
Sinopse:
O Espinho é uma figura lendária: um espadachim imbatível, um especialista em roubos vultosos, um fantasma que atravessa paredes. Metade da excêntrica cidade de Camorr acredita que ele seja um defensor dos pobres, enquanto o restante o considera apenas uma invencionice ridícula.
Franzino, azarado no amor e sem nenhuma habilidade com a espada, Locke Lamora é o homem por trás do fabuloso Espinho, cujas façanhas alcançaram uma fama indesejada. Ele de fato rouba dos ricos (de quem mais valeria a pena roubar?), mas os pobres não veem nem a cor do dinheiro conquistado com os golpes, que vai todo para os bolsos de Locke e de seus comparsas: os Nobres Vigaristas.
O único lar do astuto grupo é o submundo da antiquíssima Camorr, que começa a ser assolado por um misterioso assassino com poder de superar até mesmo o Espinho. Matando líderes de gangues, ele instaura uma guerra clandestina e ameaça mergulhar a cidade em um banho de sangue. Preso em uma armadilha sinistra, Locke e seus amigos terão sua lealdade e inteligência testadas ao máximo e precisarão lutar para sobreviver.
Resenha:
Logo que recebi o livro da editora, eu fiquei encantado com a capa, mas claro, o conteúdo é sempre mais importante. A minha surpresa é que o livro é viciante. Eu me apaixonei pelo livro no momento em que soube que os seus personagens fazem parte de um clã de vigaristas que tratam de roubos e disfarces. Calma, eu não sou um ladrão, o encanto veio por causa dos meus personagens em MMORPG: Em Ragnarok Online eu joguei com um Algoz, fiquei louco quando comecei como aprendiz e virei gatuno e descobri que tinha uma guilda de ladrões, onde eu faria quests para ganhar o direito de participar do grupo. Depois, tem World Of Warcraft, em que eu joguei como Ladino, onde dá pra ficar invisível, abrir fechaduras, baús e assassinar inimigos de forma sorrateira, enfim, o livro me deu a impressão de reviver esses momentos e isso me deu uma sensação muito boa.
Os personagens são bem divertidos e interessantes desde a primeira página. Existe muito humor em seus diálogos, mas o que mais gostei foi o fato de eles terem ganho personalidades tão diversas quando são baseados em arquétipos tão comuns no gênero de fantasia. Locke Lamora é de altura mediana, bem magro, tinha tudo para ser aquele cara pessimista, mas não, ele é cheio de confiança e isso empolga. Quando Jean Tannen aparece na história, a ideia foi que ele seria outro gordo covardão, que nem o de “Crônicas de Gelo e Fogo”, mas não, temos um personagem sensacional aqui.
A ideia de cenário e atmosfera do livro são bastante imersivas. O livro não é descritivo como os de Tolkien, mas dá a ideia de que você está nas ruas, ao lado dos personagens. A cidade do livro, Camorr, foi baseada em Veneza do fim da idade média e é assim mesmo que ela parece, aquela cidade mercadora europeia antiga, dá pra sentir esse clima.
Pra quem gosta de problemas e intrigas políticas em livros (as pessoas ficaram mais receptivas com este tipo de coisa depois de Guerra dos Tronos), saiba que aqui tem várias. O livro sabe equilibrar bem os momentos entre cenas de ação, intrigas e a gangorra entre a história paralela e a central.
Para quem ficou curioso, saiba que Scott Lynch escreve para diversos jogos de RPG, enquanto você lê, é possível pegar as referências dos RPGs na história e eu aposto que este livro pode ser ótimo para quem curte servidores de role playing, tem ótimas ideias para o backstory de seu personagem e até de como seria uma boa personalidade para ele.
O melhor de tudo neste livro é que ele não é feito apenas para os fãs de literatura fantástica, ele é feito para agradar a todos, mesmo que você nunca tenha tido experiência com algum RPG, com algum livro do tipo, saiba que a história é interessante e atraente mesmo assim.
Por fim, eu recomendo a leitura e digo que o livro é sensacional! Aproveite, leia e fique de olho na editora arqueiro, pois mais livros da coleção Nobres Vigaristas vem por aí.