Apesar de Hayao Miyazaki (A Viagem de Chihiro, Meu Amigo Totoro, O Castelo Animado) não ter planos de se aposentar, o Studio Ghibli está passando por grandes transformações após a aquisição pelo grupo Nippon TV.
Em entrevista ao jornal francês Libération, o co-fundador e atual presidente do estúdio, Toshio Suzuki, comentou sobre os desafios de encontrar um sucessor para Miyazaki.
“Essa é a minha principal preocupação. Certo ou errado, a realidade é que o Studio Ghibli é antes de tudo o gênio criativo de Miyazaki. Nós iremos apenas esperar para outro grande talento sucedê-lo. No momento, não há um no Japão. É muito difícil colocar-se no lugar dele. Eu gostaria de ver alguém surgindo para superá-lo, mas não é fácil. Criar uma obra exige duas coisas. O poder da expressão, que é no que Miyazaki se destaca, e a capacidade de pensar e realizar um projeto. Acho que quando se trata de poder expressivo, Miyazaki é insuperável.”, disse Suzuki.
O mais recente trabalho de Miyazaki, no qual Suzuki atual como produtor, é The Boy and the Heron (O Menino e a Garça). O filme está em cartaz nos cinemas japoneses desde 14 de julho.
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Anteriormente, o filme estava sendo provisoriamente chamado de How Do You Live?, que é a tradução literal do título original em japonês (Kimi-tachi wa Dō Ikiru ka) e o nome do livro que inspirou a trama.
Mas ao anunciar o lançamento nos cinemas norte-americanos para 2023, a distribuidora GKIDS revelou o título oficial em inglês.
O ator Soma Santoki, de 18 anos, dá voz ao protagonista Mahito Maki na dublagem original. Takeshi Honda (Ponyo: Uma Amizade que Veio do Mar, Rebuild of Evangelion) é o diretor de animação.
Joe Hisaishi (A Viagem de Chihiro, Princesa Mononoke, Meu Amigo Totoro) compôs a trilha musical, enquanto Kenshi Yonezu, conhecido pelos temas de abertura de Chainsaw Man e My Hero Academia, interpretou a música-tema intitulada “Chikyūgi” (Globo).
Do que se trata a história?
Um jovem garoto chamado Mahito, em luto por sua mãe, se aventura em um mundo compartilhado por vivos e mortos. Lá, a morte chega ao fim e a vida encontra um novo começo. Uma fantasia semiautobiográfica sobre vida, morte e criação, em tributo a amizade, da mente de Hayao Miyazaki.
A trama do filme é inspirada no romance de Genzaburō Yoshino, publicado no Japão em 1937. Segundo Miyazaki, o livro é muito importante para o protagonista.
Lançamento sem marketing
Antes de sua estreia nos cinemas japoneses, o filme não recebeu trailers, sinopses ou imagens promocionais. O único material de marketing divulgado foi um pôster. Toshio Suzuki foi responsável por essa ideia.
Ele afirmou querer resgatar a época quando se ia no cinema sem saber muito sobre o filme, ao contrário dos tempos atuais com excesso de informação, e disse estar empolgado para surpreender os fãs.
Miyazaki demonstrou receio com a estratégia, mas decidiu confiar em Suzuki. No final, deu tudo certo. A produção arrecadou US$ 13,2 milhões nos primeiros três dias, tornando-se a maior estreia da história do Studio Ghibli, batendo o recorde de A Viagem de Chihiro.