
Grant Morrison... Para muitos o nome dele significa criatividade e brilhantismo. Ele é o autor de histórias consagradas como “Grandes Astros Superman”, “Asilo Arkham”, “WE3″ e sua run com “Homem Animal.” Admito que nunca fui tão fã do careca, porém, depois de reler tudo que ele escreveu em sua fase com o Batman, comecei a vê-lo com outros olhos.
Sim, meus amigos, a run de Morrison no Batman é uma carta de amor ao personagem. Melhor dizendo, é uma carta de amor ao meu personagem favorito. Não importa quantas vezes o Batman morra nos quadrinhos, Morrison nos mostrou que Batman é eterno.
Fazendo uma análise desde o começo da história, com a chegada de Damian (filho de Bruce Wayne), vimos que a DC estava permitindo que Morrison tivesse liberdade total para explorar grandes ideias e levar o personagem para lugares em que ele nunca esteve antes em sua rica história. Afinal, Morrison sempre foi um cara ousado, ele faria coisas que outros autores não teriam coragem.
O conhecimento e o respeito que Morrison tem pela história do Morcego é algo palpável. Ele conseguiu resgatar detalhes e conceitos originários dos anos 50 e 60. A inclusão de personagens como o Bat-Mirim, o retorno do “Clube dos Heróis” e o filho que ele teve com Talia al Ghul (leia “Batman: O filho do Demônio”) foram inseridos naquela continuidade sem torná-los ridículos. Agora eles pertencem ao mito mais moderno do Batman e isso mostra aquele respeito que citei.
Quando o Batman morre em “Crise Final”, dá aquela agonia. Depois, sabemos que Bruce está perdido no tempo e tentando retornar ao presente. Ele nunca desiste, afinal, ele não é apenas o maior detetive dos quadrinhos, ele também é o grande sobrevivente. Em “Descanse em Paz”, Morrison consegue mexer com a cabeça do leitor como se um terremoto.
O desaparecimento de Bruce Wayne faz com que outra estrela brilhasse: Dick Grayson, o primeiro Robin, tornou-se o Batman. Dick provou ser digno de vestir o manto do morcego e Morrison soube explorar, de forma bela, o personagem. Mostrando toda a individualidade de Dick e do resto da família. Damian e Dick mostraram que a nova dupla dinâmica era tão poderosa quanto a antiga. E até bem mais interessante: Dick tem um caráter bastante positivo que ganhava contraste ao lado do sombrio Damian, demonstrando a dicotomia dos personagens que agiam em unidade. Morrison criou Damian Wayne e escreveu sua jornada, durante sua run, vimos um guri impetuoso tornar-se um herói que merece ser tão admirado quanto qualquer outro personagem da família do Morcego. A ideia da dupla dinâmica nunca pode morrer e Morrison quer nos ensinar isso. Ah, sem Morrison não teríamos a cena em que Damian nos apresenta a Bat-vaca:
Também devemos lembrar da ótima equipe de artistas que trabalhou com Morrison para dar forma a tudo que ele imaginou: nomes como J.H. Williams III, Frank Quitely, Andy Kubert, Tony Daniel, Philip Tan, J.G. Jones, Cameron Stewart, Andy Clarke, Frazer Irving, Yannick Paquette, Chris Sprouse, David Finch e Chris Burnham. Todos contribuíram com essa run brilhante. Sem eles, Morrison teria apenas belas palavras em um pedaço de papel. A imaginação dele ganhou vida graças ao talento desses artistas.
O Superman conseguiu resumir a ideia de o “O Retorno de Bruce Wayne”: “Ele pode sobreviver em qualquer lugar. Em qualquer tempo. Sobreviver é o que ele faz.” Morrison mostrou que o Batman irá durar para sempre e sobreviver no passado, presente e futuro. Ele é parte da mitologia humana moderna, alguém que amamos, alguém que gostamos de imaginar. Confesso, Morrison e seu Batman me fizeram experimentar um carrossel de emoções: algumas vezes eu ficava feliz, em outros momentos, perplexo, depois irritado, mas no fim, eu estava comovido. Sim, eu sinto falta dessa fase do Morrison, mas hoje eu sei que Batman é perene e sua missão é inesgotável. Morrison merece o apreço e admiração de qualquer fã do Morcego por mostrar o seu amor pelo Batman. Ainda que tanta coisa tenha mudado (e vai mudar ainda mais em breve), as palavras de Morrison ainda estão lá, várias ideias dele já fazem parte da lenda. E no final, tudo será como Morrison falou: “Batman e Robin nunca irão morrer.”
E você? O que achou dessa fase? Sei que já faz tempo que acabou, mas merece que você leia novamente. Lembrando que toda a run de Grant Morrison foi encadernada em versões Deluxe pela Panini, você encontra uma lista com elas, clicando aqui.