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Recentemente, Robert Kirkman teceu uma dura crítica ao fato de a DC estar inundando as prateleiras das comic shops com o Batman, alegando que isso faz mal para a indústria. Bem, a editora não faria isso sem um motivo, e dá para dizer que hoje a motivação vai além do comercial.

Não é de hoje que a DC aposta tanto no Batman. A primeira resposta para a pergunta do porquê de a editora fazer isso é: porque vende! Como bem observou Kirkman, o Homem-Morcego é absurdamente popular e gera uma receita enorme para a casa.

Reprodução/DC Comics

Quanto ao motivo de os criadores se sentirem tão atraídos, isso se dá pelo fato de ser um personagem que pode ser muito facilmente explorado nos mais diferentes gêneros — seja comédia, ação, terror, suspense, aventura, etc. —, cujo mito já é tão grande quanto o de deuses gregos. O Batman transcende os quadrinhos.

Reprodução/DC Comics

Além das motivações românticas e comerciais, o que se dá atualmente é, principalmente, uma estratégia de marca. Esse mito extremamente popular, cuja marca tem valor incalculável, está prestes a cair em domínio público. Pode ter certeza de que há editoras e autores esfregando as mãos para ter a chance de ganhar o próprio dinheiro com algo experimental sobre o personagem.

Por que você acha que está sendo feito esse grande investimento no Universo Absolute só agora? Você é realmente inocente ao ponto de acreditar que essa linha do Scott Snyder nasceu de inspiração pura?

Reprodução/DC Comics

Em setembro do ano passado, compartilhamos aqui a notícia de que a DC está incentivando os autores mais variados da indústria a apresentarem os pitches mais malucos ou diferentes que tiverem sobre o Batman, prometendo facilitar a aprovação.

A ideia pode não parecer clara se você olhar apenas para a superfície, mas, indo mais fundo, ela fica óbvia: a DC quer travar o máximo possível de abordagens diferentes sobre o Homem-Morcego, impedindo assim que, quando cair em domínio público, não seja fácil para outras editoras explorarem a marca.

Uma versão brutamontes, com origem inspirada na abordagem vampiresca original, que é quase letal e usa um monster truck como Batmóvel, por exemplo, já está bloqueada sob a marca do Absolute Batman.

Reprodução/DC Comics

Não é de hoje que o Batman tem múltiplos títulos em publicação. Atualmente são 5 (Batman, Detective Comics, Batman & Super-Choque, Batman & Superman: Os Melhores do Mundo e Absolute Batman), mas já chegou a ser bem mais. O ponto é que, diante dessa nova estratégia, a tendência é só aumentar.

Mais do que isso: repare que não é só o Batman que está recebendo múltiplas versões ao mesmo tempo. Mulher-Maravilha e Superman também estão recebendo diferentes histórias alternativas e reinterpretações de mitologia e origem. Mesmo não vendendo tão bem quanto o Batman, eles também vão cair em domínio público em breve.

É uma corrida contra o relógio para a DC porque, por mais que as outras editoras e estúdios não possam colocar as mãos em toda a mitologia de uma vez, já poderão usar os nomes — e isso, por si só, já é um baque.

Reprodução/DC Comics

O Batman, em sua versão original publicada em 1939, entrará em domínio público em 2035 nos Estados Unidos. O Superman entra um pouco mais cedo, em 2034, e a Mulher-Maravilha é a que mais vai demorar: em 2037.

Sem entrar no mérito de se a inundação de Batman é prejudicial ou não para a indústria, o fato é que, para a DC, esgotar o máximo de possibilidades envolvendo o personagem é, atualmente, uma questão de garantir o próprio futuro.

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