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Executivos de Marvel e DC consideram Quarteto Fantástico: Primeiros Passos (2025) e Superman (2025) filmes bem-sucedidos, mas não deixam de pensar que poderiam ter ido melhor, se o mercado internacional de ambos não tivesse sido tão morno.
Antes dos principais lançamentos, Capitão América: Admirável Mundo Novo (2025) e Thunderbolts* (2025) também tiveram dificuldades fora dos Estados Unidos. A pergunta que Hollywood faz agora é: Por que na Europa e na Ásia o desempenho dos super-heróis caiu tanto?
Há alguns motivos a serem debatidos, mas o primeiro e principal é o desgaste na imagem dos super-heróis, provocado pelos lançamentos pós-2020.
Queda na qualidade

A Marvel encheu o Disney+ de conteúdo questionável, e lotou os cinemas com filmes sem inspiração e feitos sob uma lógica de linha de produção que rapidamente esgotou a tolerância do público.
O presidente da Marvel, Kevin Feige, não quer admitir, mas a fadiga de super-heróis existe, e o estúdio da Disney colaborou para isso ao não perceber que, quando tudo é tratado como especial, nada mais é especial.
A Sony Pictures fez alguns dos mais embaraçosos filmes do subgênero, explorando personagens secundários do universo do Homem-Aranha.
A DC, coitada, não conseguiu acertar nada no antigo DCEU, com exceção de um filme do Aquaman que explorou muito bem o potencial de Jason Momoa como astro e a habilidade de James Wan em fazer belos blockbusters.
Agora que a DC parece, finalmente, estar nos eixos, James Gunn disse acreditar que Superman (2025) não foi tão bem fora dos EUA por causa de um sentimento anti-americano que se espalha pelo mundo. É, isso existe — principalmente na China, mercado que salvou muita produção meia-boca de Hollywood —, mas é uma forma muito simplista de avaliar o caso.
O cinema de super-heróis, no geral, perdeu a conexão com o público. Armadilhas de nostalgia, como Deadpool & Wolverine (2024) e Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa (2021), funcionaram por motivos muito específicos, provando que ainda há apetite para esse tipo de cinema.
Marvel, DC e qualquer outro estúdio que pretenda voltar aos dias de sucesso garantido no cinema de super-heróis precisam ralar para reestabelecer essa conexão.
Sob essa ótica, Quarteto Fantástico: Primeiros Passos (2025) e Superman (2025) são filmes ainda mais importantes do que parecem. Ambos com boa divulgação boca a boca, terão vida longa nas discussões do público.
Os dois filmes devem fechar a arrecadação de bilheteria na casa dos US$ 600 milhões. Isso está longe de ser um desastre; é um ótimo número. No entanto, o importante era que os filmes fossem bons, e eles são. Representam um importante primeiro passo para a necessária correção de rota.
Outra realidade de mercado
Antes da crise sanitária de 2020, Hollywood vivia talvez seu momento mais insano, com quase todo mês um filme diferente fazendo bilhão de dólares nos cinemas.
A realidade agora é outra. As ofertas de streaming e on demand se tornaram tão atrativas para os estúdios quanto para o público.
A maioria dos filmes chegam ao streaming e ao on demand de 30 a 45 dias depois da estreia. Do lado do consumidor, há o comodismo de assistir a novos filmes em alta resolução sem sair de casa; do lado das empresas, há a geração de receita bruta sem necessidade de divisão com os cinemas.
Seja pelos novos tipos de oferta, ou pelos ingressos cada vez mais caros, ir ao cinema se tornou um evento mais especial do que já era. E a tendência é que isso seja acentuado no futuro.
Lidando com essa nova realidade, os estúdios já nem tratam a bilheteria com tanta importância de outrora. Donos de grandes franquias estão mais preocupados na formação de fortes bibliotecas digitais do que na venda de ingressos.
Não me entenda mal, não estou dizendo que bilheteria não é mais importante. Basicamente, ela deixou de ser a única métrica para avaliar se um filme é ou não um sucesso, pois há novas fontes de receita.
Na realidade atual, qualquer filme de US$ 200 milhões que faça mais de US$ 500 milhões em bilheteria já pode ser considerado bem-sucedido.