponto de vista, uma profundidade diferente de tudo aquilo que eu já havia visto. Então foi realmente um presente fazer esse trabalho mais uma vez, dublando o Jacob Elordi e ao lado de profissionais brilhantes. Enfim, foi um presentaço.

O Jacob está sendo uma grande revelação dos últimos anos. Ele fez ali não apenas a Euphoria, que é uma série que explodiu no mundo todo, mas recentemente o Frankenstein da Netflix, enfim. E também os outros trabalhos, o Saltburn, que você trabalhou. Teve algum momento específico do filme em que você sentiu ali que a sua interpretação deu uma camada para o Heathcliff que a gente ainda não tinha visto no cinema? Porque essa versão, dá para dizer que ela é bem mais cruel do que as outras, não é?

Ela tem peso, não é? Eu acho que até a estética do filme passa essa densidade ao longo de todo o filme. Você tem uma relação de incômodo, uma relação de admiração com alguma coisa. Enfim, é bem intenso. E quem sou eu para falar que a minha interpretação melhorou o Jacob… Mas tem cenas ali que são muito legais, foram muito gostosas de serem feitas, foram muito desafiadoras. Não vou dar spoiler do filme para contar. Mas tem cenas que são muito tensas e que foram um desafio muito grande e que eu fiquei muito feliz com o resultado.

Obviamente, não é o primeiro filme que você faz do Jacob com a própria Emerald Fennell, que é a diretora. Você fez o Saltburn. E qual você sentiu que foi a principal diferença dessa vez para o Jacob? O que você acha que mudou dele de anos atrás para esse Jacob atualmente?

Eu acredito que a maturidade. Ele transita da coisa do jovem para o adulto, para o homem. E o Heathcliff tem essa coisa. De ter o homem ali, de estar presente. E eu acho que justamente essa foi a diferença de Saltburn, que é uma coisa mais de molecão, mais garotão e tal. Isso é muito bacana da gente dublar os mesmos atores. Acompanhar o crescimento profissional e também de maturidade é fantástico.

Fugindo um pouquinho do tema do Morro dos Ventos Uivantes, existem os rumores de que o Jacob está na lista dos favoritos para ser o novo James Bond. Aparentemente está entre ele e Callum Turner. Você já consegue se imaginar como a voz brasileira desse 007 de próxima geração? Você já pensou nisso? E como você acha que ele pode se sair no papel?

Cara, eu sou fã de 007 desde sempre. Eu lembro que eu gostava dos filmes e na época do Nintendo 64, quando lançou o GoldenEye 007, eu ficava que nem um louco com meus amigos jogando com a tela dividida. Então, assim, seria fantástico. A torcida aqui não vai faltar. E, pô, já ventilaram o nome do Aaron Taylor-Johnson, que eu dublo também, do Dylan O’Brien, chegaram a falar alguma coisa. Enfim, vários atores que eu já dublo. Que seja um deles. Seria uma honra, seria muito legal.

Você mencionou que conhecia a obra original de O Morro dos Ventos Uivantes. O que você enxerga como a principal diferença dessa nova adaptação para a original? No caso, o que você acha que torna esse filme realmente único?

Eu acho que o mais legal dessa versão é justamente um olhar mais contemporâneo, eu diria assim. Uma estética mais contemporânea, uma profundidade, um peso diferente de tudo que eu tinha visto antes. Uma sensualidade também. Eu acho que é tudo intenso no filme, sabe? A estética intensa. Quando é para ser sexy, é bem sexy. Quando é para ser triste, é bem triste. São extremos no filme. Então, eu acho que essa é a grande diferença. Ele te dá um turbilhão de emoções sempre de uma forma muito forte. Sempre é muito. Eu saí arrebatado do cinema. Porque acaba que na dublagem a gente vê os nossos trechos, não é? A gente não vê o filme inteiro [durante o trabalho]. Então, quando assisti ao filme inteiro, eu falei: pô, que filmão. Muito legal. Que felicidade fazer parte disso.

Você chegou a assistir alguma versão anterior? Ou você tem alguma versão favorita do Heathcliff, por exemplo?

Cara… O que eu lembro assim… Eu já vi há muitos anos. O livro eu li também há muitos anos. Então, eu usei de inspiração as coisas que eu tinha de bagagem. E dei uma pesquisada rápida. Então, não usei nada como inspiração para o que eu fiz, sabe?

Você quer falar um pouco dos seus próximos trabalhos? O que vem aí a seguir?

Cara, então… Eu não só dublo. Sou diretor de dublagem também aqui na MGE Studios, que é um estúdio aqui no Rio de Janeiro. Já dirigi muita coisa bacana também. The Crown, Wandinha, muita coisa bacana na Netflix. Hoje em dia, o meu foco, a parada que realmente consome muito meu tempo de projetos, fora a dublagem em si, é o meu projeto Drummond Dub Club, onde a gente tem honrando o legado do meu avô. Lá a gente ensina dublagem para crianças no nosso projeto escola e para quem já é ator, para quem quer se aprofundar. Então, é onde meu coração canta hoje. Uma honra muito grande poder levar o legado do meu avô trazendo dublagem aí para a vida das pessoas.



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