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Apesar da numeração utilizada pela Panini, Justiceiro #4 marca uma nova fase do personagem, que teve nova numeração na série americana, retornando ao número 1. Além da importância de ser um relançamento e uma nova era pera o Justiceiro, o encadernado também traz o último trabalho completo do finado Steve Dillon, que tem todo um histórico com o personagem, e os roteiros de Becky Cloonan, primeira mulher a desenhar uma HQ do Batman, em 2012 e agora também a primeira a escrever uma série regular do Justiceiro. A dupla tinha o potencial de trazer algo novo e fresco para o personagem ao mesmo tempo em que mantinha uma recordação do seu passado, mas infelizmente, ambos não conseguem se destacar na obra, trazendo para ela um início morno e bem passável.


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Na trama, um cartel de drogas ligado ao grupo de mercenários Condor está na mira do DEA (Drug Enforcement Administration), que acredita está perto de dar o golpe final para desbaratar o grupo criminoso. Mas o Justiceiro tem outros planos, e chegando antes da DEA, chacina todos os bandidos envolvidos, no processo descobrindo sobre a droga EMC, que quando consumida deixa o usuário insano, mais rápido, mais forte e mais resistente que um humano comum, e também que Olaf, antigo superior seu do exército, está envolvido na questão. Durante a trama, então, Frank Castle persegue o responsável pelo tráfico da EMC, Fuça, ao mesmo tempo em que cruza caminhos com Ortiz, uma agente da DEA que quer terminar o que começou.

Se o roteiro de Cloonan não traz nenhum grande problema, também não traz nenhum grande acerto. É uma história tão comum ao justiceiro que não chama atenção nenhuma. Ela parece genérica demais, sem nenhum tempero que coloque algum destaque nela. Tivesse uma narrativa diferenciada, o problema talvez não fosse percebido. Mas a trama é contada e apresentada num modelo bastante padrão, sem trazer nada de novo, ou de ousado. As cenas de ação, por exemplo, tentam ser violentas com seus vários tiros na cabeça, mas é tão direta e sem atrativos que não empolga muito. Completamente diferente do trabalho de Mark Waid e Chris Samnee no novo encadernado da Viúva Negra, que foi publicado por volta da mesma época.

O vilão apresentado por Cloonan, o traficante Fuça, também não chama muita atenção. Ela tenta colocar alguma característica interessante na personalidade dele, mas tirando uma arrogância da “nova bandidagem” que está no pedaço e seu gosto por torturas, poderia ser qualquer bandido comum. A roteirista acerta muito mais em Olaf, antigo oficial de Frank Castle, que é apresentado sempre nos bastidores, nunca entrando em confronto direto com o Justiceiro, até mesmo poupando sua vida e prejudicando os seus inimigos. Juntamente com Ortiz, a agente da DEA, são a maior esperança de que a história possa tomar rumos mais interessantes na próxima edição. Inclusive, as cenas com Ortiz conseguem ser até melhores do que algumas do Justiceiro, e ela pode vir a se tornar uma personagem realmente interessante nesta nova fase.

Steve Dillon está em seu estilo habitual, o que é bom para quem gosta, e ruim para quem não. No entanto, as cores de Frank Martin realmente fizeram bem aos traços de Dillon, dando uma profundidade e sombreamento que não é tão claro em seus outros trabalhos, como Preacher. Curiosamente, de todos os personagens na HQ, foi justamente o Justiceiro que mais teve problemas no quesito arte. Ainda que seja um personagem com quem Dillon está bastante acostumado, as feições de Frank Castle parecem oscilar durante vários quadros, por vezes sendo até mesmo difícil de se reconhecer.

Mas a coisa vai além disso. Ou por decisão editorial, ou por escolha do artista, o Justiceiro parece ter sido muito rejuvenescido, tendo um aspecto estranhamente jovem na obra, como se estivesse com seus 23 ou 25 anos. Somando ao uniforme atual do personagem, calças normais e uma camisa normal com o símbolo da caveira, ele fica muito pouco destacado dos demais personagens e muito diferente – de um jeito ruim – de suas encarnações anteriores. Para completar, por vezes as cores não ajudam, e deixam Castle com uma pele bastante estranhamente escura, quase parecendo possuir um tom negro claro de pele, sensação que é ampliada pela forma como Dillon desenha as suas feições.

Justiceiro #4, que trata do arco publicado como “On the Road” nos Estados Unidos, não impressiona de forma nenhuma. É apenas razoável o suficiente para – por pouco – valer o seu preço. Um começo ruim de Becky Cloonan no comando do personagem, e uma despedida de Dillon que é indigna do seu nome. A dupla acerta em alguns elementos, e é possível que haja um salto de qualidade no próximo arco (que não conta com a arte de Dillon em todas as edições), no entanto, não isso não é uma boa aposta.

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