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Um dia, um andarilho saiu de casa para esticar as pernas, caminhando. Algo no horizonte, contudo, chamou-lhe a atenção. Ele, então, decidiu persegui-lo para descobrir que o horizonte sempre se renova, e está caminhando até hoje. A história do andarilho e o horizonte tem muito mais a ver com O Vício do que você imagina.

Em meados dos anos 2000, Miguel Oliveira chamou a atenção de uma desenvolvedora de games da Bulgária, sendo co-administrador de uma famosa comunidade de jogadores no Brasil. Ele, então, se tornou desenvolvedor de jogos por um grande período e até trabalhou vendendo jogos online em plataformas brasileiras — no começo do século, era difícil comprar jogos digitais sem um cartão de crédito internacional.

Se, na época, os games representavam o ganha-pão de Miguel, os quadrinhos eram seu hobby e, consequentemente, isso deu origem ao site O Vício.

O Vício não nasceu com planos para ser vendido por um milhão de dólares. O site surgiu porque Miguel precisava de um lugar para escrever sobre os quadrinhos que lia após perder o espaço que tinha em um famoso blog. Não se tratava nem de querer ser lido, mas de escrever e memorizar o que leu.

Como você já deve ter teorizado, o nome “O Vício” foi pensando como uma representação do vício de Miguel por ler quadrinhos — e se você queria uma explicação, está aí!

O site como você conhece não existia até 2015. Embora a comunidade de leitores tenha sido construída desde 2010, somente cinco anos depois, quando os andarilhos Murilo Oliveira e Bruno Gomes se juntaram à jornada de Miguel, O Vício começou a estruturar um corpo de redação.

Aos poucos, o site foi deixando de ser um hobby para virar um portal e, consequentemente, uma empresa, que começou muito rápido a nadar entre tubarões. Os mais antigos vão lembrar das listas da Salvat e dos conteúdos de Pokémon para iniciantes. Saímos dos guias de leitura para a abertura em todos os grandes eventos de cultura pop do mundo.

Muitos andarilhos participaram da caminhada de 15 anos d’O Vício. Por diferentes motivos, a maioria não caminha mais conosco e, como minha participação nessa jornada é relativamente recente — estou no portal há apenas quatro anos —, posso cometer a injustiça de deixar de citar alguns.

Posso falar, no entanto, de quem caminha conosco hoje: Miguel, Murilo, Felipe Pinheiro, Bruno, Gabriel Vieira e Victor Nascimento são os melhores e mais capacitados companheiros que eu poderia ter.

Tenho muito orgulho do time de redação d’O Vício, e sou grato a como todos compraram a ideia da produção de um conteúdo mais autêntico e humano — às vezes até excêntrico — numa era onde a maioria dos portais de nicho trabalha com apenas uma pessoa na redação para revisar textos gerados por inteligência artificial.

Devido a fatores que não valem a pena mencionar por aqui, 2025 está sendo um ano cruel para todos os portais de notícias do Brasil. Nós não somos uma megacorporação, tampouco fazemos parte de um conglomerado liderado por uma grande loja de varejo, e, mesmo assim, mantivemos nossa redação humana, pois acreditamos no poder do jornalismo humano, e é isso que você da nossa estimada comunidade de leitores merece.

Escrevo isso sem fazer qualquer juízo de valor. Nós não somos um exemplo moderno de contracultura, mas trabalhamos com muita confiança no que fazemos.

De Campina Grande, o andarilho saiu de casa sem saber que se juntaria a outros andarilhos do Brasil e construiria o que é hoje o maior site de cultura pop do Nordeste do Brasil.

Enquanto houver pernas, vamos continuar caminhando, pois o horizonte nunca acaba. Vamos seguir mirando nele, junto a você, que faz parte da nossa crescente comunidade de leitores e é parte fundamental dessa jornada.

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