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Era recorrente nas HQs da DC Comics da série Elseworlds colocar seus personagens em tramas alternativas passadas em outras épocas, isso surgiu quando a editora notou que histórias alternativas davam mais liberdade aos autores, para fazerem o que quiserem independente de cânone ou como as séries mensais em que o status dos personagens nunca poderiam ser mudados.


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Consequentemente notaram que essas histórias tinham um grande retorno por parte dos fãs e crítica, uma vez que as duas minisséries alternativas da editora feitas anteriormente estavam na lista de mais vendidas e eram consideradas clássicos, essas eram “Cavaleiro das Trevas” e “Watchmen”.

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Isso permitiu uma ampla exploração de tais personagens em inúmeras épocas, Ed Brubaker projetou sua versão de Batman em um thriller no clima dos anos 50 na HQ “Gotham Noir“, Mark Millar reinventou Superman como um cidadão soviético em “Entre a foice e o martelo”,  todas essas histórias brilhantemente escritas e criativas.

Porém, os fãs de HQs durante muito tempo não desfrutaram desse tipo de história, ainda mais com os personagens da casa das ideias, que sempre apostou mais em suas linhas principais, com raras exceções, e ficamos a mercê de ver como seriam os heróis Marvel em outros contextos históricos.

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Mas, quando Neil Gaiman recebeu carta branca da Marvel para uma minissérie em 2003, ele presenteou os fãs com a, provável, história alternativa definitiva da editora, colocando os personagens da casa das ideias na era Elisabetana.

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O mais interessante da obra é a parte especulativa e a brincadeira com a expectativa dos leitores, enquanto alguns personagens são deixados bem na cara, outros são ocultos e ficamos tentando adivinhar quem ele é, e também tem a ala dos personagens que você já está familiarizado, mas este ainda não obteve seus poderes, e você fica a todo momento aguardando tal transformação.

Isso ao mesmo tempo que é intrigante e fascinante, é um pouco decepcionante, mas justamente pelo fato de ter pouco disso, 90% dos personagens e tramas você sabe exatamente de quem se trata, se houvesse uma parcela um pouco maior de personagens a se descobrir com o decorrer da história, seria ainda melhor.

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Em relação às origens, algumas são brilhantemente pensadas, como a do Quarteto Fantástico em que vemos o grupo como navegadores, e também a dos X-Men, onde Gaiman coloca os mutantes como sendo bruxos.

Ambas fazem total e completo sentido com nossa realidade, como exemplo a relação da busca dos homens pelo desconhecido, no contexto da HQ navegadores desbravando os mares, e no original astronautas desbravando o espaço, tudo isso me faz tirar o chapéu para Neil Gaiman.

 

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Já outras origens não são tão satisfatórias, como a do Demolidor, na versão original um menino corajoso salvando um homem do atropelamento acaba sendo atingido pelo líquido radioativo, aqui temos um garoto que entra em uma caverna e prova de um líquido radioativo, tudo bem que trata-se de uma criança em sua inocência, mas não dá a complexidade necessária ao personagem, mesmo assim, não chega a atrapalhar a história.

Ao meu ver, o grande problema da história, é o gostinho de quero mais que ela nos deixa, principalmente por ela abranger somente os personagens da Era de Prata da Marvel, é interessante saber que foram produzidas continuações que nos contam mais sobre este universo, mas é um pouco triste pensar que não foram escritas por Gaiman.

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Sobre as ilustrações, Andy Kubert faz um ótimo trabalho como sempre, mas nessa história podemos ver o quanto a arte-final é importante, apesar de um ilustrador extremamente competente, o clima que Andy Kubert passaria não casaria bem com o tom da narrativa e a época, mas a arte-final do ilustrador Richard Isanove faz com que os desenhos pareçam pintados, passando o clima de quadros da época, algo mais rústico e vintage, e é isso que faz a arte se sobressair.

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Como nem tudo é um mar de flores, há mais dois problemas que me incomodaram na narrativa, um deles não posso dar detalhes pois acabaria soltando o maior spoiler da HQ, mas preste atenção nas decisões tomadas pelo personagem que se torna o centro de tudo nas últimas edições, pra mim são decisões muito egoístas que não casam em nada com o personagem, que se sacrificaria facilmente para o bem de todos.

O outro problema é algo mais pessoal, se a HQ terminasse umas duas ou três páginas antes teria sido um final mais corajoso, mas entendo os motivos de terem dado um final mais redondinho do que trágico á história.

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Concluindo, 1602 é uma grande obra que deve ser lida por todos, sem dúvida um dos mais imperdíveis lançamentos da Coleção de Graphic Novels Marvel, onde seu maior problema é justamente nos deixar querendo mais.

NOTA: 4/5

E você? Que nota daria a 1602? O que achou da HQ? Deixe nos comentários.



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