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Finalmente, estou de volta com nossos especiais de Star Trek em comemoração aos seus 50 anos de história, no mesmo ano em que temos a chegada aos cinemas de Star Trek: Sem Fronteiras. Caso você não tenha visto a primeira parte , onde analiso a importância da série, sua trajetória, e listo seus melhores episódios, clique aqui. Agora, dando continuidade, veremos o impacto de Jornada Nas Estrelas na tela grande.


Após o sucesso absoluto de Star Wars, renasceu em Hollywood a febre de ficções cientificas, e qualquer estúdio que tivesse a posse de uma franquia já estabelecida do gênero, não pensou duas vezes antes de autorizar a produção. Foi assim foi com a Paramount, e a consagrada equipe do seriado fez sua estreia no cinema em 1979, em “Star Trek: The Motion Picture”, dirigido por ninguém menos que o lendário “Robert Wise”, homem que além de ter sido responsável pela edição do considerado “melhor filme da história”, Cidadão Kane, e de ter dirigido o clássico da ficção cientifica “O Dia em Que a Terra Parou” (que como vimos na primeira parte, foi uma das influências para Star Trek) também havia sido três vezes indicado ao Oscar de Melhor Direção, ganhando duas delas por “A Noviça Rebelde (1965)” e “West Side Story (1961)”.

Com um orçamento considerável para a época, custando 46 milhões, tinha tudo para o filme ser um clássico da ficção cientifica, mas não foi bem assim. Como também foi visto na parte 1, o filme é derivado de um roteiro que seria usado como piloto da nova série de Star Trek que estava em produção, sendo assim, decidiram esticar um material feito para compor cerca de 50 minutos em um filme de mais de duas horas, tornando-o dolorosamente arrastado.  Além disso, o longa tem de um dos plots mais batidos da série, com a velha história da máquina tentando entender os comportamentos humanos e confundindo seus circuitos no processo, além de uma vibe quase psicodélica, indo totalmente na contramão do que tinha feito de Star Wars um sucesso. Claro, o filme ainda assim está longe de ser, de fato, ruim, e entre os 6 filmes clássicos esse é o que contém a melhor produção, em termos de fotografia e etc, e a trilha sonora de Jerry Goldsmith somada a interação e carisma dos personagens fazem do filme no mínimo interessante, mas sem dúvida é mais indicado para os fãs de Star Trek do que para o público comum.

A bilheteria não trouxe os resultados esperados, mas foi o suficiente para autorizarem uma sequência, dessa vez com um orçamento consideravelmente menor, apenas 11 milhões, com o cargo de direção confiado a um diretor ainda inexperiente, Nicholas Meyer. Ninguém acreditava no sucesso do filme, era mais um golpe de misericórdia após o fracasso do primeiro, com a Paramount tentando tirar uma última casquinha da franquia antes de aposenta-la de vez. Porém, para a surpresa de todos, de onde se menos esperava, saía em 1982, “Star Trek II: A Ira de Khan”, até hoje considerado um dos melhores, se não o melhor, filme da franquia, uma aula de como se fazer um longa maravilhoso de ficção com pouco, bastando um roteiro inteligente, boas atuações, e uma série de conceitos interessantes a serem explorados.

Reciclando um dos vilões mais icônicos da série, vemos a busca de Khan por vingança contra Kirk, que o abandonou em um planeta inóspito décadas atrás. O mais interessante é como um vilão que supostamente possui habilidades especiais de super força, em momento algum torna-se uma ameaça por isso, mas sim por sua mente estratégica. Como se não bastasse, a continuação contém um dos finais mais emocionantes do cinema de ficção cientifica, e marca o ápice dramático de Star Trek em toda sua trajetória.

