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É hora de Ben Affleck botar a mão na massa. Em 2018 (possivelmente), ele estrela, dirige, escreve e produz o novo filme solo do Batman. Mas antes de mais nada, eles precisam de uma história. E quando se trata de Batman, não falta material para se inspirar.

Aqui vão cinco possibilidades para os futuros filmes do Morcego, levando em consideração o que eu acho que daria um filme diferente e interessante, assim como o que está sendo estabelecido no Universo Cinematográfico da DC Comics em filmes como Batman vs Superman e os vindouros Esquadrão Suicida e Liga da Justiça.

É importante notar que eu não estou sugerindo uma adaptação literal de nenhuma dessas HQs. A essa altura, acho que já todos sabemos que, com exceção de filmes baseados em obras específicas (ex: Watchmen), filmes de super-heróis nunca são adaptações diretas dos arcos dos quadrinhos, e sim um certo tipo de colcha de retalhos, feita de diversos elementos e referências amarrados em uma narrativa própria.

1- Sob o Capuz/Morte em Família

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É melhor começar logo com o pé na porta, porque é extremamente provável que essas realmente sejam as histórias que servirão de base para o filme.

Morte em Família, escrita por Jim Starlin, mostra a morte do segundo Robin, Jason Todd, nas mãos do Coringa, depois que os fãs o julgaram chato demais para viver e votaram pela sua morte via telefone.

Porém, como sabemos, a morte é mais uma pequena inconveniência no mundo dos quadrinhos, então, 15 anos depois, veio o arco Sob o Capuz, de Judd Winnick, no qual um novo vigilante autointitulado o Capuz Vermelho (assim como a ”antiga” identidade do Coringa) surge para limpar o crime de Gotham usando métodos extremos, e é claro, confrontar o Batman.

A essa altura, eu vou bater no primeiro que reclamar de spoiler ao saber que o Capuz Vermelho é Jason Todd, que voltou dos mortos.

Esses arcos já foram adaptados na animação Batman: Contra o Capuz Vermelho, que elimina os excessos da trama, retifica vários dos pontos sem sentido e estrutura um roteiro cinematográfico eficiente, enfatizando o drama pessoal. A produção, que foi tão bem aceita, talvez seja o filme animado DC mais popular atualmente.

Como se isso não bastasse, vale notar que, na época, Sob o Capuz foi publicado quase simultaneamente ao arco do Soldado Invernal na revista do Capitão América. Ambas são histórias sobre o sidekick há muito tempo morto voltando com uma nova identidade, mas desta vez como vilão. E se considerarmos o quão querido é Capitão América – O Soldado Invernal, isso pode ser um atestado de segurança para a Warner seguir em frente com esse projeto.

Os rumores de que essa seria a trama do filme circulam desde o ano passado. Houve até o boato de que Taron Egerton, de Kingsman – Serviço Secreto, teria sido cotado para interpretar Jason. E o melhor é que tudo o que vimos até o momento parece dar suporte para isso.

Apesar de nunca comentada diretamente, a morte do Robin nas mãos do Coringa está mais do que estabelecida em Batman vs Superman, inclusive com o diretor Zack Snyder confirmando que ocorreu há cerca de 10 anos.

Esquadrão Suicida apresenta o novo Coringa, que é uma figura central em ambos os arcos e indispensável. Não me surpreenderia se o filme terminasse com o palhaço solto e pronto pra tocar o terror em Gotham novamente.

Também teremos a introdução da Arlequina, que não aparece nas HQs citadas, mas suspeito que o estúdio adoraria a chance reaproveitar Margot Robbie aqui. Lembrando que um filme da personagem já está em desenvolvimento no estúdio e contará com a participação de algumas personagens conhecidas, tanto super-heroínas quanto outras vilãs.

Há muito também se comenta de uma aparição de Dick Grayson como Asa Noturna, que poderia ter uma participação muito adequada nesse filme, apresentando-o como um personagem já estabelecido.

O filme também pode trazer um poderoso drama pessoal com o conflito entre o Batman e o Capuz Vermelho. Como todos os grandes vilões do Batman, Jason representa o arquétipo jungiano da sombra. A representação viva de sua maior falha e sua faceta mais agressiva e motivada por vingança, tudo o que ele poderia se tornar se ele se deixasse levar por ela.

