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Muitos podem não saber, mas vários dos elementos norteadores de Stranger Things são baseados em relatos reais, incluindo os traumáticos experimentos do Laboratório de Hawkins, que são uma releitura do infame Projeto Montauk.
Sim, o programa de experiências ilegais lideradas por Martin Brenner na ficção, já foi tópico de muito debate, e acredita-se que foram conduzidas, principalmente, em crianças sequestradas entre os anos 70 e 80.
Jamais comprovado, o Projeto Montauk é conhecido como uma das teorias da conspiração mais bizarras da cultura conspiratória, e os relatos sobre o suposto centro de pesquisa ilícito se intensificaram graças a um nome um tanto polêmico: Preston Nichols.
A obra que “denunciou” os experimentos

Tudo veio à tona em 1992, quando Nichols publicou o polêmico The Montauk Project: Experiments in Time, denunciando um programa ilegal realizado em pessoas nos confins de Long Island.
O autor relatou que tinha “memórias reprimidas” de ter trabalhado em Camp Hero, a base militar que seria o lar de tais experimentos, com a finalidade de desenvolver técnicas de guerra psicológica e investigações sobre viagem no tempo e no hiperespaço.
A publicação do livro apenas fomentou os rumores de que militares estavam realizando experimentos ilegais em meados dos anos 80, enquanto outras pessoas surgiram ao decorrer dos anos, afirmando que também tinham conhecimento sobre o Projeto Montauk.
Nichols teria iniciado seus trabalhos com a obra após recuperar parte das memórias de seu período como pesquisador na base militar, relatando detalhes do interior das instalações, experimentos perturbadores, incidentes paranormais e mais.
O projeto, segundo ele, tinha como foco as pesquisas sobre a “expansão” da mente humana, tendo o controle mental e a telepatia como principais objetivos.
O contato com vida alienígena, a abertura de portais no espaço-tempo e a pesquisa sobre outras dimensões, contudo, também compunham a área de estudo dos pesquisadores.
Preston Nichols, inclusive, relata em uma das passagens de seu livro, ter presenciado a abertura de um portal para 1943, além de objetos que se materializam de forma misteriosa em uma cadeira.
Os relatos foram considerados imprecisos e impossíveis de comprovar, e muitos estudos acreditam que tais alegações foram, na verdade, “consequências” do Experimento Filadélfia, sendo apontado apenas como uma “lenda urbana”.
O que foi o Experimento Filadélfia?

Conhecido também como Projeto Rainbow, o Experimento Filadélfia serviu como uma espécie de alicerce para todas as outras teorias da conspiração envolvendo tecnologias secretas dos EUA.
Ocorrido por volta de 1943 nos estaleiros da marinha na Filadélfia, o experimento consistia em tornar um navio do país “invisível” aos olhos e radares de submarinos inimigos, a partir da Teoria do Campo Unificado.
Diferente do Projeto Montauk, o EF tinha como foco a física e camuflagem, e segundo Carl M. Allen, ex-marinheiro dos EUA, cientistas teriam conseguido atingir seu objetivo com o destróier USS Eldridge.
O mercante garantiu ter testemunhado o feito, afirmando que o tal navio testado teria se tornado invisível aos observadores por um breve período, enquanto relatos mais bizarros dizem que os tripulantes teriam sofrido sérias consequências com o reaparecimento da USS Eldridge, como estados de congelamento e surtos mentais graves.
A marinha americana, claro, garantiu que os relatos de Allen eram falsos, e que os experimentos em questão jamais aconteceram, fazendo com que o ex-marinheiro fosse taxado como mentiroso, e que o Experimento Filadélfia não passasse de uma teoria da conspiração a partir de cartas forjadas.
Você sabia que este navio existe em Stranger Things?

Antes de retornarmos ao assunto principal, uma curiosidade rápida sobre Stranger Things: o navio USS Eldridge basicamente existe no universo da série, e isso foi confirmado em The First Shadow, a peça teatral da saga.
Acontece que, no início do espetáculo, conhecemos o pai de Martin Brenner, o capitão da USS Eldridge que, coincidentemente, desaparece no fatídico ano de 1943 durante um experimento militar, sendo levado para o que conhecemos como a Dimensão X.
É um paralelo interessante com relatos a respeito destes casos, e apenas comprova o quão aficionados são os Irmãos Duffer por tais teorias da conspiração, usando-as como principal inspiração para o mundo de Stranger Things, e que, de uma forma ou de outra, não deixam de ser baseadas em histórias da vida real.
As crianças desaparecidas

