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Seja pelos filmes de comédia ‘pastelão’ ou outras pontuais obras de gênero, o cinema nacional sempre gerou apetite no público brasileiro. O desenvolvimento da indústria doméstica, no entanto, é atrapalhado por uma concorrência desleal de distribuição, defendida por uma lógica de demanda tão frágil quanto folhas secas ao vento. A luta de Homem com H (2025), da grande distribuidora Paris Filmes, para conseguir salas é um exemplo disso.
Conforme levantado pelo portal Filme B, entre 29 de maio e 4 de junho, a cinebiografia de Ney Matogrosso foi, por mais uma semana, o 5º filme que mais levou público aos cinemas.
No período medido, Homem com H (2025), que está em exibição há 5 semanas, distribuiu 46.620 pessoas em 201 salas, enquanto o recém-lançado Confinado (2025), estrelado por Anthony Hopkins e Bill Skarsgård, atraiu 30.353 pessoas para mais que o dobro de salas, 422.
Você ainda pode dizer que Confinado (2025) recebeu tantas salas a mais porque é uma estreia. No entanto, como explicar Thunderbolts* (2025) com 266 salas levado 17.694 pessoas aos cinemas, e Karatê Kid: Lendas (2025) com 243 e 16.393 de público? Está ganhando mais salas o filme de maior demanda?

Tem algumas décadas que os formadores de opiniões tratam o rico cinema brasileiro como um circuito que precisa se provar sempre. Dizem que não tem demanda, não faz bons filmes com frequência e é monotemático. Tudo mentira, fruto de uma postura pedante que atrasa o desenvolvimento de todo um ecossistema.
Nos últimos 6 meses, o cinema brasileiro venceu no Globo de Ouro, no Oscar, no Festival de Berlim e no Festival de Cannes. Agora, Homem com H (2025), com 65 salas a menos, chega a sua 5ª semana com mais fôlego que um filme da poderosa Marvel Studios. O que o cinema nacional ainda precisa provar para que sua distribuição seja levada a sério?
Estou ansioso para descobrir, principalmente nessa onda positiva com investidores estrangeiros aplicando dinheiro em nossa arte, e possibilitando produções de maiores orçamentos.






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