Comentários

Depois de passar um bom tempo me dedicando a Fallout 4 e ouvir (milhões de vezes) a música Country Roads, finalmente, tive a oportunidade de jogar o B.E.T.A. de Fallout 76 no Xbox One, que aconteceu primeiro que as demais plataformas. Apesar de estar marcado para as 20 horas (horário de Brasília), o B.E.T.A. começou um pouco antes, cerca de 30 minutos de antecedência.

Foram cerca de 4 horas de jogatina, mas deu para perceber o quanto o jogo é modificado com a introdução do multiplayer online. Para quem conhece a franquia Fallout, sabe que a experiência é bastante solitária, alguns até reclamaram disso quando Fallout 76 foi anunciado, preferiam continuar com o modo offline e single-player. Mas diferente do que muitos possam pensar, o núcleo de Fallout ainda existe em Fallout 76 e a adição do multiplayer online deixa tudo ainda mais interessante. Abaixo, você pode conferir minhas primeiras impressões:

O Início

Logo ao iniciar ao game, por ter começado junto com diversas pessoas, você já percebe o quão diferente é: há sons de pessoas correndo, convites para grupos (o que me impressionou é o fato de que ao ser convidado, você consegue ouvir a voz da pessoa, sim, o chat de voz está ativo e funciona perfeitamente dentro de um grupo) e uma grande movimentação na tela. Um ponto positivo é que o jogo está com um gráfico bem bonito, apesar de usar o mesmo motor de Fallout 4, tudo está mais imersivo e com um esquema de cores bem diferente. Há também uma grande quantidade de criaturas e robôs no mapa, o que deixa tudo mais vivo. A presença de muitas áreas verdes também diferencia o jogo da mais recente aventura da série.

Diferente do que você poderia esperar, não há NPCs humanos no jogo. Mas há robôs, holotapes, bilhetes, tudo isso acaba gerando pistas e missões, que te farão seguir em frente na jornada. As missões ficam sempre aparentes na sua HUD, é possível seguir o passo a passo. Um fato interessante é que, ao entrar em um grupo, você pode ver o andamento das missões de seus companheiros, sendo possível ajudá-los a completar as quests e ganhar experiência por isso. Entretanto, ajudar seus amigos a prosseguir nas missões, não ajudará no progresso das suas. Cada jogador progride de forma individual, para que você possa acompanhar a história de forma tradicional.

Eventos?

Como disse, graças ao fato de que todos estavam começando ao mesmo tempo, aliado com o fator de que este era um teste de força do servidor, acabei me deparando com uma grande quantidade de pessoas. É algo bem frequente. Embora, eu acredite que em um servidor definitivo, após o lançamento do jogo, os jogadores ficarão bem mais afastados, visto que a quantidade de jogadores será bem menor. Para testar uma experiência mais solo, decidi ir ao sentido contrário de algumas missões principais, seguindo o rastro de uma missão secundária, que me levou para outra cidade, onde encontrei um evento contra os ‘Chamuscados’, um tipo de ghouls com pele queimada.

Sim, o jogo possui uma série de eventos que acontecem em certos pontos do mapa. Lá, você pode completar desafios para poder ganhar recompensas. Neste evento, eu tinha que sobreviver ao ataque dos Chamuscados durante 5 ondas diferentes. Sozinho é possível? Sim, mas como eu tinha acabado de começar, precisei da ajuda de meus amigos do grupo (e lá se foi minha experiência solo). Foi possível ganhar uma boa quantidade de experiência, além de equipamentos para meu personagem. Ao ficar tão perto dos ghouls que apareceram no caminho, durante um bom tempo, acabei obtendo uma mutação, para minha sorte, ela era benéfica: Meu personagem ganhou um ‘Fator de Cura’, que permitia recuperar HP mais rapidamente.