É um estudo de personagem muito interessante, afinal, imagina o que aconteceria se o Batman saísse matando e fizesse coisas tipo marcar criminosos a ferro quente para que sejam violentamente mortos na prisão?

Peraí.

Acho que chegamos em um problema chamado “é por essas e outras que o Batman assassino em Batman vs Superman é realmente uma grande cagada, afinal de contas”.

Eis algumas soluções que eu proponho de como contornar esse dilema:

A – Ignorar. Vamos ignorar todos os incinerados pelo Batman e encarar isso como exageros da snydervision. E em último caso, Batman vs Superman já nos provou que o Batman pode muito bem ser um hipócrita gigantesco mesmo.

B – Uma forma mais dinâmica seria incorporar as ações homicidas do Batman como parte da temática do filme.

Muitos interpretam os eventos de Batman vs Superman como um arco de transformação do personagem, de vigilante psicótico para vigilante ligeiramente menos psicótico. Pessoalmente, eu acho que isso não é coerente com as minúcias do filme ou as próprias declarações de Zack Snyder, mas enfim, vamos seguir por esse caminho mesmo.

Esse seria um arco de redenção para o Batman e a razão pela qual ele se identifica ainda mais e de forma mais fantasmagórica com o Capuz Vermelho.

C

int. ARMAZÉM DE GOTHAM – NOITE

O CAPUZ VERMELHO lustra suas PISTOLAS. Vários LÍDERES DA MÁFIA estão amordaçados em fileira. BATMAN entra dramaticamente, atravessando a janela, espalhando cacos de vidro para todos os lados.

CAPUZ VERMELHO

Eu estava esperando que você
aparecesse, Batman.
É hora de aprender uma lição.

O Capuz Vermelho aponta a pistola para a cabeça do criminoso amordaçado mais próximo e dispara. O rosto de Batman é tomado pelo horror.

BATMAN

Você- –

CAPUZ VERMELHO

Já era hora de alguém
fazer o que era necessário.

BATMAN

Você matou os caras que eu
queria ter matado!!!

Batman saca uma METRALHADORA DO RAMBO do seu cinto de utilidades.

CAPUZ VERMELHO

Eita, caceta!

Uma chuva de balas retalha os criminosos e o Capuz Vermelho, que se desfazem em uma grotesca chuva de sangue e tripas. Batman urra intensamente enquanto espuma sai de sua boca. Segurando a metralhadora com uma mão, ele arranca sua armadura com a outra para revelar seu PEITORAL PELUDO, DEFINIDO E BESUNTADO EM ÓLEO. As balas finalmente acabam. O Capuz Vermelho não passa de uma mancha vermelha na parede.

Essa é a minha pequena proposta de roteiro. Se não pode vencê-los, junte-se a eles. Mas seja como for, desde que o filme não tenha a parte onde o Jason revive porque o Superboy Prime socou a realidade (sério), vamos ficar bem.

2 – A Corte das Corujas

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O primeiro arco da revista mensal do Batman nos Novos 52, A Corte das Corujas, deve ser o arco contemporâneo mais querido do personagem.


Escrito por Scott Snyder, a trama vê o Batman investigando uma série de assassinatos ligados à misteriosa Corte das Corujas, que se acreditava ser apenas uma lenda urbana. A corte é uma associação de várias das figuras mais ricas e influentes de Gotham, e que há mais de um século controlam a cidade das sombras. Como se não bastasse, eles mandam os Garras, seus assassinos imortais para executar seu trabalho sujo.

O que eu acho especialmente interessante na corte como o mote de um filme, é que ela quebra a fórmula de vilões estabelecida do Batman, especialmente no cinema.

Diferente do vilão individual com as próprias idiossincrasias servindo como força motora para a trama e frequentemente eclipsando o próprio Batman, essas figuras góticas, elegantes e anônimas aparecem muito pouco, mas sua presença é sentida ao longo de toda a história. Sem falar que eu acho fascinante e relevante ver Bruce Wayne enfrentando vilões pertencentes a própria elite da qual ele faz parte e não simplesmente espancando algum cara com problemas mentais.

