Dando continuidade à nossa série de Guias de Leitura, trazemos dessa vez um dos personagens mais pedidos, o deus do trovão, o poderoso THOR!
Lembrando antes de qualquer coisa que esse é um guia para leitores novatos ou que querem uma ajuda sobre como ingressar no universo dos personagens. Se você, leitor veterano sagaz e com bagagem, perceber que está faltando algo… ora, veja só, eu sei! A ideia é justamente colocar apenas as histórias mais importantes e clássicas dos personagens. Afinal, de outra forma o guia ficaria enorme.
Journey Into Mistery
Assim como em outros guias de leitura de personagens da Marvel, é essencial começar pela origem de tudo: a época áurea de Stan Lee e Jack Kirby. E obviamente, com o Thor não é diferente, já que em 1962 essas duas lendas dos quadrinhos decidiram que seria uma boa ideia acrescentar ao seu crescente panteão de personagens um pouco de mitologia nórdica com uma roupagem super-heróica. E assim, na edição 83 da revista Journey Into Mistery Thor fez sua estreia, quando o médico Donald Blake – que possuía uma deficiência na perna e usava uma bengala – encontra dentro de uma caverna o famoso martelo mitológico Mjolnir com a hoje clássica inscrição: “Quem erguer este martelo, se for digno, terá o poder de Thor”. Ao bater sua bengala no chão, Blake trocava de lugar com Thor, e o deus do trovão podia agir na Terra.
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Tales of Asgard
Em 1963, mais precisamente na edição 97 de Journey Into Mistery, Lee e Kirby começam a aprofundar e desenvolver muito mais a mitologia asgardiana, na série de histórias curtas chamada Contos de Asgard. Lendas nórdicas são adaptadas, Asgard e os nove reinos são apresentados devidamente, e vilões como Surtur, Encantor e Loki começam a ser mais recorrentes e ganhar mais destaque. Aqui também é onde vemos introduzidos personagens de peso nas histórias de Thor, como o guerreiro Balder, a bela Lady Sif, os três guerreiros Fandral, Hogun e Volstagg, e é claro, o guardião da Ponte do Arco-Íris, Heimdall. Resumindo, é o surgimento e desenvolvimento de tudo aquilo que hoje em dia faz Thor ser… Thor.
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Vingadores
“E houve um dia,um dia como nenhum outro, em que os heróis mais poderosos da terra se uniram contra uma ameaça em comum.” Não dá para falar das origens de Thor sem citar a formação clássica dos Vingadores, afinal o deus do trovão acabou sendo indiretamente um dos responsáveis pela formação da super-equipe mais famosa da Marvel e que hoje em dia é sucesso de público e crítica não apenas nos quadrinhos, mas também no cinema. Em Avengers #1 de 1963, Loki decide manipular o Hulk, usando-o como uma maneira de atacar Thor. No entanto, a ameaça do golias esmeralda acaba por chamar a atenção de outros heróis da Terra, como Homem de Ferro, Vespa e Homem-Formiga, que após descobrirem que tudo não passava de uma manipulação do deus da trapaça, o derrotam e decidem se unir para acabar com futuras ameaças como aquela, as quais eles sozinhos não poderiam lidar. Nasciam então os Vingadores.
Fase de Walter Simonson
Em 1983, mais precisamente em Thor #337, tem início uma das fases mais famosas e aclamadas do deus do trovão, quando o escritor Walter Simonson assume os roteiros da revista. Além de trabalhar absurdamente bem com diversos conceitos da mitologia nórdica, Simonson trouxe ótimos personagens como Bill Raio Beta, e escreveu arcos memoráveis como A Saga de Surtur. Ainda durante a fase do autor temos ainda duelos com Malekith e os elfos negros, além da controversa fase em que Thor foi transformado por Loki em um sapo (e você aí reclamando porque hoje em dia uma mulher é Thor). A fase de Walter Simonson culmina no duelo final com a Serpente de Midgard, um ser da mitologia nórdica que está destinado a matar o deus do trovão, e histórias traz uma sequência de duelo que é simplesmente incrível.
No Brasil, a Panini chegou a completar toda essa fase na publicação da série Os Maiores Clássicos do Poderoso Thor, em 6 volumes. Recentemente, a Salvat republicou tudo em 3 encadernados. Você pode encontrar a saga completa na Loja da Salvat, clicando aqui.
