Homem-Aranha no Aranhaverso, animação que foi aclamada pela crítica e está colecionando prêmios, tem duas grandes inspirações nos quadrinhos. A primeira, e mais óbvia, é Aranhaverso, saga escrita por Dan Slott que já falamos sobre aqui. A segunda, mas não menos importante, é a minissérie Homens-Aranha, de Brian Michael Bendis e Sara Pichelli, os criadores de Miles Morales.
Miles Morales tinha acabado de surgir no Universo Ultimate, decidido a usar os seus poderes aracnídeos após presenciar o sacrifício de Peter Parker, morto em batalha. No entanto, o que o garoto de 13 anos tinha era apenas muita disposição em fazer o bem e nenhuma experiência. Claro que o próprio Peter Parker também nunca teve ninguém para ensiná-lo, mas ele era dotado de uma inteligência fora de série que fez com criasse seus lançadores de teia, por exemplo.
Foi então que Bendis resolveu duas questões de apenas uma vez. Um crossover dos Homens-Aranha dos dois principais universos da Marvel, e uma espécie de mentor para Miles Morales. Assim, por meio de uma tramoia envolvendo o vilão Mysterio, o Peter Parker do universo regular foi parar no Universo Ultimate, onde estava morto há algumas semanas. Não demora para ele dar de cara com o novo Homem-Aranha de Nova York, Miles, e os dois entram em um breve confronto enquanto tentam entender o que está acontecendo.


Lendo a HQ e assistindo ao filme, ainda que ambos possuam grandes diferenças, é impossível não perceber as inspirações – incluindo Miles usando seu ferrão de choque e carregando um desmaiado Peter Parker usando seus próprios lançadores de teia.
Curiosamente, mesmo que o filme traga um Peter Parker mais velho e turrão e ainda precise dividir seu tempo entre outros Homens-Aranha dos mais diversos universos, a relação entre Peter e Miles consegue ser melhor desenvolvida. No quadrinho os dois acabam tendo poucos momentos juntos, e a trama abre espaço para personagens como Nick Fury e Homem de Ferro de uma forma desnecessária, que impede um maior desenvolvimento e tira o foco do que realmente importa.
No entanto, o contrário também ocorre. Afinal, a cena onde Peter Parker vai até a casa da Tia May daquele universo, que havia acabado de perder o sobrinho, é muito mais densa e carregada de sentimentos na HQ. No filme existe um momento semelhante, mas com um resolução bem diferente, que não é ruim, mas que poderia contar com uma maior carga emocional.
Ao fim, ambos os Miles conseguem a bênção de Peter Parker, mas de formas diferentes. No filme o garoto parece muito mais completo, e a aceitação de Parker é quase uma constatação do óbvio, enquanto no quadrinho Miles demonstra precisar muito mais de uma confirmação de que pode seguir sendo um bom Homem-Aranha, e mesmo assim ainda permanece com muitas dúvidas. No entanto, isso é algo normal na narrativa, visto que Homens-Aranha era apenas um capítulo do início da jornada de Miles como Homem-Aranha, enquanto que Homem-Aranha no Aranhaverso precisa construí-lo como um personagem completo em pouco menos de duas horas. Cada meio conta com sua forma de narrativa.
Homens-Aranha ainda teve uma sequência, pela mesma equipe criativa, que falaremos aqui em breve. No entanto, ao contrário do que aconteceu desta vez, é pouco provável que algo de sua trama seja utilizada em uma sequência do filme da Sony Animation.






Comentários