O filme arrecadou menos que o primeiro, porém foi muito mais rentável pelo baixo orçamento, permitindo assim sua continuação. Em 1984, chegava aos cinemas “A Procura de Spock”, segunda parte da “Trilogia Jornada Nas Estrelas”, pois tratam-se de filmes que dão continuidade direta um ao outro, fazendo deles praticamente um filme único dividido em três, dessa vez, a direção estava na mão de ninguém mais ninguém menos que o próprio Spock, Leonard Nimoy. É famosa a lenda dos “filmes pares” entre os fãs, porque segundo a teoria, os filmes ímpares da série são sempre piores, enquanto os pares são os verdadeiramente bons, para mim essa teoria já perde seu sentido nesse terceiro filme, pois defendo fortemente o terceiro longa. Além dele ter um dos melhores embates da equipe clássica com os Klingons, é nesse filme em que a “Enterprise” é estabelecida como sendo quase uma entidade, um personagem junto com os demais, pois as duas sequencias mais memoráveis do filme são, de longe, o roubo da Enterprise e a genial cena de sua destruição, em que sentimos quase tanto quanto a morte do próprio Spock no filme anterior.

Os filmes de Star Trek seguiam em declínio, o terceiro filme arrecadou menos que os dois anteriores, mas eles não desistiram, e decidiram retornar para mais uma tentativa. Novamente contando com Nimoy na direção, estreava em 1986, o único filme que talvez possa contestar a posição de “A Ira de Khan” como melhor da franquia. “De Volta para a Casa” completava a trama iniciada no segundo filme, e trazia uma completa quebra de paradigmas de tudo que já havia sido feito antes. Em uma trama de viagem no tempo em busca de baleias-jubarte, o filme é, em sua essência, uma comédia, e que comédia! Enquanto “A Ira de Khan” é um clássico da ficção cientifica dos anos 80, “De Volta para a Casa” é um clássico da comédia. O tom leve e quase non-sense fez do filme um sucesso de bilheteria, arrecadando mais que todos os anteriores, e confirmando assim, a produção de mais um longa.

Chegamos aonde nenhum homem jamais deveria ter ido com Star Trek: A Fronteira Final. Se existe uma coisa unânime entre os fãs da série, é que esse é o pior filme da franquia. Dirigido dessa vez por William Shatner, o nosso Kirk não se mostrou tão competente quanto seu colega nos dois filmes anteriores, criando uma trama sem sentido envolvendo a busca por Deus e um irmão bastardo malvado de Spock. O filme é uma bagunça completa com direito a Nichelle Nichols sensualizando em uma idade já bem avançada, e onde a única coisa que se salva é a interação entre os personagens; então caso você se torne um fã da franquia, vale a pena assistir por isso ou pelo fator curiosidade, mas só, o filme teve o pior desempenho entre todos os outros, e iniciou o declínio de Star Trek nas telonas.

Em 1991, todo o elenco já estava em idade bem avançada, e com a franquia nunca tendo sido um sucesso absoluto de bilheteria estava na hora de aposentar Star Trek nos cinemas. Nicholas Meyer foi novamente chamado a direção em mais um excelente filme de Star Trek, perfeito para encerrar a jornada dos queridos personagens na tela grande, naquele que é, de longe, a melhor participação dos lendários Klingtons em seus embates com a formação original: Jornada nas Estrelas VI: A Terra Desconhecida.

Simultaneamente aos últimos filmes da equipe clássica no cinema, estreou na televisão a nova série “Star Trek: The Next Generation”, contando com uma equipe totalmente nova e que durou bem mais, tendo chegado a 7 temporadas, além de 4 filmes que oscilam entre bom, mediano e muito ruim. Devo admitir que meu amor pela franquia sempre foi baseada na equipe clássica, portanto não estou muito adepto a falar da Nova Geração, mas para os fãs das antigas, dois filmes se destacam: O primeiro, “Generations” de 1994, em que temos a despedida belíssima de nosso eterno Capitão Kirk, e “O Primeiro Contato”, em que vemos o primeiro contato da raça Vulcana com os terrestres. A continuação desses dois primeiros filmes, “Insurreição”, mesmo sendo mal recebido pela crítica, conseguiu manter o pique dos novos filmes em termos de bilheteria (os três filmes superaram praticamente todos os da equipe clássica em arrecadação), porém, o quarto e último filme da nova leva, “Nemesis”, foi um fracasso de bilheteria e crítica, servindo como uma espécie de “Batman & Robin” para Star Trek, e fez com que enterrassem a franquia por vários anos, até que em 2009, nas mãos de J.J Abrams, chegava aos cinemas um novo Jornada nas Estrelas, mais moderno, virtuoso, vibrante e atual, porém, isso analisaremos na próxima parte.

Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.