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Fase de Dan Jurgens
Apesar de não tão aclamada quanto a fase de Simonson, a época em que Dan Jurgens esteve à frente da revista Thor é bem longa e possui alguns momentos memoráveis na cronologia do deus do trovão. Ao lado do desenhista John Romita Jr, o autor reviveu alguns dos conceitos clássicos do personagem, como o fato de dividir sua existência na Terra com um humano, dessa vez sob a figura do paramédico Jake Olson. Entre os acontecimentos mais marcantes da fase Jurgens estão um confronto com Thanos, a morte de Odin, e o fato de Thor trazer Asgard para a Terra, mais especificamente flutuando acima de Manhattan. Uma ideia que futuramente seria revisitada por J. Michael Starczynski de forma bem mais elegante e bem escrita, mas falo sobre isso já já.
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Ragnarok
Quem conhece pelo menos um pouquinho de mitologia nórdica sabe o que o Ragnarok representa nas lendas vikings. Nada mais nada menos do que a versão do “apocalipse” para os deuses nórdicos, ou seja, o fim do mundo. E assim, aproveitando as baixas vendas que a revista tinha na época, a Marvel decidiu que era o momento certo para trazer para seus personagens baseados nessa mitologia uma história realmente grandiosa para acabar com tudo em grande estilo. Assim, os escritores Michael Avon Oeming e Daniel Berman acompanhados do desenhista Andrea Divito trouxeram a saga Ragnarok, onde o mundo de Thor vê o seu fim após um plano de Loki aliado a Surtur. É o fim de Asgard e de todo o seu povo.
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Fase de J. Michael Straczynski
Após um hiato de três anos desde o seu cancelamento após o Ragnarok, a revista Thor finalmente voltou a ver a luz do dia sob a responsabilidade do aclamado roteirista J. Michael Straczynski, acompanhado do excelente artista Olivier Coipel. Na trama, Thor – que estava em uma espécie de limbo – é trazido de volta pelo médico Donald Blake, retornando a velha dinâmica das histórias iniciais onde os dois dividiam o mesmo corpo trocando de lugar quando necessário. Na trama, partindo da premissa de que “onde existe Thor, sempre existirá Asgard”, o deus do trovão usa seus poderes para trazer a Cidade Dourada de volta, colocando-a poucos metros acima do deserto de Oklahoma. Em seguida, Thor sai pelo mundo trazendo de volta seus amigos asgardianos, aprisionados em corpos humanos.
A Panini já lançou dois encadernados dessa excelente fase, sendo eles O Renascer dos Deuses e Em Nome do Pai. Ambos já tiveram reviews feitos aqui n’O Vício, e você pode ler o do primeiro volume clicando aqui e o do segundo volume clicando aqui.
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O Cerco

Após um período batizado pela Marvel de Reinado Sombrio, quando Norman Osborn se tornou o manda-chuva do mundo após os eventos da saga Invasão Secreta, eis que surge o curto evento em 4 partes intitulado O Cerco, que nada mais era do que a conclusão desse reinado de escuridão perpetuado pelo ex-Duende Verde. Na trama, escrita por Brian Michael Bendis e com desenhos novamente de Olivier Coipel, Osborn (agora com uma das armaduras de Tony Stark e sob a alcunha de Patriota de Ferro) decide juntar os seus Vingadores Sombrios e fazer nada mais nada menos que um verdadeiro cerco a Asgard. Tudo isso auxiliado por Loki, como não poderia deixar de ser.
Apesar de não ser exatamente uma saga de Thor, a importância de Asgard dentro dessa saga faz com que se torne algo importante na cronologia do personagem, não apenas pelo desfecho de algo iniciado lá na fase de JMS, mas também por tudo que esse acontecimento da queda de Asgard ainda iria desencadear.
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A Essência do Medo
Escrita pelo roteirista Matt Fraction e contando com a arte estupenda de Stuart Immonem, A Essência do Medo meio que serve como uma continuação direta de O Cerco, amarrando algumas pontas soltas que ainda precisavam ser resolvidas sobre Asgard. Na trama, Odin está de volta, e decide levar Asgard de volta para seu lugar de origem, mesmo que isso contrarie as vontades de seu filho Thor, que até então era o monarca da Cidade Dourada na ausência de seu pai. Enquanto isso, Pecado, a filha do Caveira Vermelha, acaba libertando o Deus Serpente, um irmão maligno de Odin que havia sido aprisionado no fundo do oceano eras atrás. Assim, são liberados no planeta Terra sete martelos, que vão parar nas mãos de alguns personagens-chave da Marvel (sejam heróis ou vilões) dando origem aos Sete Dignos da Serpente.
