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Assassins Creed Valhalla foi um jogo tão lucrativo para a Ubisoft, que a desenvolvedora francesa decidiu fazer algo inédito com a franquia: um segundo ano de conteúdo. Assim, chegamos a “Dawn of Ragnarok”, a terceira expansão do game, muito mais robusta do que as anteriores. Afinal, temos agora um conteúdo que pode gerar até 40 horas de jogatina – quase um jogo novo completo.

E esse aspecto de “jogo novo” se mostra um objetivo claro da Ubisoft em todos os aspectos possíveis, da narrativa ao gameplay. Dessa vez não estamos na Inglaterra, na Irlanda ou na França, por exemplo. E muito menos forjando alianças para o guerreiro norueguês Eivor. Dawn of Ragnarok radicaliza, e nos coloca completamente na pele de Odin, o Pai de Todos de Asgard, ou “Havi”, como é chamado por aqui – um de seus muitos nomes.

Odin, bem como Asgard e reinos vizinhos como Jotunheim, já haviam aparecido em Valhalla, quando viajávamos para esses locais lendários através das visões de Eivor. Mas agora, o foco é colocado totalmente na parte mitológica da coisa, com um grande mapa que nos coloca em Svartalfheim, a terra dos anões. Novas habilidades também foram adicionadas, tornando a gameplay muito mais focada na fantasia, tornando Odin um personagem poderoso para o jogador.

Mas afinal, tudo isso faz mesmo Dawn of Ragnarok trazer a experiência de um novo jogo? Infelizmente, não. Na verdade, a chegada dessa terceira expansão mostra os claros sinais de que a Ubisoft deveria deixar Assassin’s Creed Valhalla descansar em paz em focar em novos projetos. Tudo no game já demonstra sinais de desgaste, e a nova DLC parece muito mais o velho jogo apenas com uma skin de mitologia nórdica.

Reprodução: Ubisoft

Mas claro, existem pontos positivos, que tornam a jogatina interessante. O grande destaque, sem dúvidas, fica por conta da narrativa. Livre das amarras impostas pelo fato da franquia trabalhar com contexto histórico real e figuras importantes da humanidade, a Ubisoft teve uma liberdade criativa nunca antes vista em Assassin’s Creed, o que possibilita uma história mais bem construída, com mais reviravoltas e desenvolvimento de personagens.

Na trama, o filho de Odin, Baldr, foi sequestrado por Surtr, senhor de Muspelheim. Surtr está dominando Svartalfheim, o reino dos anões, e tem planos para o local, embora Odin não saiba exatamente quais, e esteja mais preocupado em resgatar seu filho – mesmo que isso leve ao princípio do Ragnarok. Essa é a base da história, que embora simples, oferece tudo que é necessário – motivação, ambientação e progressão narrativa.

Aliás, por falar em progressão narrativa, Dawn of Ragnarok oferece também uma boa progressão em aspectos de gameplay. A grande novidade da expansão é o “Extrai-Hugr”, um bracelete com o qual os anões presenteiam Odin, e que o permite absorver determinadas habilidades de inimigos caídos para usá-las em sua jornada.

Expansão de Assassin's Creed
Reprodução/Ubisoft

São cinco poderes diferentes: o poder de Muspelheim, que permite andar pela lava e se disfarçar entre os soldados muspel; o poder de Jotunheim, que permite disparar flechas capazes de teleportar Odin para locais específicos; o poder do Inverno, capaz de congelar inimigos e aumentar o dano, especialmente se usado em soldados muspel; o poder do Corvo, que permite que Odin se transforme em um corvo e sobrevoe grandes alturas; e o poder do Renascimento, que faz com que soldados caídos lutem ao seu lado.

O Extrai-Hugr possui uma nova aba específica no menu, e pode ser melhorado através dos ferreiros, para ter mais espaços de Hugr – aumentando o número de uso dos poderes -, e também para evoluir as habilidades para níveis mais fortes. A segunda fase do poder de Jotunheim, por exemplo, permite que Eivor se teleporte com as flechas para desferir um ataque em qualquer inimigo.

Porém, vale dizer que as transformações tem um tempo limitado (embora isso também possa ser aumentado através de melhorias), e na verdade se mostram pouco úteis em combate – exceto talvez pela de ressurreição. Quanto ao Hugr, a “energia” específica que carrega a barra que possibilita o uso dos poderes, ele pode ser recarregado em troncos de hugr ou em flores de hugr – essas últimas, aliás, existem em abundância pelo mapa, então é impossível ficar muito tempo sem o material.

E por falar em mapa, Svartalfheim demonstra que o estúdio correto para essa expansão deveria ter sido a Ubisoft Quebec, e não a Ubisoft Sofia. O primeiro foi responsável por Assassins Creed Odyssey e suas expansões, esbanjando criatividade na criação de reinos mitológicos como Elísios, Atlântida e o Submundo. Svartalfheim, no entanto, é pouco criativo, tanto em visual quanto em exploração. Um reino de anões oferecia muitas possibilidades, mas exceto por detalhes pontuais do mapa, como pedras flutuantes no céu e muitos pontos de lava que demonstram a invasão dos exércitos de Muspelheim, o mapa se mostra desinteressante.

Reprodução: Ubisoft

No aspecto exploração, poucas mudanças foram feitas. Existe um cuidado maior agora, percebe-se, em não entregar de bandeja para onde o jogador deve ir em seguida nas missões principais. A grande maioria das missões oferecem dicas de localidade, como “sudeste de tal lugar, com bandeiras ao redor”, o que melhora um pouco o senso de exploração. Também foram acrescentados os esconderijos dos anões, que envolvem pequenas pistas para serem encontrados, mas que não chegam a oferecer desafio. Esses esconderijos são locais onde encontramos barbearia, ferreiros e etc, e são bem parecidos entre si. Novamente, é a velha sensação de estar jogando o mesmo jogo, pela quarta vez, mas com a skin mais diferentona de todas.

De uma forma geral, Dawn of Ragnarok oferece um bom grau de diversão, especialmente para quem gosta de Assassin’s Creed Valhalla. Mas, infelizmente decepciona, quando falha na notória e incessante busca por elementos que tornem a expansão algo novo para o jogador. De acordo com algumas informações divulgadas recentemente, Valhalla teria ainda mais uma expansão, focando em Basin, um dos antagonista do jogo base, mas que supostamente teria sido descartada e transformada em um projeto de um novo jogo, completamente separado de Valhalla. Que seja o caso então. Eivor precisa descansar, e Dawn of Ragnarok deixou isso bem claro.

Nota 8


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