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Chegou a vez da editora que é queridinha dos leitores!

PAPER GIRLS, VOLUME 4, DE BRIAN K. VAUGHAN E CLIFF CHIANG
Eu tenho uma teoria sobre séries autorais que são publicadas de forma contínua em encadernado, como é o caso desta, Paper Girls, de Brian K. Vaughan e Cliff Chiang. A minha teoria é que conforme os volumes vão avançando nossa sensação de memória durée, ou seja, a duração da nossa sensação de leitura, fica menor. Isso porque já conhecemos o mundo das histórias e os personagens implicados. Assim, neste quarto volume me dá a impressão de que eu li muito menos do que no volume um porque já estou envolvido com a história de uma maneira tal, que não preciso me prender mais em detalhes e explicações. É um fenômeno estranho e gostaria de saber se ocorre só comigo ou com vocês, leitores das minhas resenhas, também acontece. Bem, não é preciso dizer, mas eu digo mesmo assim, que este volume continua o trabalho incrível da dupla Vaughan e Chiang, dando mais pistas sobre os motivos das meninas estarem se deslocando freneticamente no tempo. É adorável de ler e tem momentos muito tocantes e engraçados, com várias sensações sobre a história se misturando da mesma forma que essas sensações se misturam na vida. E se um quadrinho consegue emular sensações tão verossimilhantes, é porque ele é sensacional, não é mesmo?

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DEADLY CLASS, VOL. 1, FILHOS DE REAGAN, DE RICK REMENDER E WES CRAIG
Quando comprei esse quadrinho, encantado pela arte da capa, não havia me dado conta de que se tratava do quadrinho que virou a série de televisão que tanto foi anunciado no estande da Netflix na CCXP do ano passado. Talvez, se tivesse feito a ligação entre as duas coisas desde o começo nem tivesse comprado. Mas a HQ é muito mais do que uma historinha “massaveio” sobre uma escola de ensino médio dedicada a ensinar assassinos, no melhor estilo Hogwarts para matar os outros. Não, não. Esse quadrinhos nos brinda com todas as possibilidades da forma e da mídia quadrinhos, trabalhando elas com uma precisão cirúrgica para se obter os efeitos desejados da narrativa no entendimento do leitor. Não sei exatamente de quem é o mérito da escolha dessa linguagem, se do roteiristas Rick Remender ou se do artista Wes Craig. Acredito que seja do último, pois conheço bem o trabalho do primeiro e não costuma ser assim. As cores de Lee Loughridge também emprestam a atmosfera necessária para o quadrinho ser lindíssimo visualmente. Deadly Class é praticamente uma aula de como fazer de uma história em quadrinhos uma História em Quadrinhos. Por isso me surpreende bastante que uma história tão arraigada na linguagem de quadrinhos tenha sido escolhida para ser adaptada para a televisão. De qualquer forma, já estou aqui com o segundo volume para uma bela leitura!

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ALEX + ADA, VOLUME 3, DE JONATHAN LUNA E SARAH VAUGHAN
É uma história de robôs e inteligências artificiais? É! Mas é tão tão tão humana que alguns humanos deveriam ser rebaixados a menos que máquinas ao perceberem seus comportamentos artificiais. Sabe aquelas histórias que quando chega no fim você já se apegou tanto com esses personagens que não quer que acabe? Que a história despertou tantos sentimentos conflitantes em você e explodiu sua cabeça para sensações diferentes e te trouxe uma camadinha de conhecimento mais elevada sobre como nós, humanos, funcionamos (às vezes como máquinas orgânicas)? No terceiro volume de Alex + Ada, os dois resolvem fugir depois que o governo dos EUA decide caçar os androides sencientes e seus proprietários. Ada, a IA e Alex, o humano proprietário, querem viver o seu amor sem que Ada sinta preconceito ou seja perseguida por ser uma autômato. Então aqui existem muitas metáforas e analogias da sociedade real. A maneira como os autores trabalham o futuro permeado de máquinas também é muito interessante e com uma pegada bastante real. A finitude da vida (humana e androide) também é discutida aqui e rende muitos pensamentos para quem lê esse quadrinho. A eternidade do amor também. E é ela a grande mensagem da história em quadrinhos Alex + Ada, de Sarah Vaughan e Jonathan Luna.

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OBLIVION SONG, VOLUME 1, DE ROBERT KIRKMAN E LORENZO DI FELICE
É bastante incrível que este Oblivion Song seja apenas o terceiro trabalho da fase autoral de Robert Kirkman que saia no Brasil, levando em conta o sucesso estrondoso que a série The Walking Dead faz por aqui e pelo mundo. Contudo, temos de aplaudir a Editora Intrínseca pela iniciativa de trazer esta publicação para cá. Dito isso, a série segue os padrões das séries autorais de Kirkman: muitos problemas humanos com um pano de fundo fantástico e irreal. Neste caso, 300 mil pessoas da Filadélfia são transportadas para um outro mundo e lá se perdem. Um cientista chamado Nathan sente que tem o dever de resgatá-las. A arte e os conceitos do mundo e das criaturas de Oblivion por Lorenzo DiFelice e as cores de Annalisa Leoni dão um tom sombrio e misterioso à narrativa, pois existem muitas coisas que o leitor precisa descobrir em Oblivion Song e que nenhum dos autores entrega de bandeja para o leitor, obrigando a acompanhar a série se quiser desvendar segredos que nem os próprios personagens conhecem sobre a realidade daquela narrativa. Oblivion Song não é um The Walking Dead, nem é sensacional, mas é um leitura boa e instigante.

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LAZARUS, VOL. 2, DE GREG RUCKA E MICHAEL LARK
Iuhuu! Isso sim é que é quadrinho bom! Eu tinha me proposto ler só um historinha antes de dormir, porque estava caindo de sono. E não é que li todo o encadernado porque me prendeu de uma forma que eu nem caí dormindo lendo em cima de dele como acontece normalmente. A coisa boa deste segundo encadernado de Lazarus para o primeiro é que ele apresenta um nova perspectiva do mundo que Rucka e Lark trouxeram anteriormente. Ele também dá foco nos degredados, nas pessoas que vivem à margem da ditadura de produção capitalistas das famílias que dominam este mundo pós-apocalíptico. Ele também traz vislumbres da formação da Lazarus Eve Carlysle. Quando você chega no final da história do encadernado, percebe o quanto ele rendeu na suas mãos. Dá a impressão de que você leu não um volume, mas três, de tanto que você é submergido nas histórias e submetido ao novo mundo criado aqui e nos dramas e dilemas dos personagens. Está sendo uma recompensa imensa, tanto de roteiro como de arte acompanhar essa série independente de Greg Rucka. Se você quer dar uma chance para uma nova série da Image ou do “mainstream alternativo”, tem que ser essa!

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