
Novo jogo de mundo aberto da Deep Silver, Agents of Mayhem é um action-adventure de tiro em terceira pessoa que chega essa semana para PCs e consoles. A obra apresenta uma espécie de mistura entre G.I Joe, o desenho dos anos 80, e a série Esquadrão Classe-A. Com um gameplay sólido, mas simples, o título tem muita personalidade e carisma, funciona muito bem para quem quer passar um tempo jogando algo leve e cheio de explosões.
A história é um spin-off de Saint’s Row, e como essa famosa série da Deep Silver, está muito confortável em meio ao humor e ao absurdo.
No jogo, Persefone Brimstone, introduzida pela primeira vez na expansão Saint’s Row IV Gat out of Hell, criou a organização MAYHEM para combater o grupo de supervilões conhecidos como a LEGION. Cientistas e inventores malignos bem escrachados, a Legion busca destruir as nações do mundo. E suas atividades recentes fazem com que os heróis precisem atuar em numa futurística Seol, a capital da Coreia do sul. Nesse estilo escrachado de organizações de heróis e vilões, acrônimos canastrões não poderiam estar de foram. Com Mayhem significando Multinational AgencY Hunting Evil Masterminds e LEGION sendo a League of Evil Gentlemen Intent on Obliterating Nations.
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Como o nome indica, caos e destruição são o objetivo principal do jogo. O objetivo dos agentes é combater a LEGION, e a organização não se importa tanto quanto a causar danos colaterais. Não tem muita conversa com capangas do grupo maligno. O jogo é bem focado em chegar até o inimigo e dizimá-lo com as armas e habilidades que os agentes têm á disposição.
Muitos tiros, explosões – e também diálogos engraçados – são o foco da jogabilidade de Agents of Mayhem. E nesse aspecto, o estilo de mundo aberto, não muito diferente do que foi estabelecido em GTA, só que com mais liberdade pra subir pulando e escalar os vários arranha-céus, funciona muito bem. Afinal de contas, perseguições e caos urbano fazem parte do gênero. privar o jogador de dirigir um carro á alto velocidade pelas ruas de Seol, causando mais destruição do que os vilões, teria sido um erro.
Agents of Mayhem é tão voltado para a ação explosiva, que mesmo sendo um shooter em terceira pessoa, não possui nenhuma mecânica de cobertura. O objetivo é o movimento constante, atirando sem parar e alternando entre os agentes a depender da situação.
O jogo possui 12 personagens. Mas o jogador pode ir para a cidade com apenas três deles de vez. Em um sistema bastante estranho, apenas um agente do trio participa dos confrontos por vez, podendo ser trocado instantaneamente com um toque de botão. A ideia dos personagens se materializarem uns em cima dos outros é estranha, mas acaba funcionando dentro da proposta do jogo. Cada um dos 12 agentes possui armas que funciona de forma diferente, movimentação diferenciada, uma habilidade normal, e uma habilidade especial, normalmente bastante pirotécnica.
Além disso, é possível personalizar os heróis com até 3 gadgets, alocar pontos em habilidades passivas conforme passam de nível e equipar um item consumível para ser utilizado no meio do combate. Ainda assim, essa customização parece muito limitada. E a presença de apenas uma habilidade faz com que os personagens pareçam pouco dinâmicos. Certamente ajuda ficar trocando alternando entre os 3 agentes do grupo, mas permanece a impressão de que cada um deles faz menos coisa do que deveria. Faria bem se cada personagem possuísse duas ou três habilidades.
Independente de faltar algo no gameplay de cada agente, eles conseguem ser bastante únicos. E isso não se refere apenas á forma como atuam nos confrontos, mas também em suas personalidades.Uma coisa que a Deep Silver acertou foi em individualizar cada personagem. Os agentes possuem maneirismos bem pensados, divertidos e diferenciados e isso não afeta apenas o gameplay, mas também nos diálogos que acontecem durante as missões.
Por terem um estilo tão bem definido e caricato, os diálogos envolvendo os agentes e os outros operativos da Mayhem são sempre bem únicos. Enquanto saem explodindo a Legion na cidade de Seol, os personagens estão sempre dialogando entre si e conversando com a base. A composição do grupo de agentes, claro, influencia nessas conversas, que costumam ser bastante divertidas e representam muito bem o estilão que o jogo quer passar.
Não há duvidas de que Agents of Mayhem é uma obra muito carismática. Tudo em sua concepção é projetado para ser divertido, exagerado, e com bastante personalidade. Claro que a todo momento se brinca com clichês de super-heróis, espionagem e filmes de ação, com certeza muitos dos personagens são estereótipos bem conhecidos. Mas a Deep Silver consegue alcançar aquele ponto em que as referências conseguem ser bem percebidas ao mesmo tempo em que parecem algo único e divertido.
Muito desse acerto acaba vindo da estética adotada. As animações á lá desenhos de ação dos anos oitenta casa muito bem com tudo do jogo, e o estilo ligeiramente cartunesco dos gráficos dessa tudo muito imersivo. O cast diversificado e bem bolado de personagens, tanto heróis, vilões e coadjuvantes, coroa o acerto nesse campo. A proposta do jogo e sua estética casam perfeitamente.
Agents of Mayhem foi feito para ser um jogo leve e divertido. Com objetivo de fazer o jogador abstrair das dores cotidianas e passar um tempo explodindo vilões – e também inocentes – em um mundo “quase” de super-heróis. Para esse fim, a obra funciona muito bem. No entanto, seu maior acerto pode ser o seu maior problema.
O título não oferece muito mais do que uma história engraçada e vilões e uma cidade para serem explodidos. Apesar de ter muitas missões ao redor de Seoul, praticamente todas se resumem a chegar atirando e sair explodindo o que vier pela frente. Quem não comprar a ideia, não vai se agradar no jogo e vai considerá-lo repetitivo. Não ajuda que muitas vezes as missões, principalmente as que liberam novos personagens, sejam muito demoradas e carregadas no aspecto “atirar em vários inimigos, correr para o próximo local, repetir”.
Assim, o novo título da Deep Silver é um bom jogo, dentro de seus parâmetros. É fácil perceber que foi feito com sinceridade e esmero. Alguns de seus pontos poderiam ser expandidos, e também poderia haver mais variedade em seu gameplay, para além de sua premissa mais básica. Quem gostar da proposta, pode se divertir. Mas quem não comprou a ideia do jogo, faz bem em passar longe. Agents of Mayhem está agendado para lançamento nesta terça-feira dia 15 de agosto, podendo ser adquirido para PC, PS4 e Xbox one.