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Esse filme enfatizaria no mistério e no lado detetive do Batman, bem como o psicológico (eu adoraria ver a cena do labirinto traduzida para o audiovisual).

E ainda por cima, também trabalharia a mitologia de Gotham City (um dos elementos preferidos de Scott Snyder), tornando a cidade em um mundo fantástico rico e cheio de camadas, ao invés de simplesmente uma metrópole genérica onde a noite dura 22 horas diárias.

3 – Ano Zero

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Para uma trama mais tradicional aos moldes de “Batman enfrenta um de seus vilões estabelecidos no imaginário popular”, o Charada é um personagem extremamente reconhecível e que não dá as caras nos cinemas há mais de vinte anos, desde que Jim Carrey interpretou o personagem em Batman Eternamente (o que não foi lá essas coisas também).

Eu sempre achei o Charada um vilão carismático. Talvez não o mais ameaçador, mas um personagem extremamente divertido de acompanhar. Tem algo muito atraente no conceito desse cara extremamente inteligente, mas extremamente pretensioso, incapaz de calar a boca e obcecado em provar que é mais inteligente que todos (especialmente aquele maldito rato voador convencido). Existiram até planos de incluí-lo em uma participação em Batman vs Superman, mas foram descartados. Inegavelmente, ele é um personagem de presença e personalidade marcantes e que seria um prato cheio para um ator suficientemente inspirado. E no mais, enigmas sempre são divertidos, especialmente quando envolvem serras rotatórias e alçapões, caso o herói falhe em resolvê-los.

A maioria dos quadrinhos modernos, entretanto, o retratam como um vilão meio patético, mais uma inconveniência que não apresenta nenhum perigo real, algo que Jeph Loeb até usou em sua vantagem no arco Silêncio, mas não foi muito longe.

Essa falta de dignidade do personagem é compreensível. Um palhaço psicótico pode ser um ótimo conceito para um vilão, mas um nerd franzino obcecado por quebra-cabeças pode parecer ridículo demais. Peter Milligan até tentou um Charada aos moldes dos vilões agressivamente sombrios em Batman#452, mas alguma coisa não funcionava. Foi em Ano Zero, de Scott Snyder (de novo), que o Charada foi o antagonista principal, em provavelmente sua melhor história.

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Sim, se chama Ano Zero porque, entre outras, é uma reimaginação dos primeiros dias do Batman, mas, isso não seria levado em consideração aqui (mesmo que o jovem e impulsivo Batman de Snyder seja sensacional), afinal, o Bruce Wayne desse universo já tem 20 anos de carreira. Eu quero focar na segunda metade do arco, que é o grande momento do Charada, no qual ele toma o controle de Gotham City e força todos a seguirem sua filosofia de “fiquem espertos ou morram”. Canaliza tudo o que tem de excêntrico, divertido e até extremamente mala no personagem e ainda o transforma em uma genuína ameaça

Mais uma vez, esse filme daria ênfase na inteligência e no lado detetive do Batman e ainda o veríamos tendo que se virar sem os seus habituais recursos quase infinitos, assumindo uma postura muito mais de sobrevivência na cidade controlada pelo vilão.

4 – O Messias

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Essa é uma HQ dos anos 80 que não possui a popularidade imensa de um Cavaleiro das Trevas ou uma Piada Mortal, mas ainda é um pequeno clássico em seu próprio mérito. Ela foi escrita por Jim Starlin, que no quesito Batman é mais conhecido pelo supracitado Morte em Família, mas essa sim é a sua melhor história do personagem.

Nela, vemos Batman sendo capturado pelo Diácono Blackfire, o líder de um culto de fanáticos que se reúne nos esgotos de Gotham e planejam tomar a cidade. Graças a sua personalidade magnética e perturbadora, nem mesmo o Batman está livre da manipulação de Blackfire.

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Tá, é meio difícil imaginar a Warner querendo fazer um filme com um líder de seita maluco que mora no esgoto quando pode simplesmente usar o Coringa ou outra coisa mais garantida, mas essa é a minha lista e vai que o Ben Affleck secretamente fala português e está lendo nesse momento.