Voltando para nosso tópico central e as estranhas conexões com Stranger Things, em sua obra, Preston Nichols relatou que o governo chegou a sequestrar crianças com menos de 4 anos para serem usadas como cobaias do Projeto Montauk, apelidando-as de “Montauk Boys”.
Na série da Netflix, vemos algo parecido, com Brenner e seus capangas chegando a alegar para as famílias de algumas das crianças do Laboratório de Hawkins que elas não estariam mais vivas, embora saibamos que não passava de uma farsa. Um exemplo disso é a própria Jane Hopper/Eleven, que passou parte de sua infância sendo procurada por sua mãe.
De acordo com Nichols, o psicológico dos “experimentos” tinha uma reação tão destrutiva com os experimentos, que eles sequer iriam se lembrar do que havia acontecido no Camp Hero. Uma suposta cobaia, entretanto, provou o contrário em 2017.
Aos 52 anos, um homem chamado Stewart Swerdlow, relatou ao The Sun que ele era um dos infames “Montauk Boys”, confirmando quais seriam os principais alvos do governo para tais experimentos.
“Quando eles começaram os experimentos, eles tinham como principal alvo meninos ‘dispensáveis’. Órfãos, fugitivos ou filhos viciados em substâncias ilícitas. O tipo de criança que ninguém realmente sentiria falta. O objetivo era quebrar sua mente para que eles pudessem programar você… eles manipulam temperaturas ambientes, outras passavam fome e depois se alimentavam em excesso. Lembro-me de ser surrado com um cabo de madeira. E eles adoravam segurar sua cabeça debaixo d’água até você se afogar.”
As consequências, obviamente, também são bem explícitas em Stranger Things, especialmente quando Eleven não consegue alcançar os resultados que Brenner espera.
A Cadeira Montauk

Indo ainda mais longe em suas memórias, Nichols também relatou a existência de uma cadeira usada não apenas como uma ferramenta de controle mental ou materialização de objetos, mas como um motor que, supostamente, gerava túneis no tempo.
O processo acontecia da seguinte forma: o sensitivo sentado na cadeira deveria se concentrar em um período específico, enquanto o computador da base traduzia as ondas cerebrais, oferecendo uma transmissão tão potente que seria capaz de rasgar o tecido do espaço-tempo, criando um portal.
Segundo o autor, as cobaias não eram enviadas apenas para o passado ou o futuro, mas para lugares hostis que, hoje em dia, podemos traduzi-los na ficção como o Mundo Invertido, graças ao imaginário dos Irmãos Duffer.
Sobre a “Cadeira Montauk”, Stewart Swerdlow relatou que muitas das cobaias chegaram a se perder em suas viagens, descrevendo também uma conexão bizarra com o potencial desligamento do objeto.
“[…] Ainda tenho pesadelos com isso hoje. Eu não estava lá quando a cadeira Montauk foi desligada, mas senti, como se de repente tivesse sido desconectado da eletricidade”.
Vale destacar que, viagem no tempo não é exatamente um tópico recorrente em Stranger Things, embora conceitos de filmes como De Volta Para o Futuro, sejam constantemente referenciados em diversas ocasiões.
Quando o Projeto Montauk foi encerrado?

Até onde se sabe, a partir dos relatos de Nichols, o Projeto Montauk teria sido encerrado por volta do início dos anos 80, quando alguns dos pesquisadores se rebelaram com um acontecimento monstruoso.
O autor descreve que um menino chamado Duncan Cameron, uma das cobaias, teria simplesmente materializado um monstro de seu subconsciente, descrito como “grande, peludo, faminto e desagradável”.
Preston escreveu que os pesquisadores tiveram que destruir todos os equipamentos do Projeto Montauk para que a criatura fosse destruída, já que essa seria a única solução capaz de enviá-lo para sua dimensão original.
Após a destruição do equipamento, o local teria sido inundado com cimento, encerrando o projeto de vez, enquanto todas as cobaias e outras pessoas envolvidas tiveram suas memórias suprimidas.
Mas, afinal, estes relatos te lembram algo? Monstros, experimentos, mundos hostis… Tudo isso abriu margem para o esboço do Mundo Invertido e o universo de Stranger Things como um todo, além de, claro, as evidentes inspirações em Dungeons & Dragons nas criaturas da franquia.
O Camp Hero, vale destacar, realmente existiu, e parte da sua estrutura externa chegou a ser registrada ao longo dos anos em fotografias diversas. Um laboratório secreto dentro da instalação, entretanto, nunca foi comprovado.
Na verdade, hoje em dia, o Camp Hero se tornou um Parque Estadual, e qualquer pessoa pode visitá-lo, o que fez com que muitas pessoas continuem alimentando as teorias sobre o Projeto Montauk, em decorrências às estruturas serem seladas.

Isso abre margens para muitos se questionarem sobre o que o governo esconde ali, enquanto Nichols, argumenta que existem, pelo menos, quatro níveis subterrâneos de laboratórios, abrigando a Cadeira Montauk, geradores de portais e dormitórios das cobaias.
Nunca houve uma escavação oficial que confirmasse a existência de tais laboratórios, e o estado de Nova York selou as entradas de bunkers para evitar que curiosos pudessem se aventurar em estruturas instáveis.
Lembrando que, este artigo foi montado a partir de relatos a respeito do Projeto Montauk, sem qualquer intenção de validar sua veracidade. Nosso objetivo aqui é apenas contextualizar como surgiu uma das séries mais amadas da cultura pop.
[BÔNUS] Dica de leitura

De você, assim como eu, adora desbravar os conceitos por trás de Stranger Things, recomendo o livro Stranger Fans, de Joseph Vogel, que além de se aprofundar nas teorias da conspiração que serviram como base para a série, também detalha outras dezenas de obras que originaram o imaginário dos Duffer.
Curiosidades sobre a produção e outros detalhes técnicos também compõem a obra, incluindo o fato da série quase ter recebido o título de Montauk, em referência ao bizarro projeto.
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Stranger Things está disponível no catálogo de streaming da Netflix.






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