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Você já deve ter notado que Hollywood tem cada vez mais produzido declarações para destacar o uso de efeitos práticos, em uma tentativa de vender suas produções como produtos mais realistas, ou até mesmo mais refinados. A natureza desse evento de negação ao CGI, no entanto, é um pouco controversa.
Como exemplos recentes desse tipo de movimento, temos as declarações de Fede Alvarez sobre Alien: Romulus (2024) e de Nolan sobre Oppenheimer (2023), que usam do jogo de palavras para dar a entender que o CGI não está presente em suas produções.

No caso de Fede, houve destaque para sua “obsessão por não usar tela verde“, e no caso de Nolan, uma ênfase para a frase “zero tomadas de CGI“, que se referia apenas à sequência do teste “Trinity“, e soou como se o filme todo não tivesse efeitos digitais.
Bem, esses dois filmes usam CGI, assim como Top Gun: Maverick (2022) e Missão: Impossível – Acerto de Contas (2023), cujos efeitos práticos também foram enfatizados por Tom Cruise.
Na real, é muito difícil encontrar um filme de alto ou médio orçamento em Hollywood que não use CGI. A grande questão do momento é, por que a tecnologia virou uma espécie de Voldemort (Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado) na comunicação dos estúdios?
Ok, o uso de efeitos práticos é muito bem-vindo, e, de fato, enriquece as produções. Porém, não me parece muito honesto ocultar os méritos da classe de artistas visuais quando um projeto é bem-sucedido.
Aliás, se a verossimilhança de um filme ou série não funciona, o uso de CGI não é necessariamente o principal responsável por isso.
A este ponto da leitura, você deve estar com muita ansiedade para comentar que efeitos horrendos de blockbusters recentes deram origem a essa situação. Porém, o que talvez você não esteja percebendo é que, esse foi um problema gerado por Hollywood!
Nenhum artista visual trabalha querendo entregar um resultado ruim. A classe acabou sendo queimada pela crescente desenfreada de criação de conteúdo da década passada, que forçou muitos profissionais a trabalharem em condições precárias, e, até mesmo insalubres.
A ambição de Hollywood fez com que “CGI” tenha se tornado uma palavra proibida na comunicação, e os artistas visuais, na maioria dos casos, só têm aparecido quando algo dá errado.
Considerando esse cenário, toda essa situação me soa como Hollywood tentando jogar a responsabilidade por seus erros para uma classe menor, que tem pouco espaço para se defender.
E, veja bem, não é como se isso fosse um problema causado por Nolan, Fede Alvarez, Tom Cruise, ou qualquer outro. Eles só estão comunicando suas preferências. A origem da situação, no entanto, parte de quem controla a narrativa, de quem constrói a comunicação, que são os estúdios.
Claro que há exceções. Basta a ver forma como James Gunn (Guardiões da Galáxia Vol. 3), Gareth Edwards (Resistência) e Takashi Yamazaki (Godzilla Minus One) fazem questão de destacar a eficiência de suas equipes de artistas visuais. Até por isso os trabalhos dos três foram os favoritos na categoria de Efeitos Especiais no Oscar 2024.
A vitória de Godzilla Minus One (2023), inclusive, foi justa não apenas por o filme fazer muito com pouco, mas também por reconhecer publicamente o trabalho duro de todos os profissionais envolvidos.