A HQ já tem a arte e roteiro muito influenciada pelo Cavaleiro das Trevas mesmo, então seguiria a linha ”massaveia” de Batman vs Superman.

Desde a paleta de cores, o estilo da narração, o uso das televisões como recurso narrativo e até elementos como Batmóvel meio tanque, é óbvia a influência da obra de Frank Miller em Starlin. A HQ também é cheia de alucinações e momentos oníricos que revelam o que se passa na cabeça do Batman, algo que Batman vs Supeman tentou reproduzir com resultados variados. A diferença é que aqui, essas cenas são muito mais justificadas pelo contexto da trama. Em determinado momento, Batman sofre lavagem cerebral e se torna temporariamente um membro do culto. É tipo uma versão casca-grossa de Indiana Jones e o Templo da Perdição. Com o Batman.

Assim como em A Corte das Corujas, esse filme teria uma ótima ênfase no psicológico e no Batman vulnerável e capturado, mas ao invés da elite, os vilões representariam o fanatismo religioso.

E para satisfazer a necessidade de Hollywood pelo espetáculo, a HQ ainda possui um clímax bombástico, com Batman e Robin indo enfrentar o exército de Blackfire sozinhos, armados do Bat-tanque e metralhadoras (que atiram dardos tranquilizantes, naturalmente).

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E sim, existe uma grande participação de Jason Todd como o Robin, mas como nesse universo cinematográfico ele está morto ou ocupado sendo o Capuz Vermelho, pode ser substituído pelo Asa Noturna. Porque Dick Grayson merece.

5 – Torre de Babel/Fim de Jogo

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Recentemente, saíram informações de que Ben Affleck será o produtor executivo de Liga Justiça e que, uma das razões para tal, seria para ”alinhar” o filme solo do Batman ao longo da trama. Dito isso, e se o filme do Batman tivesse a participação da Liga? Afinal, esse vai ser o primeiro filme solo do Batman no qual o universo DC será uma possibilidade.

Mas como esse ainda é um filme solo do Batman, o foco deveria ficar nele e acho que nada mais justo que uma premissa aos moldes de “Batman contra a Liga da Justiça”.

No arco Torre de Babel, de Mark Waid, Ra’s Al Ghul invade o banco de dados do Batman e descobre planos de contenção para, em qualquer eventualidade, neutralizar todos os outros membros da Liga da Justiça. Ra’s então usa as estratégias ao seu favor, enquanto a credibilidade do Batman na Liga é colocada em cheque.

Já o arco mais recente, Fim de Jogo, de Scott Snyder, vê o retorno do Coringa e, na primeira metade da história, ele usa sua toxina para controlar a Liga da Justiça e virá-los contra o Batman. O Morcego então precisa usar todos os seus planos de contenção para lutar contra todos os membros da Liga ao mesmo tempo.

Vale notar que muitas pessoas notaram algumas semelhanças visuais entre o Coringa da HQ e algumas das imagens promocionais e trailers de Esquadrão Suicida. Provavelmente não significa nada, mas eu tenho bastante certeza que a Warner quer aproveitar Jared Leto como o Coringa o máximo possível.

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Eu não proponho uma adaptação muito fiel de nenhum desses arcos, apenas pegar emprestado alguns dos elementos mais interessantes das duas, dando o foco tanto na paranoia do Batman e sua incapacidade de confiar plenamente em qualquer um, como no seu infame poder de preparo. Sem falar que ter que enfrentar seus próprios amigos, que por acaso também são as pessoas mais poderosas da Terra, é o ápice do conflito físico e ideológico.

É importante frisar que, mesmo com Sob o Capuz provavelmente sendo a base para o longa, todas as outras escolhas podem muito bem ser utilizadas em continuações.

Percebi que tem muita coisa da dupla Scott Snyder e Greg Capullo nessa lista. Mas faz sentido o cinema olhar para os Novos 52 como inspiração. Acredito que a fase dele realmente é a melhor coisa do Batman em muitos e muitos anos.

E aí, o que vocês acham? Quais HQ’s do Batman você acha que dariam um bom filme? Comentem abaixo e digam o que acharam da lista.



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