
“Eu nasci num universo de antimatéria, um reflexo invertido deste aqui, onde o bem é o mal e vice-versa.” Diz Alexander Luthor para a Liga da Justiça, depois de ter viajado de seu universo para buscar uma maneira de vencer o Sindicato do Crime (a versão malvada da Liga da Justiça). Este grupo é formado por membros que são o inverso da Liga da Justiça, em tudo. Assim, Batman, Superman, Mulher-Maravilha, Flash e Lanterna Verde se unem a Luthor numa jornada para salvar o Universo Antimatéria, enquanto Aquaman e o Caçador de Marte ficam guardando o universo tradicional, apelidado de “Terra 2” por Alexander Luthor. Com “LJA: Terra 2”, Grant Morrison e o artista Frank Quitely criam uma obra verdadeiramente épica, que se torna bem pessoal por causa das questões existenciais sobre bem e mal. Morrison escreve a graphic novel da maneira que se deve: como um mundo dos maiores heróis do Universo. A Liga da Justiça aceita a missão de salvar um Universo que não conhecem, existe algo mais heroico? Morrison e Quitely exploram a palavra heroísmo ao extremo.
A natureza épica da Liga da Justiça é expressada de forma bela por Quitely quando os heróis aparecem pela primeira vez. Superman, Caçador de Marte e Mulher-Maravilha graciosamente flutuando ao redor de um avião em queda. A primeira palavra que vem à mente é elegãncia. Eles parecem aceitar a missão de salvar os passageiros com calma e demonstrando que eles são os salvadores. Porém, na mesma página, Morrison e Quitely levantam a velha comparação de heróis e vilões, a batalha do bem contra o mal. A cena onde a Liga da Justiça decide ajudar Luthor em sua missão mostra a influência que os heróis possuem em cada membro e o motivo deles serem considerados os maiores heróis do mundo. Quando Luthor implora por ajuda contra a tirania do Sindicato do Crime, Batman faz sua primeira aparição na história e dá sua resposta de forma enfática: “Eu digo não”. Bataman aparecer das sombras, dar a resposta e vermos a expressão facial de Luthor e Superman é algo sem preço. Luthor explica seu motivo para Batman e fala:
“Eu arrisquei tudo para chegar aqui. Não me enviem de volta para ao inferno sem esperança! Você faz ideia do que é estar só contra um mundo de trevas?
Com palavras tão poderosas, o leitor sabe que Batman sentiu isso, sabe que Batman teve um passado sombrio e ele sempre teve o suporte de sua equipe, diferente de Luthor em seu universo. Com os braços cruzados, a Mulher-Maravilha diz:

A Liga discute junta, como um time, os motivos de irem ou não para a Missão. Superman diz para Batman:
“Sozinho contra um mundo de trevas? Eu vou sem hesitar!”.
Neste painel, vemos o S de sua capa enquanto vemos o rosto do Batman, que coloca os dois dedos no rosto, mostrando que está refletindo e diz:
“Aquaman e Ajax ficam. Eu vou com vocês.”
Sem nunca admitir que está errado, ele se voluntaria para ir com os mais poderosos membros para um lugar desconhecido. Ele mostra que a coragem o torna digno de estar no meio de deuses. Cada membro da Liga da Justiça acredita em sua missão sem fim para promover a virtude.
O humor, através do roteiro e da arte, deixa a história mais leve. No universo antimatéria, Benedict Arnold está na nota de dólar e cada humano tem seu coração no lado direito do peito. Tudo, tudo é oposto nesse mundo. Vemos o Lanterna Verde segurar a lua com duas mãos gigantes (feitas a partir do anel energético), vemos a Superwoman propor ao Caçador de Marte uma parceria. J’onn responde “Somos de espécie diferentes”. Ainda assim, ela quer o marciano.
Pensamentos sobre o bem e o mal são expressados pelos heróis e pelos vilões através do encadernado. Em uma cena, Batman expressa suas preocupações sobre a missão:

Palavras tão poderosas que dão arrepios, pois o bem é expressado pura e simplesmente de forma bela. Ser bom e fazer o bem é o que cada membro da Liga da Justiça faz de sua vida, assim, eles fazem com que aquele bem seja refletido de volta ao mundo. Bem e mal não precisam um do outro para sobreviver. O bem é simplesmente o bem em sua plenitude.
Quando a história colide com seu fim, Quitely consegue expressar a enormidade do momento em duas páginas. O topo da metade das duas páginas é um painel, com um mundo literalmente indo de encontro ao outro. Vemos heróis e vilões. O grande vilão da história provoca o leitor ao descrever seus pensamentos. Ainda que as ações e palavras dos heróis já tenham definido o nosso lado. Superman toma a frente e mostra que não será derrotado. Flash diz que seus pulmões estão queimando, ainda que ele suporte a dor. Esses heróis são corajosos mesmo em momentos apocalípticos. Os heróis prevalecem, mesmo que pareça que eles teriam que comprometer seus ideiais. Em uma peça genial de roteiro e arte, eles são capazes de vencer a possibilidade.
Nas duas últimas páginas, totalmente épicas e ainda muito pessoais, vemos os heróis dando conta das consequências da batalha e vemos o quanto eles tem consideração em relação aos outros membros do grupo. Batman diz que

E com essas últimas palavras, a arte de Quitely simplesmente mostra as pernas da Trindade (Superman, Batman e Mulher-Maravilha). Enquanto a chuva cai, vemos os 7 membros da Liga da Justiça, refletidos em uma poça de lama. Reiterando a ideia do encadernado, que diz que ao fazer o bem pelo bem, as pessoas são transformadas em pessoas ainda melhores, como um reflexo da bondade. Ser uma boa pessoa, faz qualquer um ser um herói. Lembrando que a edição já está disponível na Coleção de Graphic Novels da DC Comics, clique aqui e confira.





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