Acabei me deparando com outros eventos, embora, alguns eu falhei miseravelmente. Apesar disso, foi uma experiência agradável, uma forma divertida de interagir com o mapa. Enquanto explorava cada recanto, consegui juntar bastante itens. Tive a sorte de não me meter em nenhum PvP, apesar de ter visto jogadores se matando.

Sobrevivência

Sim, o aspecto de sobrevivência é interessante. É preciso comer e beber durante seu gameplay, afinal, seu personagem pode passar fome e sede. Um ponto legal é que a comida tem uma certa validade em seu inventário, ela vai perdendo propriedades com o tempo e pode estragar. Se você não achar água limpa, não se preocupe: é possível ferver a água suja e usar de forma potável. É uma mecânica que promete te entreter durante algumas horas, mas que deve ficar mais desafiadora com o tempo. No começo, ao menos no que joguei, meu personagem não sentiu tanta fome, já que foi bem fácil encontrar comida durante todo o tempo. Além disso, é possível usar o acampamento para cuidar dessas necessidades, logo, é bom usar o recurso durante sua jornada.

E o sistema de cartas?

Então, apesar deste foco na sobrevivência e multiplayer, o jogo ainda mantém os elementos de um RPG. O sistema S.P.E.C.I.A.L. passou por algumas alterações, ganhando o sistema de cartas como novo núcleo. Você pode desbloquear pacotes de cartas ao ganhar níveis e usar os bônus associados a estas cartas para melhorar seu personagem. É uma forma divertida de escolher como melhorar seu personagem. Durante minha aventura, aproveitei que estava em um grupo e investi em carisma. Como não existem NPCs humanos, o elemento ‘Carisma’ ganhou um foco voltado ao jogo em grupo. Consegui mais experiência, menos dano e isso me fez avançar bem no jogo.

E o V.A.T.S.?

Vi bastante gente perguntando sobre o sistema V.A.T.S., diferente dos jogos tradicionais, não há uma diminuição no tempo, afinal, o jogo se passa em tempo real, já que é online. Mas o VATS ajuda para mirar no inimigo e ter certeza de que você irá acertar. Logo, ele te ajuda a ganhar mais confiança em suas ações, principalmente contra os necróticos.

Juntos ou sozinho?

A escolha depende mesmo de você. Durante meu tempo em grupo, eu realmente apreciei a quantidade de diversão, experiência e facilidade para enfrentar os eventos e desafios do jogo. Entretanto, eu acabei não prestando tanta atenção na história, já que meus colegas de grupo não paravam de falar e comemorar o fato de estarem jogando. Ao jogar sozinho, eu consegui seguir a história de forma mais imersiva, seguindo o meu caminho e entendendo melhor o que estava fazendo.

Por mais que pareça bobo, escutar as holotapes é algo que precisa da sua atenção, já que elas servem como registros, evidências e mensagens daqueles que ficaram para trás com os eventos da Grande Guerra. De todo modo, jogar em grupo aumenta ainda mais a distração. Porém, é possível seguir as missões, ouvir a história e depois partir para um grupo para propósitos específicos. Não me entenda mal, eu realmente vejo a vantagem de jogar em grupo e também entendo os benefícios, mas confesso que me senti mais confortável em seguir a história de Fallout 76 ao passar um tempo sozinho. E a história é boa? Sim e bastante cativante.

Resultado?

No geral, o B.E.T.A. de Fallout 76 mostrou que o jogo é viciante e excitante. Apesar de ser diferente da experiência tradicional de Fallout, até os jogadores veteranos e mais conservadores irão se deparar com horas de diversão e exploração no game. Há muita coisa para fazer e há diferentes jeitos de jogar. É um game que promete agradar diferentes tipos de jogadores, mas que também irá cativar boa parte dos fãs da franquia.

Fallout 76 chega oficialmente para PC, PS4 e Xbox One em 14 de novembro, mas você pode participar da fase B.E.T.A. com a pré-venda do game.

Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.