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dpc0011-79a5abfa52aceef9dbf5a38000ba53a2-1024-1024Aproveitando o enorme sucesso do filme do Deadpool, e o fato do Mercenário Tagarela ter uma fanbase consistente no Brasil, a Panini resolveu publicar uma nova linha de encadernados dedicados ao personagem. Sob o título de Deadpool Clássico, o objetivo é postar as primeiras aventuras do anti-herói, incluindo a aclamada e mais famosa fase do personagem, por Joe Kelly e Ed McGuinness.

No entanto, nesse primeiro número ainda não temos sinal dessa fase, e sim uma outra, anterior a ela, e que veio logo depois da primeira aparição do personagem após ser criado por Fabian Nicieza e Rob Liefeld nas páginas de New Mutants #98, de 1991. Trata-se das duas primeiras minisséries protagonizadas por Deadpool, a primeira escrita por seu co-criador Fabian Nicieza com desenhos de Joe Madureira, e a segunda com roteiros de Mark Waid e a arte extremamente noventista de Ian Churchill.

Como todo mundo sabe (e quem não sabe vai saber agora) toda a contextualização cinematográfica do Deadpool veio da fase de Joe Kelly, que começará a ser publicada na segunda edição de Deadpool Clássico. Desde personagens como Fuinha, Cega Al e Vanessa, até os monólogos surtados do personagem e a constante quebra da quarta parede – isso é, quando o personagem sabe que faz parte de uma obra de ficção e inclusive comunica-se com o leitor/espectador. Apesar de aqui, no entanto, ainda não termos essa fase, acompanhamos um Deadpool que já se aproxima daquilo que Joe Kelly faria com ele logo em seguida, abusando de diálogos surtados, piadas sem graça a todo momento, e um humor negro que se tornou uma de suas grandes características. Dessa forma, o Mercenário Tagarela encontrado na HQ acaba sendo bem mais próximo de sua versão cinematográfica, por não contar ainda com os exageros e bizarrices que os quadrinhos atuais do personagem trazem, onde ele mais parece um personagem saído de um desenho Looney Tunes, com todo seu absurdismo e situações sem sentido.

Aqui, apesar de não ainda não ser tão bem delineado e engraçado como viria a ser na fase Kelly, Wade Wilson já dá mostras do quão interessante poderia ser, se bem trabalhado nas mãos do escritor certo. A primeira minissérie, escrita por Nicieza, tem o título americano de Circle Chase, e traz uma verdadeira caça ao tesouro atrás do testamento do vilão Tolliver, que promete ao felizardo que o encontrar, a posse da “arma mais poderosa do mundo“, o que por si só coloca dezenas de mercenários em um corrida mortal uns contra os outros.

Com participações como a dos vilões Fanático e Black Tom Cassidy, a HQ traz uma trama simplória e até pouco inspirada (como quase tudo nos anos 90), mas interessante por já começar a moldar importantes  de Deadpool, como sua parceria com Fuinha e seu relacionamento conturbado com Vanessa Carlysle, além de já arranhar levemente o passado do personagem e sua história com o procedimento da Arma X, que curou o seu câncer lhe dando super força, fator de cura e regeneração, mas desfigurando seu rosto no processo. A arte de Madureira é menos estilizada do que seria mais tarde, tornando-a apenas genérica como a de tantos artistas da década de 90 que seguiam um mesmo estilo que abusava de personagens anabolizados onde até os músculos tinham músculos. A arte padrão dos anos 90.

A segunda minissérie, escrita por Mark Waid, é um pouco mais interessante do que a primeira, apesar de contar em seu plot com algumas situações que são resultado direto de pontas soltas que ficaram após o final de Circle Chase. Waid usa novamente os vilões Fanático e Black Tom, aprofundando na doença degenerativa deste último, e sua obsessão em encontrar aquele que pode ser sua única chance de salvação: Deadpool. O Mercenário Tagarela escrito por Waid – que convenhamos, é muito mais roteirista que o regular Nicieza – é mais engraçado e mais falador, apesar do escritor colocar em sua personalidade uma leve revolta/amargura por conta de seu rosto desfigurado. Tal aspecto acaba sendo muito interessante, pois assim como no filme, vemos que por trás da máscara e dos comentários espirituosos e sarcásticos, existe alguém que sofreu bastante com as porradas da vida. Esse aspecto humano e emocional é o que torna Deadpool bem mais interessante do que a forma como o personagem passou a ser tratado após a fase do medíocre Daniel Way, onde se tornou simplesmente uma paródia de si mesmo.


A minissérie escrita por Waid traz a primeira vez nos quadrinhos no qual o rosto de Wade Wilson é exibido em detalhes, além de marcar o início do relacionamento que o personagem viria a ter com a X-Men Siryn na fase de Joe Kelly. De uma forma geral, apesar desse primeiro volume ainda não trazer aquele que é o melhor material que o personagem já teve nos quadrinhos e que simplesmente o definiu, é uma boa aquisição por já preparar o terreno para o que virá a partir do segundo volume. Apesar de ambas as minisséries serem pouco inspiradas e não trazerem nada de muito relevante dentro do universo do Mercenário Tagarela além do já citado, seu conteúdo histórico se faz indispensável para quem gosta do personagem e para quem pretende ter a coleção completa. E que venha Joe Kelly!

E se você quer saber mais sobre Deadpool, não deixe de assistir o vídeo do nosso canal no YouTube, onde Jon traz uma análise profunda e até mesmo filosófica sobre o Mercenário Tagarela mais amado (e odiado) dos quadrinhos.

https://www.youtube.com/watch?v=MROdxWLbPuE