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DD 6E já está nas bancas o sexto volume do Demolidor de Mark Waid, que a Panini vem lançando em encadernados desde o ano passado. Nesse volume, que compila as edições 31 a 36 da revista americana Daredevil, decisões importantes são tomadas, reviravoltas acontecem, e encerra-se um capítulo na vida do Homem Sem Medo.

Aqui temos a continuação de alguns plots introduzidos em edições anteriores, como a luta de Foggy Nelson contra o câncer que lhe acomete. Uma luta que cada vez mais parece perdida, ainda que ele esteja firme no tratamento, e que Matt tenha fé em sua recuperação. O fato é que conforme o tempo passa, vemos o advogado cada vez mais debilitado.
Outra situação pendente trabalhada aqui (e que envolve a edição inteira), é a descoberta de Matt no volume 5 a respeito dos Filhos da Serpente, uma organização fanática racista que prega a supremacia branca, e que está impregnada na sociedade desde o sistema jurídico à todos os órgãos públicos. Após uma declaração forjada em rede nacional de um promotor mandando a população atacar as residências dos participantes de um juri que inocentou a assassina de um jovem negro, Matt resolve intervir como Demolidor, impedindo que a cidade se torne uma caos. Em meio à confusão, ele descobre que quem forjou a filmagem foi um velho inimigo classe B (ou seria C?) contratado pelos Filhos da Serpente, o Polichinelo.
É legal isso que Waid faz, de inserir vilões pouco conhecidos ou esquecidos nas histórias, trabalhando-os de forma a serem uma ameaça. Aqui tivemos o Polichinelo, mas outros vilões de segundo escalão também já apareceram em edições anteriores, alguns até mesmo com um upgrade, como foi o caso do Mancha e do Garra Sônica. Além de novos vilões, como o Brutamontes do primeiro volume, e o sensacional Ikari, que deu muito trabalho ao Demolidor por possuir as mesmas habilidades do herói, sem ser cego. Isso além de trazer um frescor às histórias, é uma ótima saída para se trabalhar com um herói que não tem uma galeria de vilões tão extensa, limitando-se quase sempre ao Mercenário e ao Rei do Crime, quando falamos de vilões de peso (no caso do Rei do Crime, literalmente).

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Como já é de praxe na fase do autor, temos também nesse volume a participação de outros personagens interagindo e/ou ajudando o Demolidor. Se no volume anterior contamos com o Surfista Prateado, aqui tivemos uma breve aparição de Hank Pym (que vem colaborando com o herói há algum tempo); Elektra, em uma cena que não passou de puro fanservice; o Dr. Estranho, que o ajuda dando uma pista a respeito do Tomo Negro, um livro de ocultismo utilizado pelos Filhos da Serpente; e até mesmo de Jack Russel e a Legião dos Monstros, que indicam onde encontrar o tal livro.
Esses capítulos que envolvem o Tomo Negro, aliás, são bem legais, pois envolvem um plano de Matt para derrubar os Filhos da Serpente com a ajuda da promotora Kirsten McDuffie, novo interesse amoroso do herói, e que foi introduzida desde o primeiro volume dessa fase de Mark Waid. O capítulo do plano é bem dinâmico e com alguns momentos de tensão que fazem querer passar as páginas logo para ver o que vai acontecer.

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Mas o melhor foi guardado para o final. O ato final da edição 6 é a verdadeira cereja no bolo, e que faz com esse sexto volume seja (pelo menos para mim) o melhor até aqui. Após o baque sofrido pelos Filhos da Serpente devido ao já citado plano de Matt, a organização decide agir de uma maneira mais ofensiva, chantageando Murdock. Dois representantes conversam com o Homem sem medo, e pedem que ele seja o advogado de defesa do filho de um deles, acusado de incendiar um prédio em um dos atos terroristas da sociedade. Caso Matt se recuse, os dois tem provas concretas de que ele é o Demolidor e não hesitarão em usá-las.
Não que a identidade do Demolidor seja exatamente um segredo no universo Marvel, desde que foi exposta pela mídia ainda na fase do escritor Brian Michael Bendis. Porém, existem algumas… complicações.
Atualmente, o status do personagem estava mais para um “será que ele é o Demolidor mesmo?”, com algumas pessoas acreditando, e outras não. Um boato que foi perdendo a sua força, e que era levado por Matt com bom humor, sempre negando com um sorriso e até mesmo usando uma camisa com os dizeres: Eu não sou o Demolidor.
O problema é que quando seu segredo foi revelado pelo Globo Diário, Matt processou o jornal, e cometeu perjúrio em seu julgamento quando alegou que não era o herói. Se essas provas forem divulgadas, ele não apenas perde sua licença para advogar, como tem o seu escritório fechado e perde o direito ao plano de saúde que mantém o tratamento de Foggy.

Sendo assim, Matt comparece ao julgamento do rapaz, mas surpreende a todos quando é anunciado por Kirsten como testemunha, e não como advogado. Matt então senta no banco dos réus e faz a fatídica declaração: Eu sou o Demolidor.

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Corajoso, o herói tira dos Filhos da Serpente a única coisa que tinham contra ele, e aproveita seu momento para expôr a situação de como eles estão dentro do sistema judiciário, comprando juízes e promotores a seu bel prazer.
Consequentemente, como já era esperado, Matt perde o direito de exercer sua profissão no estado de Nova York, tem o escritório Nelson & Murdock fechado, e perde a assistência do plano de saúde de Foggy. E nas últimas páginas da edição, temos uma conversa entre o herói e Kirsten, onde ela sugere que ele poderia ainda trabalhar como advogado em algum estado onde já tenha atuado anteriormente. E assim, fica subentendido que a partir da próxima edição, que inaugura uma novíssima fase na vida do Demolidor, teremos o Homem sem medo se aventurando em São Francisco, completamente distante da Cozinha do Inferno e de Nova York, lar do herói durante tantos anos.
É uma grande mudança no status quo do personagem, e um panorama completamente novo. Mas sinceramente, essa edição conquistou até a mim, que até então tinha um pé atrás com o direcionamento que  Waid vem dando ao herói. Mas me sinto confiante agora, assim como Matt na última página.

E assim, encerra-se a 1ª fase de Mark Waid à frente do Demolidor. Parabéns à Panini, que concluiu a fase em encadernados, como deveriam sempre fazer com títulos assim. No próximo volume inicia-se a nova fase do personagem, já pelo selo Marvel Now. Felizmente, a equipe criativa continua a mesma.

Murilo Oliveira, também conhecido como Muriloverso, é jornalista e redator-chefe do site O Vício. Comandando o canal homônimo no YouTube, ele compartilha sua paixão por cultura pop, trazendo análises, curiosidades e conteúdo geek com uma abordagem única e carismática.


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