Apesar de divertida e com potencial para uma grande história, o maior problema de A Essência do Medo é o fato de Fraction ir contra muitas das coisas que foram estipuladas na aclamada fase de Walter Simonson. O que fez a saga, que já é fraca, tornar-se ainda mais criticada pelos fãs do deus do trovão, já que contraria material essencial e benquisto na cronologia do personagem.
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Loki
Escrita por Robert Rodi em 2005, e contando com uma belíssima arte pintada de Esad Ribic, Loki trata de imaginar como seria um dia em que o trapaceiro e invejoso irmão adotivo de Thor finalmente o derrota e realiza seu maior sonho: se tornar o soberano de Asgard. Na história, além de vermos a maneira com que Loki lida com seus antigos desafetos (como Balder, Sif e o próprio Thor), somos apresentados a um pouco de sua origem e, é claro, o peso de estar em posição de regente da Cidade Dourada. Uma obra imperdível.
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Ultimate Thor
A versão Ultimate de Thor, apresentada por Mark Millar na obra Os Supremos é sem dúvida uma das encarnações mais interessantes do personagem. Hippie, bêbado, irônico, ativista político, o personagem é muito bem trabalhado (principalmente em Supremos 2) e um dos favoritos dos fãs dessa versão dos Vingadores. No entanto, as origens de Thor na versão Ultimate nunca foram exatamente explicadas ou aprofundadas, deixando uma certa lacuna no passado do personagem e diversas pontas soltas que careciam de explicação.
Sendo assim, em 2010, a Marvel convidou o escritor Jonathan Hickman acompanhado do desenhista Carlos Pacheco, para finalmente revelarem de onde veio esse Thor apresentado em Os Supremos, e tudo que aconteceu até a sua primeira aparição na obra de Mark Millar. O resultado é uma histórias espetacular, que além de amarrar todas as pontas com perfeição, ainda apresenta uma sensacional versão Ultimate para o Ragnarok, o fim do mundo dos deuses asgardianos na mitologia nórdica. Para quem gosta de Os Supremos e queria saber mais sobre Thor, é uma leitura essencial, que inclusive a Panini chegou a publicar por aqui em um encadernadinho com capa mole e papel LWC no já distante ano de 2012. Você pode encontrar o encadernado, clicando aqui!
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Thor – O Carniceiro dos Deuses
Quando a Marvel decidiu revitalizar toda a sua linha editorial sob o selo Marvel Now, (Nova Marvel no Brasil) coube ao escritor Jason Aaron a responsabilidade de trazer novas histórias para o Thor. O que ninguém imaginava, porém, era que o autor traria uma história tão interessante para o personagem, como não se via há anos. Na trama, que se passa em três linhas temporais diferentes apresentando o passado, o presente e o futuro de Thor, somos apresentados ao Carniceiro dos Deuses, um ser maligno que tem como única tarefa matar deuses de todos os tipos, e que atormenta o deus do trovão.
Os encadernados são os seguintes:
- O Carniceiro dos Deuses – Clique aqui.
- Bomba Divina – Clique aqui
- Amaldiçoado – Clique aqui
- Últimos dias de Midgard – Clique aqui. –
A Thor
Ainda sob a autoria de Jason Aaron, surge essa fase que já nasce polêmica e que foi discutida em fóruns pela internet por um bom tempo (e ainda é). Isso porque Thor passa a ser… uma mulher. Mas calma, isso não significa que o filho de Odin tenha feito uma mudança de sexo, como muitos fãs revoltadinhos bradaram por aí na época do anúncio. Simplesmente uma personagem feminina se tornou digna de erguer o Mjolnir, e portanto, de possuir o poder de Thor. O verdadeiro Thor? Ah, esse tá por aí erguendo um machado agora. Sério.
A nova fase fase vem arrancando elogios da crítica especializada e obtendo um ótimo número de vendas, fatores que podem fazer com que A Thor fique entre nós ainda por um bom tempo. E se as histórias estão boas, isso é excelente. Afinal, boas histórias é tudo que importa nesse meio. Pelo menos para mim.
A Panini já está publicando os encadernados da morte da personagem, confira os links abaixo: